Só existimos enquanto resistimos. E há um grande trator chamado cotidiano que tenta passar por cima de nós a todo o momento. Passa, depois nos reconstituímos. Sempre há derrotas e vitórias. A vida é feita de cansaço, sofrimento e alguns poucos momentos de vitorias. Estamos repletos de ilusões sobre o que nos cerca. Como nos vemos e vemos o mundo? Um mundo? Só nos baseamos em nossos parcos cinco sentidos. Mas sempre há algo além. E tudo nos cabe. Devemos nos basear em nossas doces ilusões? Sempre estamos a imaginar e nunca estamos a criar. O próximo esta sempre longe de nossas expectativas. Sentimos, ás vezes ouvimos e na maioria das vezes falamos. E nos emocionamos sem de fato compreender todas as situações que o cotidiano nos envolve. É importante aprender a silenciar. E só observar tudo, sem emitir nenhum juízo de valor, nem sempre é o que achamos que seja. Devemos nos calar. Avaliar nossos sentimentos, principalmente nossos ressentimentos. Só nos baseamos nestas limitadas percepções que são os cinco sentidos. E olha que não estão a pleno vapor. Parecem mal preparadas. Não nos fazem perceber o que se deveria perceber.
Curto a chuva de verão que cai nesta noite. Indago, estou aqui realmente? Não tenho estas respostas. Quando adormeço e o sonho vem, tudo me parece real. Não devo eu estar dormindo. Ou vivo adormecido, como em Matrix, devo despertar? Mas o que fazer para despertar? Chaves!!! quantas chaves podem abrir quantas portas…Teremos que passar? Há portais, portões. E no momento curto os portões da escola, que me ensinam muito da arte de viver. A educação para mim é um desafio a todo instante. Eu me cobro, nos cobram. Desculpem, não sou nem Visconde nem Emilia. Mas a criança adormecida dentro de mim começa a despertar. Como é bão ver passarinhos tomando banho de areia e contemplar isto junto com uma criança. Como é gostoso ver o silencio de um pátio após uma algazarra infantil. Experimentar a própria comunidade em sua plenitude, com suas angustias, medos, revolta e uma grande dose de violência. Ver uma sociedade que se transforma dentro de uma escola. Isto tudo nos faz perceber Deus que nos habita. Na maioria de nosso tempo esquecemos que Deus nos habita. E tudo sempre passa. E a vida se esvai como as areias de uma ampulheta. Ganhei um livro de Carlos Drummond de Andrade e ainda nem terminei de ler Cecília Meireles. Mas tudo sempre acontece neste eterno instante. Vou caminhar por entre a chuva. Curtir a negra noite. E adentrar ao universo de Morfeu, venha comigo.
JOKA
joão carlos faria






