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Clarice sempre Clarice num espelho

Eis me aqui nesta noite de verão. Onde a temperatura esta fria. Meu coração quente. Vivendo as desventuras da vida. Este verão? Esta noite? Que nunca é igual a nenhuma noite. Muitos livros para ler. Muito a escrever em minha incomoda escrita. Nunca tenho certeza de nada. Caminho pela vida. Sempre a pensar. Talvez eu pense demais e tenha pouquíssima ação. Não sou líder de nada. Meu mundo sempre ilusório. O cotidiano é uma grande festa quando conseguimos observar e nos observar. Fiquei quinze dias sem escrever. Parece que foram séculos. Já não tenho a idéia que mudarei alguma coisa neste circo que chamamos de vida. O que eu fazia quando não havia nascido? E agora, de que me serve todos os livros que li? Todos os livros que ainda possa escrever. Todos os filmes que quero produzir. E nunca produzo. Tudo mero sonho. Brinco numa praia. Caminho por uma cidade litorânea qualquer. Pois é verão e nossa sansara pede-nos para sermos mais felizes. Que mentira! devemos ser felizes a vida toda. Experimento a dor física. Vejo o meu envelhecimento quando olho no espelho. E onde anda Clarice que se perdeu ou se achou no espelho? Choro as ausências de amigos que passaram. Devo é curtir os que estão presentes. Lido com burocracias. Caminho por hospitais e consultórios médicos. Com minha garganta frágil não recito mantras, não leio livros e não medito. Vejo Zumbis na cracolandia. Vejo as pessoas se alcoolizarem em fins de semana. Vejo estradas lotadas de carros num Kaos, pela simples felicidade de um verão. Tudo é passado a partir deste momento. Mas curto este frio glacial em pleno verão. Enquanto isto, casas desabam nas cidades, pessoas podem ser expulsas de suas casas. E não faço nada além de escrever. E tudo passa. Ajeita-se. Muitos amigos já estão mortos. Vivo sempre em minha cômoda ilusão. Não sou profeta. Nem sei se sou poeta… E deveria ser? E ai é tudo vaidade. Ler revistas de variedades em consultórios médicos e ver o quanto somos fúteis enquanto civilização. Dizimamos muitas tribos indígenas. E tudo passa quando ando de bicicleta. Onde estão minhas cachoeiras? Elas me fazem sentir a vida. Adentro a uma tela de cinema e multiplico nos heróis que assisto. Quando saio de um cinema sou o homem aranha. Ás vezes de relance consigo compreender o que se diz no filme 2001 uma odisséia no espaço. Perco-me e não acho Clarice dentro do espelho. Um dia acharei o portal de entrada e saída do espelho. E estarei junto a Clarice. E tudo se vai, não faço versos. Não encanto o mundo com minhas palavras. Que bela noite de silencio. Só o latir de cães. Espero dormir com Anjos. Chega de ver meus Demônios. A dor física que reflete minhas dores da alma. Que a justiça se faça e que os moradores do Pinheirinho consigam suas casas. Temos o direito a moradia, eles também o têm. O homem tem direito a moradia, trabalho, saúde, cultura, educação e a nossa escrita deve refletir isto. Somos parte do universo. Se eles tem fome. Também se reflete em nós. Tem sede, a sede também é nossa. A vida esta além de valores materiais. Todos temos que comer nosso pão de cada dia. E também entender o pão do espírito e consumi-lo. A vida se esvai numa ampulheta. E outras vidas virão no eterno circulo. Deus se faz presente em nós. Saboreamos o pão de cada dia em que simplesmente respiramos.

JOKA

joão carlos faria

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Filed in: Esoterismo, Joka, Literatura, Política e Sociedade, Prosa

One Response to "Clarice sempre Clarice num espelho"

  1. Que lindo e falar da vida, mesmo sabendo que e somos apaenas uma alma que respira em um corpo…Ou será que somos mais que isto.

    Um abraço

    Eliza Gregio

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