OS TRÊS MOSQUETEIROS (The Three Musketeers)
De Paul W.S. Anderson, 110 min
The Three Musketeers
Ação / Aventura
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Alex Litvak e Andrew Davies
Elenco: Logan Lerman, Milla Jovovich, Matthew Macfadyen, Ray Stevenson, Luke Evans, Christoph Waltz, Orlando Bloom, Mads Mikkelsen, James Corden, Juno Temple
Quando vi o trailer deste novo filme baseado no clássico de Alexandre Dumas, fiquei na esperança de que ele seguisse a linha do ótimo Sherlock Holmes, com Robert Downey Jr… que modernizou de forma inspirada a criação de Sir Arthur Conan Doyle. Bem… vã esperança. Paul W. S. Anderson (dos filmes de Resident Evil) nos entrega uma película esquecível, com roteiro insosso, que no máximo conseguirá ser um clássico de “Sessão da Tarde”.
As aventuras de Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan volta e meia chegam aos cines, pois Dumas criou um clássico imortal da literatura mundial (o livro data de 1844). Infelizmente desta vez a trama foi infantilizada (terá sido coincidência o fato da estréia no Brasil ter ocorrido no Dia das Crianças?) para
agradar aos adolescentes, resultando num filme bem inferior aos já feitos no passado (onde destaco a produção de 1973, com Christopher Lee). E olha que o elenco era promissor, com nomes estelares. Mas caso você consiga desligar totalmente seu cérebro para as ações absurdas do roteiro e levar para uma linha de pura diversão sem compromissos, poderá simpatizar com este “Os 3 Mosqueteiros 3D”.
A trama pelo menos no início segue sem mudanças radicais, com D’Artagnan se desentendendo com os 3 Mosqueteiros logo de cara e marcando duelos contra eles (cada um num horário diferente). Mas os quatro acabam enfrentando os guardas do Cardeal Richelieu e logo se tornando grandes amigos. Daí terão que lutar contra o desejo de Richelieu (vivido por Christoph Waltz, de “Bastardos Inglórios”) de se apoderar da Coroa francesa, destronando o frívolo Rei Luís XIII, retratado como um jovem tímido e bobo. Richelieu tem a ajuda de seu capanga Rochefort (Mads Mikkelsen, de “Fúria de Titãs”).
Outros personagens importantes para a trama são o Duque de Buckingham (vivido por Orlando Bloom, de “O Senhor dos Anéis”) e a misteriosa Milady De Winter (vivida por Milla Jovovich, de “Resident Evil”).
D’Artagnan é interpretado pelo jovem Logan Lerman (de “Percy Jackson e O Ladrão de Raios”), que entrega uma atuação longe de ser marcante. Seu personagem chega até a ser um pouco irritante, confundindo impetuosidade e coragem com estupidez.
Athos é vivido por Matthew MacFadyen (de “Orgulho e Preconceito”), Porthos é interpretado por Ray Stevenson (de “Thor”) e Aramis ganha vida na pele de Luke Evans (“Furia de Titãs”), mas nenhum deles entrega uma atuação digna de nota. E é uma pena ver o grande Christoph Waltz num papel de vilão caricato e sem graça… a diferença para seu fantástico “Hans Landa”, que lhe rendeu merecidamente o Oscar, é abissal.
Milla Jovovich também não brilha, ao simplesmente mimetizar seu personagem “Alice” de Resident Evil. As diferenças são apenas o poder de fogo e os figurinos. Já Orlando Bloom faz um Duque de Buckingham também caricato, sem nenhum apego ao espectador.
A esposa do rei, Rainha Anne, é vivida por Juno Temple. Aqui, diferentemente da história original, ela não tem um caso com o duque, mas apenas a acusação desta traição já poderá levar a uma guerra entre França e Inglaterra.
Mas se a Direção não é grande coisa, as atuaçõe idem, e o roteiro da dupla Alex Litvak e Andrew Davies é sofrível, então nada se salva neste filme? Calma… a Direção de Arte (de Nigel Churcher) e os Figurinos são da melhor estirpe! Deleite-se com as tomadas em belíssimos castelos bávaros, e com o trabalho inspirado do figurinista Pierre-Yves Gayraud. Visualmente, o filme manda muito bem, não restam dúvidas. Mas ignore o inútil 3D… a única diferença que ele entrega aqui é no preço do ingresso mesmo. Aliás, é incrível como está cada vez mais raro encontrar produções que valham a pena serem vistas em 3D. A grande maioria apenas utiliza o recurso para arrecadar mais nas bilheterias, sem nada acrescentar ao filme verdadeiramente.
Os Efeitos Visuais são muito bons (ajudados pelo orçamento de 100 milhões de dólares), já a Trilha Sonora é um tanto exagerada, mas não se pode dizer que não combine com a proposta da película.
O final deixa claro que teremos uma sequência (na verdade, a idéia do estúdio é fazer uma trilogia)… bem, esperemos que a produção tenha melhor inspiração na próxima vez que ouvirmos a icônica frase “Um por todos e todos por um!” nas salas de cinema.
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum
http://twitter.com/DaltoFidencio







