A cidade às vésperas do natal acolhe milhares de almas festivas que encapsuladas pelos seus pequenos sonhos de felicidade perdem horas em busca de objetos insignificantes que servirão de portais de entrada para um mundo que se abrirá exatamente meia noite do dia vinte e quatro de dezembro.
Temos a sensação que após as doze badaladas do relógio seremos sugados e transportados para um mundo de paz e amor infinitos. E a ansiedade da espera nos persegue até que a realidade nos desperta e a depressão aparecem como um algoz nos oferecendo a única coisa que existe do outro lado: Um deserto frio e vazio.
E sobre a toalha estendida na areia iluminada pelas luzes multicores uma garrafa de sedativo alcoólico. Agarramo-la em desespero e entornamos goela abaixo adormecendo toda nossa esperança. Acordarmos no final da tarde do mesmo dia mais duros e áridos… E muito provavelmente cheio de dívidas. E depois de quinze vinte dias de sonhos alucinados tudo se acaba. O mundo volta a ser o que era antes nada mudou.
Mas porque o mundo é assim? Você já se perguntou? Mesmo alguém não concordando vou dizer: Porque queremos.
O mundo é exatamente como queremos. Se você sofre a culpa é nossa. Se eu sofro a culpa é nossa. O querer coletivo faz o mundo ser como é. E coletivo significa que todos sem exceção participam do processo. Existe uma unanimidade aí, burra ou não.
Vou tentar ser mais claro.
Sabe aquela pequena injustiça que fazemos contra nosso semelhante? Quando nos deixamos convencer que essa ou aquela pessoa é má por algum motivo inventada por um idiota qualquer e participamos do linchamento moral dela? Pois é. Esse consentimento que damos não afeta somente a pessoa. Cria também um padrão moral. Esse consentimento afrouxa a moral de um círculo de pessoas e esse círculo vai aumentando até alcançar a sociedade inteira criando um novo conceito. Aí é somente esperar um pouco que estaremos sofrendo a consequência desse nosso consentimento e o resultado é óbvio: sofremos mais um pouco.
Então meu amigo, não adianta ficarmos esperando o dia vinte e quatro de dezembro na esperança de encontramos um portal mágico que nos levará a um mundo maravilhoso e feliz, temos que colocar a mão na massa e mudar os conceitos que ajudamos a criar. O tempo para o bom ou o mau conceito dar a volta e retornar para nós será o mesmo. Tudo se resume em prestarmos atenção em nossos atos. Aquele idiota que está criando uma situação que nos levará ao sofrimento, se prestarmos atenção, não é tão esperto assim e não merece fazer parte de nosso circulo. Ele é apenas um idiota.
Quero fazer uma proposta: Que tal aproveitarmos esse final de ano para mudar nossas vidas para melhor? Vamos começar a falar não para todas as pessoas que chegarem até nós com má intenção. Não importa se é apenas uma fofoca. Qualquer ideia que traga o mal embutido será rejeitada, tá combinado? E não tenha medo de ficar sozinho ou se divertir menos. Garanto que com a prática vai tornar sua vida melhor e mais alegre. Porque felicidade é um dos sinônimos de divertimento.
E, por favor, pare com essa ideia infantil de que o natal é uma época de amor e fraternidade ou qualquer coisa desse gênero. Natal é apenas o dia em que o comércio vende mais. Somente isso. A felicidade é possível e o amor tem que ser a meta a ser alcançada, mas mágica não existe e o trabalho é imprescindível para conquistarmos o que quer que seja.
Vamos mudar nosso modo de encarar a vida, tá legal, e assim quem sabe o natal de 2012 nos encontre mais consciente e a frustração e a depressão que se acostumou aparecer para nos cumprimentar não nos encontrará mais. E nem precisaremos anestesiar nosso sentimento porque estaremos felizes., tá certo? É isso!
Tenham um natal sóbrio e um inicio de ano repleto de oportunidades de mudança.
Até mais!







