Pinheirinho
Eu vi…estive ali e vi,
E esses olhos cansados de ver
olhavam, sem de fato entender…
Não sou repórter. Preciso escrever.
Mas,as palavras morrem,antes de nascer.
E, no fim de tudo, só resta a poesia
insinuando-se,mostrando-me as cenas
gritando ao coração
explodindo na mente…
sem ordem cronológica
despida de toda sensatez..
De cada rosto eu guardei
traços, pedaços,impressões.
Das vozes guardei inflexões
palavras soltas que, reunidas
formavam um só relato.
Hipertexto sombrio
Contexto de desesperança.
“É o mundo, a vida é assim mesmo”
diriam os mais velhos…conformados.
“Nada a fazer”, diriam os derrotistas.
“Vamos seguir em frente!”! gritariam os otimistas.
Mas, eu estive ali e vi…
e esses olhos cansados de ver
olhavam, sem compreender.
E, como autômatos agiam todos
na surreal emergência de fazer
tudo que o momento exigia.
Sem de fato prever como seria
um segundo além, um passo adiante.
Papéis, mais papéis,explicações.
Racionais e sensatas soluções.
E lá fora, a chuva torrencial
ocultando lágrimas impotentes.
Todos fingindo ter respostas,
todos agarrando migalhas
no dar e receber da vida
na vaga recordação de sua alma.
Estive ali, vi e ouvi,
nítidas memórias de sonhos triturados.
De crianças querendo “voltar pra casa”
E, mães perambulando, sem respostas.
Eu vi…e ouvi…
E, minhas próprias memórias
vividas e não vividas,explodiam:
Século 20, Guernica,guerras,
coisas do passado,tudo voltando
em imagens recicladas…recorrências.
Século 21,tão esperado,profetizado.
Sofisticadas imagens de ficção…
Concretizadas em um mundo paralelo.
Alheio a tudo isso,quase desapercebido,
transita o homem em meio a multidão.
Despojado de sua própria história.
Sombra incômoda.Voz sufocada.
E, no submundo da humildade,estende sua mão.
Mareluz








Grande figura humana saudades.