Selmer
Poesia
Eu queria escrever um Poema que tivesse alguns trechos memoráveis de amor, que fosse verdadeiramente genuíno, repleto de paisagens a contento dos meus olhos azuis e, que todas as coisas tivessem a sutileza do meu estado de Poesia.
Eu queria escrever um Poema autentico, onde os pássaros pudessem cantar alegres sobre a minha janela e não desaparecessem repentinamente depois de um mergulho de bico no mar do atlântico.
Eu queria escrever um poema com 1 minuto de silêncio (…)
Eu queria escrever um Poema cheio de urbanidade, sem a violência usual de todos os dias.Uma espécie de tiro de raspão, causando apenas um susto momentâneo e algumas escoriações sem grandes proporções.
Eu queria escrever um Poema que não deixasse nenhum vestígio sobre as palavras tortas, quando o Pedreiro viesse observar o muro divisor da obra e o ser enquanto obra… E postar o seu olhar metricamente dedutível em busca do melhor prumo.
Eu queria escrever um Poema que traduzisse em poucas palavras o que a limitação delas o torna inviável!
- A abstração da realidade é o meu diário nas entrelinhas…
selmer-jun/09.
Matéria & solidão.
Na Brancura do silêncio
Meu rosto Empalidecido parece dizer:
- O fúnebre vem de dentro!
Selmer-jun/09.
Dia dos Namorados.
Sem você,
A minha vida é como um parque deserto
Sob o céu acinzentado.
E a chuva fina ao entardecer
É o próprio véu
Em dia de finado.
Selmer-jun/09.
Ao vê-lo despido de sua dignidade, ela pensou em chorar. Não o fez! Já não havia mais lágrimas acumuladas pra se dar ao luxo de tão nobre sentimento. Havia feito isso por quase uma vida inteira sem que houvesse alguém para lhe oferecer um lenço como prova de afeição. Respirou fundo, olhou para ele solenemente sem que nenhuma lágrima caísse sobre sua face ainda desejosa de sorte melhor. Saiu sem deixar que ele pudesse dizer-lhe palavras dilaceradas ao vento. Também não permitiu que ele a tocasse pela última vez.
Ele permaneceu estagnado diante da reação dela. Pensou nos erros que cometera. Sentiu-se indigno de desejá-la novamente. Arremeteu-se para dentro de si mesmo em busca de respostas. Não avançou muito temendo pela própria vida diante de tal acontecimento. Desejou ir atrás dela para dizer palavras que, só o tempo trataria de traduzir em sentimento. Pensou em lhe confessar o seu amor em grandes quantidades. Embora estivesse convencido ser tarde demais para tal declaração. Olhou em direção à avenida central. Tentou avistá-la na penumbra daquela noite fria e sem muitas perspectivas. Sabia que não havia mais nada de grandioso para acontecer. Fechou a porta com ardor e marchou embrutecido rumo ao corredor que lhe parecia infindável até a porta do seu quarto. Tentou dormir. Não conseguiu! Estava tomado por um desejo de arrependimento que lhe invadia o coração de forma arrebatadora e definitiva. Sabia da imprudência que cometera ao trocá-la por tão pouco. Tendo em vista que fora apenas momentos de deleites sem qualquer intenção de sentimentos nobres e fatais ao coração. Não imaginava viver sobre o remorso de ter ferido aquela que tanto cortejou ao longo dos anos. Deu um suspiro de adeus e tombou a face na direção da única luz que iluminava o quarto num abajour de cabeceira. Nada mais foi ouvido. Dentro e fora da casa. A noite permaneceu solene e silenciosa diante dos rumores que a vizinhança traria à tona no dia seguinte.
Selmer
Fernando Selmer – In memorian
In memorian
Selmer/jan-2010
Passarinho não parava de cantar
Até o sol amanheceu contente
De repente o sol foi embora e uma nuvem cinza tomou o seu lugar.
Uns pingos de chuva começaram a se esbarrar na gente
O pessoal começou a correr pra tudo quanto foi lugar
Parecia gato fugindo de enchente
Logo em seguida, trovões insistiam em cair sem escolher lugar.
Assustando até os mais valentes
O rio que era manso começou a se afogar
E não havia mais solo pra pisar
A enxurrada se deixou levar
O patrimônio de toda a gente
Foi-se a igrejinha de uma torre só
E agora quem vai ouvir as nossas preces?
Falou o padre descontente
(…)
O sol voltou sem se culpar
Quem sabe se a culpa não é da gente?
Coloquei a casa pra secar no varal
Fui tirar a lama do quintal
Hoje é o melhor dia pra recomeçar
A respeitar o meio ambiente!







