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Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones)

UM OLHAR DO PARAÍSO (The Lovely Bones)
De Peter Jackson, 135 min

The Lovely Bones
Drama/Fantasia
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens
Elenco: Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Rose McIver, Michael Imperioli, Reece Ritchie



 Peter Jackson está de volta, com mais uma produção permeada de fantasia, como já virou marca registrada do cienasta neo-zelandês.
Baseado no tocante best-seller “The Lovely Bones” da escritora Alice Sebold (rebatizado no Brasil  de “Memórias de Um Anjo Assassinado”), esta é uma história nada fácil de se adaptar para a Sétima Arte, mas Jackson está mais do que acostumado a adaptar obras desafiadoras, como bem sabe quem leu a obra-prima de Tolkien.

 ”Um Olhar do Paraíso” tem como ponto mais positivo o visual onírico de sua primorosa Fotografia, já que visualmente o filme é impecável. O cinematógrafo Andrew Lesnie soube traduzir muito bem o que queria Jackson, seja quando a história se passa no plano espiritual, seja no plano terreno.

 A trama mostra a protagonista Susie Salmon (vivida por Saoirse Ronan), que nos conta sua trágica história em primeira pessoa, de como, aos 14 anos, teve sua vida interrompida por um trágico assassinato. A película tem seu ponto alto na primeira meia-hora de filme, que mostra a adolescente Susie, com sua família amorosa, sua paixão pela arte da fotografia e mais ainda, por um colega de escola, em quem ela sonha em dar seu primeiro beijo. O equilibrio até aí é perfeito, mas ele se mantém apenas até a cena em que Susie é estuprada e morta por seu vizinho pedófilo (vivido por Stanley Tucci). Optou-se por tirar um pouco da densidade do livro, e as cenas do crime são deixadas para a nossa imaginação e não mostradas de forma explícita.

 ”Um Olhar do Paraíso” começa a perder a força quando a história se divide em duas. A narrativa perde importância e espaço, e Peter Jackson passa a dar mais atenção ao deleite visual da obra. Com isso, partes importantes do livro são esquecidas, mesmo sendo relevantes para a trama. Uma pena.

  Susie, depois de assassinada, passa a observar o nosso mundo de um “meio-termo”, um limbo entre o Paraíso e a Terra. Ela vê as pessoas de sua família serem afetadas por sua morte… sua mãe Abigail (vivida por Rachel Weisz) se afasta da família e busca no trabalho no campo a fuga para seu pesadelo, seu pai Jack Salmon (papel de Mark Wahlberg) passa a investigar o crime de forma obsessiva, tentando ajudar a polícia a descobrir o assassino de sua filha. Susie vê também o florescimento de sua irmã mais nova Lindsey (vivida por Rose McIver), que tem a possibilidade de viver experiências que lhe foram negadas. E claro, ela também observa seu assassino seguir a vida impune…

 Esse lugar etéreo de onde Susie observa nosso mundo é bastante surreal, com imagens dignas de pintores impressionistas, bastante carregado de cores, principalmente o azul e o amarelo. Alguns disseram ser uma visão até piegas esse “caminho para o Paraíso” criado por Peter Jackson, mas há que se levar em conta que é um Paraíso pessoal, criado pelas emoções de uma adolescente de apenas 14 anos.

 O problema do filme está na falta de profundidade do roteiro (escrito por Peter Jackson com as suas co-roteiristas de praxe, Fran Walsh e Philippa Boyens), que se perde ao não saber focar com intensidade a ligação entre os dois mundos apresentados pela trama, e nem tampouco sabe se dá mais importância ao mundo etéreo ou ao real. Com isso, perde-se força numa narrativa que tinha potencial para ser marcante, e acaba sendo apenas rasa, ainda que bela.

 Temos aqui algumas atuações dignas de nota: a menina-prodígio Saoirse Ronan, que já havia surpreendido em 2007 com uma belíssima atuação em Desejo e Reparação (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante), mostra que veio mesmo para ficar, e que tem enorme potencial para ser uma das melhores atrizes dos anos vindouros. Sua talentosa atuação é digna de uma veterana, neste papel nada fácil de interpretar. Stanley Tucci segue no mesmo nível de Saoirse, seu vilão é assustador em sua simplicidade, e sua indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante foi sem dúvida, merecida.

 Já o mesmo não pode ser dito sobre o resto do elenco… o talentoso Mark Wahlberg até que se esforça em seu papel de pai desesperado pelo assassinato impune da filha, chega a ter alguns bons momentos, mas de forma geral sua atuação não chega a ser marcante. Rachel Weiz passa quase despercebida, num papel fraco e com uma atuação irrelevante. Susan Sarandon até nos mostra um pouco da arte da atuação em seu papel de avó de Susie, mas nada digno de nota. Interessante é ver Michael Imperioli (que vive o detetive Ray) num papel que lembra seu personagem na divertida série “Life on Mars”. Mas é claro que Imperioli para todo o sempre será lembrado mesmo é por seu papel marcante em The Sopranos. E temos também Rose Mclver, que interpreta Lindsey, a irmã de Susie.

 A trilha sonora é de Brian Eno, e funciona muito bem no filme, tanto nos momentos densos como nos mais leves.
A Direção de Arte, como não poderia deixar de ser numa produção de Jackson, é primorosa, e ajudada pelo Figurino, construiu perfeitamente a época setentista onde se passa a trama.
O cinéfilo mais observador irá notar o próprio Peter Jackson fazendo uma ponta, sugestivamente portanto uma câmera, e mais legal ainda, um pôster com um certo nome “Tolkien” em uma livraria do filme.

 ”Um Olhar do Paraíso” é um filme irregular, que não chegou ao patamar desejado por seu criador, mas fica muito longe de ser um filme ruim. É uma bela fantasia, sensível, visualmente sublime, e que merece ser assistido.

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 4: 21h45 (Legendado)

Horários válidos até 11/03
www.cinesystem.com.br/page/cidade.asp

DALTO FIDENCIO
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