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O PALHAÇO

O PALHAÇO
De Selton Mello, 88 min

 
O Palhaço

Drama / Comédia
Direção: Selton Mello
Roteiro:  Selton Mello e Marcelo Vindicato
Elenco: Selton Mello, Paulo José, Tonico Pereira, Giselle Motta, Larissa Manoela, Renato Macedo, Thogun, Teuda Bara, Álamo Facó, Hossen Minussi, Erom Cordeiro, Maíra Chasseraux, Tony Tonelada, Fabiana Karla, Ferrugem, Moacyr Franco, Jackson Antunes,
Bruna Chiaradia, Cadu Favero, Jorge Loredo

 

 

 

 

 

Selton Mello demonstra que é do ramo logo em sua segunda película como diretor… depois do ousado e pessimista  “Feliz Natal”, desta vez ele nos entrega uma produção tocante, carregada de lirismo.

Como Wagner Moura e Rodrigo Santoro não puderam aceitar o papel de protagonista por conflitos de agenda, Mello arregaçou as mangas e decidiu estrelar ele mesmo “O Palhaço”, decisão que se mostrou mais do que acertada.

O ator/diretor vive Benjamin, também conhecido como o palhaço Pangaré, que passa por uma crise existencial. Ele ajuda seu pai, Valdemar – o palhaço Puro Sangue – vivido pelo veterano Paulo José, (numa interpretação excelente) a tocar o Circo Esperança, que roda o interior paulista e mineiro, visitando cidadezinhas e se apresentando para um público bastante minguado. Mas Benjamin é um palhaço triste, ele faz as pessoas rirem mas dentro de si carrega a melancolia da dúvida, se é isto mesmo que quer para sua vida. E aqui entram duas geniais sacadas do roteiro: Benjamin vive a sonhar com o dia que terá dinheiro suficiente para comprar um ventilador… e ele também não possui sequer o RG, mas apenas uma surrada Certidão de Nascimento. São metáforas inspiradíssimas para o desejo do protagonista de buscar novos ares para sua vida, e para o fato de que ele deseja abandonar o circo de seu pai para buscar sua propria identidade. Brilhante!

A atuação de Selton Mello é inspiradíssima, demonstrando toda a melancolia de seu personagem a cada conversa, a cada olhar. O ator segue o caminho do diretor: irrepreensível. Destaque também para os enquadramentos de câmera, sempre buscando deixar a cena como se fosse um palco, um picadeiro… pouco importando se os personagens estão sob a lona do circo ou não.
Inúmeras homenagens e referências ao mundo do circo e a humoristas brasileiros estão presentes, o que torna o prazer de acompanhar a película ainda maior.

Impossível também não se lembrar do clássico “Os Palhaços”, de Fellini.
Destaque para as várias participações especias! Moacyr Franco como o Delegado Justo, absolutamente hilário em seu papel; o eterno Zé Bonitinho, Jorge Loredo, que consegue a façanha de fazer Benjamin rir; Ferrugem, como o funcionário público que finalmente dará um RG para o protagonista… é um grande prazer vê-los na tela. Outros expoentes da velha guarda também se fazem presentes, como Jackson Antunes e Tonico Pereira, que vivem respectivamente Juca Bigode e Beto/Deto Papagaio.
Destaque também para a adorável interpretação da infante Larissa Manoela, que vive Guilhermina, que posteriormente irá substituir Lola, a dançarina do circo, vivida por Giselle Motta.

É emocionante acompanhar Benjamin em seu dilema pessoal, se deve ceder ao desejo de buscar outros caminhos para sua vida, ou se deve ficar e seguir a “tradição da família”, ajudando o pai a administrar o circo, com todos os pequenos problemas diários que devem ser solucionados. Será que ao procurarmos por uma identidade, não estaremos no fundo perdendo a que já tínhamos e não sabíamos?

A câmera é poética, e a Fotografia, contemplativa, com tons fortes que ilustram a história perfeitamente, de forma notável. Palmas para o responsável, Adrian Teijido.
Selton Mello prova que é possível termos grandes filmes nacionais sem apelarmos para o tema da violência urbana, e nos entrega uma obra sensível, encantadora e tocante. Pura Poesia em pele de Sétima Arte. Um circo que não faz rir… faz sorrir.
Um filme imperdível, respeitável público!

DALTO FIDENCIO
 nils satis nisi optimum

 http://twitter.com/DaltoFidencio

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Filed in: Cinema, Dalto Fidencio

6 Responses to "O PALHAÇO"

  1. Luis Tobal disse:

    Sem muita delonga, vc já está entre os grandes. Parabenizo a Entrementes pela sua aquisição.Continue assim, brincando c as palavras e colocando conhecimento técnico nos comentários. Parabéns.

  2. Valquiria Lima disse:

    Em meu pensar não consigo imaginar sem o Selton Mello, era para sem assim mesmo.
    O filme em si me fez lembrar do quadro de um palhaço triste com uma placa escrita: isso não tem graça.

    O filme me teve uma mensagem no qual me tocou muito, sobre a obrigatoriedade de um indivíduo tem em relação ao seu trabalho, como por exemplo médicos não podem ficar doentes e nem palhaços tristes, é uma forma para mostrar que todos somos humanos antes de sermos palhaços e ou outros profissionalismo.

    De fato, amei todo o contexto do filme, mas não conseguir parar de pensar no que citei acima, e sim o filme tem outras visões no qual amei e achei pensativo de forma cômica.

    Parabéns Senhor Dalto pelo seu trabalho realmente uma obra em tanto.

  3. Kelly disse:

    Excelentes observações! Traduziu os sentimentos de quem viu o filme.
    Obrigada pela lembrança das alusões feitas aos grandes palhaços do Brasil.
    E parabéns! Quem fomenta a cultura no nosso país deve ser sempre exaltado.

  4. Dalto disse:

    Kelly, és sempre bem-vinda aqui, querida!

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