FUI SALVA PELO ÓPIO DA POESIA
Final de ano para mim já trouxe significados maiores. Sonhava há velhos e mofados tempo em ter uma família, cuidar de casa, marido, filhos, etc. Tudo mudou com a chegada da poesia em minha vida. A descoberta pela poesia chegou aos 26 anos, antes disso vivia uma vida pacata e sem perspectivas, fiquei durante mais de 10 anos participando de cultos evangélicos, com o objetivo de sair a este mundo afora pregando o evangelho. Foram anos e anos numa vida religiosa, privada de prazeres e desejos, não enxergava a vida. Tudo me era pecado. Nesta época dentro da Igreja já comecei a ter decepções, e foi para mim um choque. Meu primeiro namorado o conheci na Igreja, achava que tinha conhecido ‘o príncipe encantado’, mas nada não passou de um engano. Pois o cara me ludibriou e por pouco não ficamos noivos, acho que foi um aviso neste dia em que íamos marcar o noivado, o vi me traindo na porta da Igreja com outra pessoa. Foi fatal tal descoberta, valeu à pena. E isso foi só o começo de várias descobertas. Onde que a poesia entra nesta página da vida?
Logo que deixei de freqüentar a Igreja me joguei no mundo de cabeça, sem freio sem direção e a queda foi terrível, caros leitores. Mas como tudo, passou. Tirei experiências desta trajetória. E a poesia chegou à minha vida no momento certo, não foi uma maldição, mas uma benção. A poesia para mim é meu ópio cotidiano. O poeta Ferreira Gullar disse que ‘a arte existe porque o cotidiano é muito sem fantasia’. No caso minha poesia é esta fantasia ou uma droga pesada.








Eu também me considero “salvo” pela poesia. Essa condução poética me tirou da estrada asfaltada da “vida comum” e levou-me para penhascos onde vertigens, delírios, prazeres, vento na cara e sol causticante tornaram-se companhias constantes, e maravilhosas!