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São José dos Campos dos alemães

Uma história triste que se repete, que se repete, que se repete……Recorrências!!!

Atualmente, moro na região sul e venho acompanhando a situação do Pinheirinho desde o início. Não sou joseense, sou paranaense, outra migrante…

Meus pais nasceram em São José dos Campos (Os tempos são outros, uma cidade diferente) mas foram para o sertão do Paraná nos idos de 1944. Mas, desde criança escuto histórias da Cidade dos aviões.

Em 1969, minha família voltou pra São José dos Campos. Compramos um terreno no bairro Parque Industrial. Lembro-me, ainda pequena, olhando para uma velha casa no Vale do Sol, onde tudo era mato, assim como no Morumbi, Campo dos Alemães, Colonial e o Pinheirinho, diziam as crianças vizinhas que aquela casa solitária e abandonada,  era assombrada. A história da família alemã, dona legítima de todas essas terras foi assassinada na cidade, ainda estava rolando entre as conversas das pessoas, assustadas com a brutalidade com que a família foi dizimada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Notícia da Folha de S. Paulo de 01 de julho de 1969 sobre o assassinato da família Kubitzky”, ex-proprietária do terreno onde hoje é conhecido como Pinheirinho.

Como diz o próprio jornal da época, aquela família não deixou herdeiros, portanto a propriedade ficou para o estado. Só queria entender, como é que o Morumbi, Campo dos Alemães e outros bairros foram loteados, alguém explicaria isso? Como o Pinheirinho foi parar nas mãos desse Nahas, alguém poderia explicar?

Sempre gostei de morar aqui, mas já ouvi histórias arrepiantes das pessoas que aqui moravam e moram. Uma das histórias, era de um amigo que contava que um esotérico comentou com ele, que a energia dessa cidade é tão negativa, que os pombos correios perdiam-se quando próximas a ela. Acredito que hoje em dia, devido a uma série de fatores, não só pombos, mas até aviões podem sair de suas rotas, mas nos anos 70 e 80 não existiam tantos fatores relevantes para o caso. Mas mitos e lendas à parte, o povo dessa cidade mostra-se frio diante das coisas que aqui acontecem. 

A situação da reintegração de posse o Pinheirinho, feita de modo violenta, digo isso, porque estive lá, no momento em que a PM cercava o local, vi  a movimentação toda e depois, ao voltar pra casa, para editar fotos do acontecido, ouvi as bombas, depois que a população do Campo dos alemães ficaram revoltados e enfrentaram a polícia a seu modo.

Realmente, não ajudei o Pinheirinho do jeito que deveria ajudar, apenas registrei alguns eventos e os publiquei  na WEB para o maior número de pessoas saber o que estava ocorrendo com seres humanos como nós. A minha única arma é a caneta, ou o teclado, para passar adiante o que vi, ouvi e presenciei.  Venho acompanhando  a imprensa nacional e internacional, via WEB, sobre o caso do Pinheirinho, os protestos em várias cidades do Brasil, todos manifestando solidariedade, com o povo que foi simplesmente jogado na rua.  Todos temos direito à moradia e uma condição de vida com o mínimo, para sobreviver. Uma comoção geral tomou conta da Rede e muita gente se manifestou solidária ao Pinheirinho, desde o intelectual até o mais simples dos internautas. Só de ver aquelas crianças correndo, mães chorando, homens preocupados, vendo de verdade e não através das  imagens, toda nossa vida  é colocada em xeque num momento tão intenso como esse. Somos humanos e temos a capacidade e o sentimento de se colocar no lugar do outro, essa empatia que nos tira da condição de monstros. Pelo menos, eu me sinto assim…

Mas o que me deixa perplexa é a atitude dos próprios joseenses, não generalizando, seria injusto  com uma parcela de seres sensíveis nessa cidade que dão apoio ao povo do Pinheirinho, mas na outra parcela desfilam pessoas insensíveis, preocupadas apenas com o próprio umbigo, em atitudes nazistas e totalmente incoerentes com o contexto em que estamos vivendo no momento.

Antes da reintegração, onde haviam os impasses da justiça, os comentários de leitores de um jornal local, eram de arrepiar a alma. Mas agora, quando toda essa tragédia aconteceu, voltei a dar uma olhada no jornal e os comentários são piores ainda, demonstrando que uma parte da população dessa cidade, tem atitudes sádicas e maldosas Fiquei pasma diante de tanta desumanidade. Lamentável!

Hoje, fiz questão de transcrever abaixo apenas um dos vários comentários de cidadãos joseenses incentivando a crueldade e a desumanidade:

Agora sim heim…..os barracos no chão…daqui uns meses tudo limpo, imovel valorizado novamente e tranquilidade na frente de casa…..bons tempos de 2003 retornam ao meu dia a dia, terei novamente uma boa paisagem, ao inves de barracos e bagunça o dia todo, finalmente vou poder sentar na frente da minha casa com meus filhos sem se preocupar com nada…. “Que tempo bom que não volta nunca mais”, posso dizer que volta sim, obrigado PSDB, obrigado Choque, obrigado Policia Militar, Guarda Municipal, obrigado principalmente a juiza Márcia Loureiro, mulher de pulso firme, cumpri o que diz e não volta atrás, obrigado por devolverem a paz na frente da minha casa…

Comentado por Cristiano Ferreira, 24/01/2012 10:42

 SERÁ QUE SÓ OS POMBOS SE PERDEM POR AQUI?

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Filed in: Elizabeth de Souza, Política e Sociedade

4 Responses to "São José dos Campos dos alemães"

  1. JOKA disse:

    Este seu depoimento sobre o Pinheirinho foi comovente.

    • Elizabeth disse:

      Valeu, Joca!
      Estamos todos comovidos com essa situação, “todos” os sensíveis, percebo, que nessa cidade, a maioria é bem insensível as questões humanas. Vamos usar as armas que temos, para combater a injustiça: a palavra.
      Abraços!

  2. nelson disse:

    Olá, Elisabeth,
    Belo depoimento. Saiu hoje na folha a entrevista que a julianna granjeia (@Jugranjeia) fez com o comendador bentinho. Ele afirma que o pinheirinho não pertencia aos kubitzky e sim à família Lahud. Por algum “milagre” a terra dos kubtizky foi incorporada pelos lahud e passou ao Nahas.

  3. Leda Beck disse:

    Elizabeth, por favor, entre em contato. Não tinha intenção de ver meu comentário publicado, com meu email e telefone… A mensagem era só para você… :(

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