Um canto de roça
De mais a mais
Disto tudo subtraio
E por menos que me caiba
Linha a linha eu me aumento
Espero no lume da noite
O brilho derradeiro
Pois ofusca meu caminho
A luz que ainda não há
Passo despercebido corre
Assim eu vou sozinho
Recolho o sereno das estrelas
Tropicando em versos
Não me canso, ao contrário
Contrario, adiante avanço
Levando pra meu canto
Um cantinho que aprendi
Assovio, eu desfaço, vou em frente,
Me desprendo dessa gente
Que me prende a um lugar
Diferente da esperança luzidia
Que já raia meu dia
Antes do dia alumiar
Eu, a noite e meu canto
Faz trança que liberta
E em minha casa a porta aberta
Luz gretando todas as frestas
Convida toda gente e a poesia
Podem entrar…
Tão.
(a força das vozes em coro)
Monteiro Lobato
Paulo Pinheiro.
Se são tão mor, então vim
Sem medo assumo empreita
Da montanha só vejo o vão.
Tamanho têm, mas se desajeita.
C’os braços abro o peito.
Chamo tu e vou ao feito
Tu, chapéu viola e eu
Estrelas, lua, canto e rua
Cercados e sós e serenos
Ouvimos nossas vozes.
Pouco a pouco ajuntamos,
somos mais e mais vozes.
Tu, eu, o amor e a voz.
A montanha, o peito e o vão.
As estrelas desajeitam o feito.
Mais vozes e tu, viola e eu.
Paulo V. Pinheiro
prá FeldmanN (provocações à parte)
té… te… tetéu (vixi!)
mentirinha inocente
como se fosse
possível mentir são
só mentira fosse
sendo que de tanto trás
tentando correr na frente
sem poder olhar pros mais
quais estrelas cadentes
suspiram em céus lilás
abraço pueril presente
bolas que o mundo dá
me sirvo de sorriso sempre
lembrando do que já não há
lembrando do que já não há
amigo é pr’essas coisas
sem pressas nem coisas
mas se tanto me faço presente
presente de mim demais
abraço os meus ausentes
com laços que os traços faz
Paulo V.
não tembém é palavra
flor de amaro nectar qual liz
por certo não sabe o errado
se sabe não sabe o que diz
portanto direi o que acho
achando que digo o que fiz
ontem peguei uma estrela
te a dei e te fiz mais feliz
colhi em meu campo mais fértil
palavras que em canto reluz
te fiz mais perto de mim ao certo
ou distante por erro te puz.
Paulo V.
à margem dos sorrisos e lágrimas,
apreensivos lemos jornais.
entre ais e humores ferinos
nos pomos à mesa dos homens.
os sentidos nos trazem cores contadas,
alguma vez sentidas e outras achadas.
letras, letrinhas, letreiros ocultos,
escondem verdades em suas sombras.
sobrou o quê? o impalpável?
por quê queremos sempre esconder os olhos?
lemos sombras que afastam as almas e
nos libertamos da poesia que nos amacia
e da tarra viva vimos e
para o sal estéril vamos e
em linhas livres de amarras prendo meu pranto.
Homens de terra ou de só sal .
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