0

Corações infames…

Mesmo sabendo que o Sol brilha todo dia e a noite sempre chega, tememos a vida. Mesmo sabendo que a morte é uma simples passagem, tememos a morte todo dia. Mesmo sabendo que acumular dinheiro é uma grande bobagem sempre queremos acumula-lo. Mesmo que todo sucesso seja uma grande bobagem queremos todo o sucesso do mundo. Tudo é mera vaidade! E a vida passa sem andarmos de bicicleta. Sem achar grandes amores. Sem entender grandes poetas. Religiões são muitas e DEUS é um. E tudo esta sempre vazio. E por isto consumismo em demasia. Enchemos nossos egos no consumo dentro das lojas. Queremos o carro mais novo, sendo que o velho e barato nos leva aos mesmos lugares. A vida passa e aprisionamos pássaros em gaiolas,  nós mesmos já estamos presos em gaiolas. Não sabemos de fato o que é liberdade. Uma coisa sei: liberdade não é um refrigerante ou uma marca de moto. Maltratamos o próximo e sempre nos achamos legais, democráticos e livres. Ser livre é ter um emprego? ridículo!  Bramir contra o próximo que só quer o direito a morar. Que quer o direito a um trabalho digno. Sim,  somos coniventes com todas as guerras que se fazem no mundo, pois só queremos bens materiais. Esquecemos-nos do Divino que nos habita. Deus se faz distante de nossos corações. Mesmo sabendo que o Sol brilha todo dia, nossas cabeças estão em trevas. Nossos corações são de pedra. Invejamos a vida do outro e nos esquecemos de nossa vida. Leio e releio Drummond e não entendo a simplicidade de sua poética. Desculpem, leio poesia há muito tempo e ainda não sei ler. Vejo filmes comerciais e saco a mensagem que é nos passada. Mas a mensagem? A vida de fato tem algum sentido do nascimento a morte? Para que serve a família? E a escola, que forma o individuo para querer ter e nunca ser? Para um mercado de trabalho cruel que nos prende a noção que viver é se dar bem economicamente. Desculpem, estamos vazios e nos enchemos de um suposto conforto. Casas grandes e vazias de livros. Academias lotadas e lugares para uma busca espiritual, cada vez mais vazios. Não ser,  faz parte de nossa vida e tudo passa. Cada vez estamos mais velhos e não nos preparamos para o que vem depois da morte. Nunca tentamos entender a morte. E a vida então passa batida. Mesmo sabendo que o Sol brilha todo dia, levamos-nos muito a sério. Vivemos com vãs ilusões. Queremos ter fama, poder, dinheiro. E tudo se esvai na ampulheta. Quando chove queremos sol. Quando tem sol queremos chuva. E ai? Não sei de nada. Mesmo que soubesse seria algo tão metafísico que não conseguiria descrever com palavras. Com raciocínio lógico. E tudo se esvai. Devemos adentrar em nós e nos ouvir. Enquanto isso o sol brilha. E DEUS se diverte vendo suas criaturas viverem. A vida é metafísica. A vida é a realidade. A vida é dificuldades e de vitorias. Estamos aqui há milênios indo e vindo. E tudo sempre passa e de fato não compreendemos Deus. Pois se não compreendemos nem a nós mesmos. E não queremos de fato nos entender? Por isso cada vez mais vazio. Cada povo, cada cultura com suas interpretações do Divino. E eu aqui, sentado, tentando desvendar o indesvendavel. Vou-me embora para além do horizonte, Para alem de meus egos. Mesmo sabendo que o Sol brilha todo dia insistimos em sofrer. Em nos apegar a uma realidade transitória. Tudo é vaidade! Tudo se esvai com o tempo, só Deus é absolutamente real. E nós, ainda mera ilusão a se dissolver no tempo. Estou aqui agora. Em breve, não estarei, mesmo sabendo que o Sol brilha todo dia.

JOKA
joão carlos faria      

Gostou? compartilhe:
Filed in: Esoterismo, Joka, Literatura, Prosa

Leave a Reply

Submit Comment

© 2012 entrementes.com.br. All rights reserved. XHTML / CSS Valid.
Powered by: Site Vale Produtora.