Era em Portugal. Um jovem Rei que se lançou na guerra e se perdeu em batalha. Muitos séculos se passaram ninguém sabe de Dom Sebastião? Uma nação tropical se fez, chamada Brasil e Dom Sebastião, temível cavaleiro, esta ai. Onde a injustiça reina, quem sabe, lá esta Dom Sebastião. Eu vi, num certo lugar chamado Pinheiro, muito jovens se preparando para um injusto combate, armados de bambu, foices e martelos. Sitiados pela ganância da especulação imobiliária. Fruto do velho capitalismo sempre em ruínas. Qual é o direito do ser humano? Morar, estudar, trabalhar, viver com dignidade! E isto tenta ser roubado destes e de milhares de brasileiros. Mais triste é ver uma população ludibriada pela ilusão de consumo e achar que ter é mais importante que ser. É triste ver o povo ser jogado contra o povo. Acreditam numa fila? O que é uma fila? É uma ilusão burocrática de governos que nada querem resolver, pois dinheiro neste pais não falta. Só falta é acabar com as espertezas dos que administram os recursos que são públicos. E os jovens se armam para combater um combate? Quiçá não se combata. É a vida que vale menos que um pedaço de chão. Enquanto quem trama tudo esta no conforto e na tranqüilidade. Quem de fato decide não tem coração? Mas que coração tem eles? Dono da decisão na frieza da burocracia? As leis devem existir para proteger o cidadão comum e não os que detém um poderio econômico. Invocamos Dom Sebastião para que venha defender o exercito do Pinheirinho. Para que esteja lá em espírito orientando esta juventude. A justiça será feita sem que haja derramamento de sangue?! Aguardemos o desfecho. Que venha Dom Sebastião.
JOKA
joão carlos faria
Dom Sebastião cavalga em direção ao Pinheirinho
Toca-se o apito de trem. Ao fundo, uma brisa invade o meu quarto. Tambores ao fundo. Caminho por dentro de mim mesmo. Não sou. Nem fui. Estou em silencio. Este vento gelado de chuva. Sinto sua presença em mim. Sinto-me. O silencio e a tranqüilidade talvez sejam as coisas mais importantes da vida. E gostamos sempre de estar em cena. Chega de ser pavão. Devo descobrir o solitário caminho de estar só. Mesmo na multidão. Olho para o céu não vejo as estrelas, mas sei que estão lá. Tento olhar para dentro de mim, me enxergar, não sou não fui. E serei? Tudo sempre passa. E ninguém junto a mim. Tudo é uma ilusória vida. Estar em silencio é algo cheio de significado. Quero o mais ardente silencio. Meu corpo dói. Neste momento minha consciência se aquieta. Não tenho pressa, simplesmente sei que existo. Não sei se resisto. Anjos dançam em volta de mim. Vejo na tarde, um samba de Martinho da Vila, dá vontade de dançar e danço. Só, sem ninguém a me recriminar. Desligo a TV após ver estratégias da geo política. Navego dentro de mim. Vejo Dom Sebastião em luta. Vejo-me em luta contra os monstros que me habitam. E são uma multiplicidade. De repente não sou. Curto a brisa de verão. Adoro este verão de chuvas. E curto minha inatividade para me reconhecer. Vejo um relâmpago no céu, Dom Sebastião cavalga em direção ao Pinheirinho. Em sua luta sem trégua, pelo povo oprimido.
JOKA
João carlos faria






