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TROPA DE ELITE 2

TROPA DE ELITE 2
De José Padilha, 117  min

Tropa de Elite 2
Ação / Policial
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Montovani e José Padilha
Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Irandhir Santos, Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, Tainá Müller, Pedro Van Held, Seu Jorge, Fernanda Machado

Filmar uma sequência de uma produção icônica como foi o primeiro “Tropa de Elite” não é uma tarefa nada fácil, pois fatalmente as comparações serão inevitáveis. Bem, José Padilha compactua do jargão de que “missão dada é missão cumprida” e nos entrega uma espetacular produção que caminha com as próprias pernas.
Como diz o subtítulo, “O Inimigo Agora é Outro”… se no primeiro filme o principal inimigo era a burguesia que compra drogas e por tabela financia o tráfico no país, agora a coisa é maior, muito maior: a corrupção incrustrada até os ossos na política e na sociedade.

 O roteiro é de Bráulio Montovani em parceria com Padilha, e ele se mostra ainda mais polêmico… pode até não ser tão “divertido” quanto o primeiro (leia-se Nascimento com a mão na massa, liderando o BOPE nas incursões contra os criminosos), mas é mais denso, elaborado, ousado. E tudo isso sem deixar de ser um grande filme de ação. Ah, e as famosas frases de efeito que ficaram tão populares no primeiro “Tropa” também estão presentes, só esperando para caírem no gosto da população e se tornarem coloquiais.

 Mais de uma década se passou, e o Capitão Nascimento (vivido por Wagner Moura) agora é o Tenente-Coronel Nascimento, ele chefia o BOPE e não faz mais o trabalho de campo. O encarregado disso agora é o antigo “aspira” Matias (vivido por André Ramiro), hoje, Capitão Matias.
O início já começa com toda a tensão, com uma rebelião em Bangu I, que deverá ser debelada pelos Caveiras. O problema para a polêmica política de Nascimento, de que “bandido bom é bandido morto” é a intrusão de um novo e importante personagem, Fraga, ativista dos Direitos Humanos (interpretado por Iradhir Santos), que tem força política suficiente para causar sérias dores de cabeça ao protagonista, isso sem falar que eles também são rivais na vida pessoal…
O ocorrido no presídio acaba com consequências distintas aos dois principais membros da Tropa de Elite. Matias é expulso do BOPE (para posteriormente retornar, mas não vou entregar a história), enquanto Nascimento é nomeado Subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro, tornando-se o responsável pela Inteligência. Então ele inicia um cerco contra o tráfico na Cidade Maravilhosa, mas que serve apenas para fomentar um inimigo ainda pior, as milícias, lideradas por policiais corruptos e sustentadas por políticos tão sujos quanto.

 A Direção de Padilha é simplesmente primorosa! Com talento e coragem de sobra, já mostrados desde seu ótimo documentário “Onibus 174″ (2002), o cineasta é um dos grandes responsáveis pela excelência de “Tropa de Elite 2″, com sua condução impecável, seja para as cenas de ação, seja para as dramáticas.

 Novamente temos a narração em off, sempre feita por Nascimento… nas primeiras partes, quase temos um pouco de abuso da mesma, pois esta é uma fórmula que, se não usada com talento, pode matar um filme… mas não é o caso desta produção, felizmente.

 A atuação de Wagner Moura é espetacular! Mais profundo, ele demonstra conhecer perfeitamente a alma de seu personagem, dando um show de interpretação. Mas ele tem companheiros inspiradíssimos a lhe fazer companhia. André Ramiro tem um papel pequeno desta vez, mas mostra uma dramaticidade digna de elogios. Sua presença na trama é crucial. Irandhir Santos é outro que entrega uma atuação forte e competente, mesmo tendo um personagem difícil.

A relação de antagonismo e respeito entre ele e o personagem de Moura é perfeitamente retratada pela câmera artística de Padilha. O sempre ótimo Millhen Cortaz novamente interpreta Fábio, antigo 02, hoje um Tenente-Coronel covarde e corrupto, que é o dono dos melhores bordões do filme… não vou falar todos, mas o mais cool deixo aqui: “Tá de pombagirice?”

 André Mattos está muito bem como Fortunato, um apresentador de programa sensacionalista… uma espécie de “Datena piorado”. Sandro Rocha, que teve uma participação menor no primeiro filme, retorna com muito mais tempo na tela. Ele é Russo, policial corrupto e impiedoso, que vai atrair  toda a antipatia do espectador, retratando um vilão clássico. Vale ainda citar Tainá Müller, que dá vida à repórter Clara.

 A Montagem novamente ficou nas mãos de Daniel Rezende, simplesmente um dos melhores do mundo no ramo, não devendo absolutamente nada aos melhores de Hollywood. Rezende foi indicado ao Oscar por “Cidade de Deus” e entrega aqui um trabalho hipnotizante, do mesmo nível.

 A Fotografia é de Lula de Carvalho, e é de extrema competência. Com nuances que reforçam a emoção dos personagens em diversas tomadas, ela é ainda superior à de “Tropa 1″, que contava com muita luz estourada, causando certo desconforto.

 Em suma, tecnicamente, temos um filme muito acima da média.
“Tropa de Elite 2″ é uma das melhores produções do ano (e não me refiro apenas a filmes nacionais), é de uma coragem ácida impressionante, que entristece, mas faz refletir. É muito mais que apenas um filme de violência urbana, é sim, um soco no estômago devido ao que ousa mostrar, de forma fictícia… mas uma ficção que dói na alma ao flertar com uma realidade que pode estar mais próxima do que ousamos admitir. É frio, cruel, pessimista, visceral…

 Para ser visto e revisto, e aplaudido no final.

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

SALA 6 – 14h00, 16h30, 19h00, 21h30
SALA 3 – 14h30, 17h00, 19h30, 22h00

Horários válidos até 04/11/10

DALTO FIDENCIO
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