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O Povo Puri

Dedicado ao historiador José Luiz Pasin>>>

Na noite glacial de primavera acenderam-se estrelas. O sol se faz presente no feriado numa quarta-feira. Para variar, dormir sem sua compania, como quase todos os dias desta minha ilusória vida de solidão. Não ter sua companhia me faz mais triste. Mulher,  talvez eu tenha vindo bem antes. Ou você deve estar meio perdida em algum lugar que nunca fui. Hoje sai de minha imensa rotina,  fui com meus familiares  catar bambu numa vargem perto de onde moro. É divertido ver crianças com medo de vaca. Mas
sempre só. Moça, apareça para poder compartilhar contigo meus  teus desejos.Eu nunca vi moinhos?  As vezes os ônibus me parecem grandes monstros.
Sempre me lembro de um filme de terror em que a mulher entra num ônibus,  perde sua criança que era filha do capeta. E vai parar num inferno. Ontem, vi numa escola, uma comemoração do dia das bruxas. Não viemos da Inglaterra e sim de Portugal  e da mãe África. E somos também um pouco do povo que sempre viveu aqui : O Povo Puri, que antes de Cabral, de Colombo habitavam estas terras. Nossas tradições são outras, encarnei um pouco um personagem de Machado de Assis. Depois refletindo, lembrei-me da antropofagia de Oswald Andrade – devoramos estes elementos e criamos o dia do Saci. Mas mulher, esta quarta-feira se esvai como as areias da ampulheta. E eu aqui sem você, a atender telefonemas. Durmo numa imensa rede no telhado de minha casa. As pessoas que moram em bairros têm a estranha mania de ligar os sons bem alto de seus carros, em dias de folga. Aqui onde moro só falta o churrasco na laje para completar.

Na noite glacial de primavera quero adentrar em mim e ver como os povos Puris viviam bem antes de nós, neste Vale do Paraíba. Estas memórias ancestrais  devem  ser recuperadas. Que bom saber que no Paraguai se fala Guarani. Quero conhecer toda esta imensa América Latina. Sentir o viver de todos estes povos. Quero ir a Templos Astecas, Mayas. Quero sua companhia, quero que estejas comigo.  É muito estranho ver este povo a comemorar Haloween.
É muito estranho! Será que o estranho nesta história toda, sou eu? Mas que eu?  Cadê os gigantes? Onde esta Dulcineia? Adoro ler Cervantes. Falta-me o livro dois de Dom Quixote. Hoje li um lindo poema de Ana Cristina Cesar no Face,  ainda lerei sua obra  completa. Pelo que sei, nos deixou cedo. Gosto muito do Face porque me estimula a pensar. Vejo coisas que normalmente não veria. Por isto acesso este site de relacionamento. É muito estranho, parece que temos duas vidas a real bem básica do dia a dia e a
virtual toda cheia de emoções. Uma se funde na outra e não somos? Ainda não conheço a língua dos Puris, suas tradições, suas lendas. Não somos se não temos esta identidade. E vou me entregar a uma tradição que não me pertence se nada sei e nada sabemos dos Puris? Adentro em mim, busco nos registros da natureza toda esta cultura que esta perdida? Mas ela de uma maneira ou de outra circula em nossas veias, em nosso sangue vermelho. Não somos só Português e Negros, também somos Puris. Adentremos uma caverna. Retiremos da Terra as urnas funerárias. Somos todos estes povos. Se não os conhecermos não nos reconheceremos? Vamos revirar a terra  para absorvermos esta cultura. Ó moça, quero estar contigo nesta autofagia. Quero estar  junto quando o Xamã fizer o ritual. Bebemos das ervas e adentremos em nós.

JOKA
joão carlos faria

Veja o vídeo abaixo:

Urbanidades – Vista Linda

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Filed in: Educação, Variadas

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