Confesso, eu não sei nada. E como passarei algo para crianças se não sei nada? Confesso, acho nossa língua tão bela, ao mesmo tempo tão cheia de regras. E minúcias, malabarismos que impedem as pessoas de se comunicarem. Para mim, tudo parece um jogo de cartas marcadas. Desculpem, às vezes não quero estar em sociedade. Parece que fico a repetir as velhas canções mentirosas que me contaram. Vejo uma sociedade que tenta derrubar os valores básicos do homem. Estamos cada vez mais egoístas. Mentimos para nós mesmos quando professamos alguma fé. Somos por demais ateus e materialistas. O nosso jeito de viver denuncia isto. Como deseducamos as crianças e nunca as entendemos. E tantas teorias nos fazem idiotas. Somos uma humanidade de idiotas. Os lideres do mundo invadem países. Destroem civilizações inteiras. E ficamos a dar milhos a pombos. Não entendo. Aceitamos a escravidão de um cartão de ponto. Seguimos convenções sociais nas quais não concordamos. E vemos uma geração invadir uma reitoria pelo direito a fumar maconha. Justificam assim a truculência policial. Temos sim direitos, mas temos deveres. E nos prendemos e servimos este Sistema Capitalista. E nunca estudamos Marx para voar além dele. E sempre caímos na rede das teorias. Nos contos dos especialistas. O saber é o ser, é universal. Vai além de entender uma parte sem ter idéia do todo, é tolice.Não sabemos diferenciar fadas de bruxas. Não entendemos o que são os seres elementais.Não sabemos ler a aura. Separamos a magia da ciência, quando tudo é único. Confesso, eu não sei. No fundo desconhecemos o verbo que cria. Como em Sidarta às vezes um simples balseiro pode nos ensinar tudo da vida. A sabedoria esta em todos nós. E mesmo assim não sabemos nada. Desculpem, eu não sou. É duro ver uma sociedade que se prostitui e anula seus princípios só por algumas moedas de ouro. Em nome da vã sobrevivência, matamos nossos valores. Deixamos as pessoas cada vez mais ignorantes. Os Partidos Políticos e Governantes cada dia assumem um discurso e uma prática. Não sou. Graças ao Universo nunca serei eleito para nada. Nunca venderei grandes quantias de livros. Nunca serei badalado. Quero um canto numa serra, ver uma nascente nascer, vivenciar a natureza e descobrir realmente que não sei nada. E no fim, tudo é respiração e com ela se faz O VERBO.
JOKA
joão carlos faria







tudo começa com aquela velha canção do zé rodrigues
todo começo pode ser partida
toda partida pode ser o começo