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Debate sobre Valores Culturais e Mentalidades

SUGESTÃO DE LEITURA PARA CÉTICOS, CONSERVADORES E QUEM MAIS
QUISER APROFUNDAR O DEBATE SOBRE VALORES CULTURAIS E MENTALIDADES

 

Prezados(as),

O Pinheirinho está fazendo, na minha opinião (tenho visto que tem mais gente pensando assim) S. José ficar mais rica: a) rica em debate; b) rica em realidade; c) rica em aprendizado; portanto: d) rica em cultura e possibilidade de mudança nas mentalidades.

Pensando assim, faço aqui uma PROVOCAÇÃO (considero uma BOA PROVOCAÇÃO); por isso, estou enviando o texto abaixo para um grupo bem específico de companheiros; um deles, somente para exemplificar, é o daqueles que há décadas (cai ditadura; entra Collor, cai Collor; passa FHC sem gerar emprego e querendo cobrar mensalidades nas universidades; entra Lula, gera emprego, aumenta a oferta de ensino técnico e superior, etc, etc) sempre repetem a mesma coisa, contra o país, a política e os políticos, etc, etc, ajudando o trabalho da “Grande Imprensa”, que nós próprios detestamos, na tarefa de desacreditar o país e as suas instituições, aumentando o poder de
influência e manipulação da dita cuja imprensa; que, entre outras consequências, afasta a juventudade – já criada no consumismo, no virtualismo e no individualismo – do debate político mais profundo; mais ainda da política partidária, de onde saem as maiores decisões que afetam o cotidiano de todos. Quem ler a matéria que repasso (colhida no Carta Maior - portal criado a partir do Fórum Social Mundial)  verá que ela, ainda que de leve, toca no tema da minha provocação.

Agradecido a todos(as), fico aberto ao debate!

Um abraço,

moacyr pinto

Política| 03/02/2012 |

Uma história do Brasil Sem Miséria

No dia 11 de junho de 2011, numa noite fria do inverno de Porto Alegre, seu Valdir e sua cadela Princesa dormiram sob um teto e não mais sob a marquise que os abrigava até então. No dia 13 de setembro o Seu Valdir tocou o interfone. Estava trêmulo e com os olhos mareados. Tinha três folhas de papel em mãos e uma carta, da Previdência Social, com um texto que começava assim: “Em atenção ao seu pedido…informamos que foi reconhecido o direito ao Benefício de Prestação Continuada…”. Acionado em um desafio para dar vida nova a um morador de rua, o Estado brasileiro respondeu com políticas de carne e osso.
Katarina Peixoto

Porto Alegre – Se os números apresentados pelo governo federal são verdadeiros, então qualquer pessoa deve poder pegar um morador de rua, ou uma pessoa em situação de risco, e inscrevê-la ao menos no Bolsa Família. Depois de pesquisar e acompanhar os dados sobre a redução da desigualdade, a entrada de mais de 30 milhões de pessoas na classe C e a saída de 28 milhões da extrema pobreza, eu pensei que poderia “ver” esses números encarnados. Trata-se de uma população maior que a de muitos países, então não deveria ser muito difícil “tirar alguém da rua”, por exemplo. Teria de ser ao menos possível e relativamente fácil; caso contrário, esses números necessariamente seriam falsificações.

É verdade que muitos dentre os que Jack London chamou de o povo do abismo já se quebraram, e a sua ida para as ruas não é outra coisa que a porta de entrada para todo tipo de quebradeira: a psíquica, a física, a emocional, a social. Os moradores de rua e a população excluída das cidades parecem existir para interpelar, intermitentes, o poder do estado, os governos, a assistência social.

Muitos do que se julgam bem informados leem nas magazines de fofocas semanais que o governo ou os governos seriam entidades comandadas por ladrões manipuladores. Indignados sem saber ao certo o porquê, passam pelos moradores de rua invariavelmente com raiva, quando não tampam os narizes e saem esbravejando contra o governo, que “permite” essa “palhaçada” ou “sujeira” ou “vagabundagem”.

Com tudo isso em mente e de certa forma apesar de tudo isso, eu quis testar o Estado brasileiro para ver se esses milhões tinham “carne”. Eu quis saber se esses números são reais ou ao menos se faz sentido e como pode fazer sentido ter gerado uma ascensão de classe social de 60 milhões de pessoas, em menos de dez anos. E isso sem um Plano Marshall, e sem um New Deal, e com uma política monetária determinada pela finança globalizada, engessada pela trindade do superávit primário, do câmbio flutuante e controle inflacionário via taxação de juros.

Um carrinho de supermercado era a sua casa – Mas essa decisão foi movida por um encontro, mais do que por informação. Eu quis testar o Estado brasileiro depois de ter conhecido o Seu Valdir e a sua filhote, a cadela Princesa, caminhando nas ruas do Bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Ele, empurrando um carrinho de supermercado que era a sua casa, cheio de coisas, bolsas, cobertores, tudo muito organizado, sob a triunfante Princesa, sentada sobre o carrinho. Pensei que não podia ser pelas razões que imaginava, então perguntei-lhe por que ela estava sobre o carrinho, ao que ele me respondeu, confirmando a hipótese mais estapafúrdia que eu imaginara: “é que ela não tomou todas as vacinas, ainda, e a doutora disse que não era para pôr os pés na rua”. (Uma veterinária, Marília Jaconi, cuidou da Princesa gratuitamente, em solidariedade).

Começamos a conversar e eu perguntei se ele tinha o Bolsa Família. Não tinha. Perguntei se tinha documentos; tinha todos, aliás, além dos documentos, retirou do seu lar móvel uma pasta com uma inacreditável quantidade de exames, laudos, prescrições médicas e medicamentos (ordenados por cor, já que é analfabeto). “As radiografia e aqueles outros, né, de imagem, ficam lá no posto, lá, no meu arquivo”.

O Seu Valdir cuidava da Princesa (que salvou de um espancamento por um drogadito) e cuidava de si mesmo, inclusive tomando antidepressivos, “daquele comprimido branco (prozac), que a doutora, lá do Posto Santa Marta, me deu, pra meus problemas de depressão”. Também não se droga, não bebe. “O que mais o senhor tem?” “Ah”, disse, “tive um joelho esmagado na construção civil, né, quando trabalhava de assistente de pedreiro, também tenho uns problemas de coluna” e seguiu falando. Tinha carteira de isenção de passagem de ônibus, estadual e municipal, como deficiente físico.

Buscando as políticas em carne e osso - Depois de dois encontros e muitas perguntas respondidas, tomei a decisão de buscar a carne ou alguma carne do número de 60 milhões de brasileiros. Fazer esse cara acessar ao menos o Bolsa Família ou quem sabe o BPC, pensei, tinha de ser possível e relativamente fácil. Estávamos em maio de 2011 e hoje, passados mais de 8 meses, digo sem pestanejar que foi fácil, rápido e uma experiência surpreendente.

No dia 13 de maio de 2011, fui com o Seu Valdir à Fundação de Assistência Social – FASC, de Porto Alegre. Tinha na mente a informação de que o programa Bolsa Família havia se ampliado para abranger a população em situação de rua, desde 2010. Tinha também a informação de que o Seu Valdir preenchia requisitos para receber o BPC (embora julgasse esse um desejo irrealizável, um benefício no valor de um salário mínimo, para um cara que tá na rua e caminha?). No dia 23 de maio entramos juntos pela primeira vez no Prédio da Previdência Social, quando se abriu o processo de requerimento do BPC.

Depois de aberto o processo na Previdência, fui impedida de acompanhar o Seu Valdir. Dali em diante eu poderia ter me despedido dele, e esperaria pelas respostas que o Estado iria ou não dar, a contento. Se o Estado denegar, vou à Defensoria Pública Federal, pensei, entro com um mandado de segurança. Em um ano, no máximo, a vida desse cara vai mudar. Porque se não mudar, então esses números todos, todos esses milhões, isso tudo é mentira. Se é verdade que o Seu Valdir foi resgatado, em termos de saúde e alguma qualidade de vida, de integridade física e psíquica, pelo SUS, na pessoa da médica comunitária Isabel Munaretti, também é verdade que não cabe ao SUS tirar ninguém da rua.

Porque existe o SUS e ele funciona – O sujeito pode viver na rua, não ter onde dormir, nem como cozinhar, e ter assistência médica, acesso a medicamentos e exames. Porque existe o SUS e ele funciona. “Quando o senhor vai no Posto Santa Marta (ele tinha uma carteirinha de consulta em mãos), onde deixa o seu carrinho, com a Princesa?”. Respondeu-me que deixava na portaria, porque o vigilante gostava muito de brincar com ela e cuidava do carrinho dele. Na volta dessa consulta, que já estava marcada antes mesmo de nos encontrarmos, ele tocou o interfone de meu apartamento. Queria me mostrar o laudo que a doutora escreveu, recomendando a concessão do benefício. Um laudo escrito com clareza, cheio de detalhes.

Era inacreditável. Cada etapa da história parecia desmontar parte de um certo universo de crenças de classe média que eu cultivava, talvez nem sequer lendo as magazines de fofocas (que não leio nem nunca li), mas simplesmente com aquela percepção meio consolidada, embora pouco vivida, de que o estado não funciona, de que os médicos do SUS não querem saber dos pacientes, de que os funcionários públicos são inoperantes, toda essa tralha simbólica que tornou intuitiva a crença nas decisões, expectativas e apostas unicamente privadas e particulares. Tão extraordinário como cuidar da saúde de sua cadela foi saber que aquele homem, que estava na rua há mais de dez anos, tinha mais exames e diagnósticos e assistência médica do que eu, usuária de plano de saúde.

O acesso ao poder público, por meio da inscrição nos programas sociais não apenas requer um certo tempo, como pode ser insuficiente para a garantia da dignidade. Dizer que o Estado funciona não é dizer, pelo menos não ainda, que no Brasil a miséria deixou de ser uma chaga e a desigualdade, um tumor maligno. Além disso, estamos em Porto Alegre, o estado mais meridional do país, onde o frio é hostil e às vezes mortal, para quem está vulnerável. O inverno se aproximava e o Seu Valdir iria enfrentá-lo, uma vez mais, na rua. Não iria para um abrigo, nem mesmo nos piores dias, dessa vez porque não abandonaria a sua Princesa, ao relento. (O capítulo do descaso do poder público com os animais de estimação dos moradores de rua ainda será escrito com as denúncias cabíveis. A única exceção de que tenho notícia se deu na gestão de Marta Suplicy, na prefeitura de São Paulo, quando abrigos para moradores de rua contemplavam canis).

Uma amiga teve a ideia, diante de minha angústia frente ao frio que se aproximava, de alugarmos uma casa para ele e a cadelinha passarem pelo inverno. Com uns trezentos reais por mês isso seria possível. Mas e a comida, e os cuidados veterinários, e a luz? Estava fora de cogitação.
Sozinha, não poderia arcar com isso, ainda mais correndo o risco de os benefícios não saírem. O que estava fazendo, adotando um sem teto? Mas o objetivo não era testar o Estado, além de ajudar esse homem a acessar os seus direitos? Irrefletidamente, a pergunta que fazia era: daqui para a frente eu não tenho mais nada a ver com isso, por que me envolver? Ele só não seria invisível porque, a título do teste em curso, eu aguardava as respostas do estado brasileiro. Até lá, a sua estada na rua não era problema meu.

Generosidade, amizade e solidariedade - A segunda parte desta história é feita da generosidade, da amizade e da solidariedade, como valores cultivados. A sua relação com o governo é inexistente. Testar o Estado teve um efeito rebote: e se as minhas crenças na delegação republicana das tarefas próprias do estado democrático de direito estivessem, eventualmente, a serviço da manutenção de preconceitos e de um universo de crenças mesquinhas de classe média, que mira a pobreza com uma tonalidade de indecência intolerável?

Escrevi um e-mail, contando essa história toda, para 30 pessoas, alguns mais, outros menos, amigos. Pedi ajuda para tirar o Seu Valdir da rua. Disse que ele tinha 53 anos, que era analfabeto, que tecnicamente não tinha como conseguir trabalho, dadas as suas (não) qualificações. E que a marquise onde se abrigava iria levar muita água, nos meses que se aproximavam. Seria um inverno chuvoso, além de frio. Contei que tinha encontrado uma casa, na região metropolitana. A duas quadras da casa da amiga, havia uma casa com pátio para alugar. Pelo menos até que a concessão dos benefícios ocorresse (pensava que esperaríamos 10, 12 meses, sem falar nas eventuais ações judiciais que teríamos de ajuizar), ele teria um teto, se cada um desse uma pequena quantia, seria possível. 20 pessoas responderam, topando a empreitada. Eu alugaria no meu nome, dois seriam fiadores. Cada um daria entre 20 e 50 reais por mês. “Se eu soubesse que com 50 pilas por mês tiraria um cara da rua, já estaria fazendo isso há muito tempo”, disse uma das amigas. Dentre os 20 amigos e parceiros na empreitada, há jornalistas, professores universitários, estudantes, advogados e servidores públicos.

Nem todos podiam contribuir com dinheiro, ou queriam fazê-lo. Mas todos, sem exceção, tinham em casa provas de uma certa abundância de consumo que tem acometido a classe média brasileira, para além dos 60 milhões: um colchão de casal novo, uma cama de casal, botijão de gás, um fogão, banco, mesa, cadeiras, sofá, guarda-roupa, máquina de lavar roupa, talheres, panelas, copos, lençóis, toalhas, roupa, muita roupa. Tudo sobressalente. Em dois meses, o Seu Valdir tinha tudo isso e ainda uma televisão de 20 polegadas, colorida, com antena, para ver o jogo do Internacional. Compramos um balcão de pia em aço inox e uma geladeira (o sogro de nossa amiga resolveu trocar de geladeira, para abrigar as cervejas geladas num novo modelo, e vendeu uma geladeira seminova, por 240 reais).

“Isso deve ser o paraíso, né?” – Uma casa metade de madeira, metade de alvenaria, com dois quartos, um pátio na frente e um atrás, uma sala. Ele e a Princesa lá, sob a marquise, estavam, prontos, aguardando a minha chegada, numa Kombi, para leva-los. Nervoso, em silêncio, o Seu Valdir olhava para mim como se perguntando se era verdade. Ele queria sair da rua, tinha dito isso, enfático. No dia 11 de junho, numa noite fria do inverno que ainda nem tinha chegado oficialmente, Seu Valdir e sua Princesa dormiram sob um teto. A luz só foi ligada 4 dias depois. Mas naquela noite, com as mãos trêmulas, ele se despediu de nós com a chave da casa nas mãos. Duas horas depois telefonou, para dizer que “isso deve ser o paraíso, né?”. Deve ser.

Em julho ele começou a plantar. Fez uma pequena lavoura, com tomates, alfaces, beterrabas (que chama de batata roxa, talvez porque seja guarani), espinafre, pimentão, temperos, abóboras. Pegou mais três cães, enxovalhados por donos cruéis ou simplesmente abandonados na rua. E os amigos começaram a se beneficiar da colheita desses vegetais feios, miúdos e deliciosos, sem nada de agrotóxico. Montamos um blog, ainda incipiente, para contar a história toda. Queríamos dizer às pessoas que é possível tirar um cidadão ou cidadã da rua, que há dinheiro e política em curso, no país, que é verdade e nós estávamos experimentando o quanto esse fato pode ser transformador na vida de uma pessoa.

Demos entrevistas a estudantes de jornalismo. Rejeitamos aparecer em televisões, invariavelmente dispostas a contar uma história bonita de voluntariado. A mais recente das tentativas veio com o estranho convite, feito pessoalmente a mim, a fim de que eu contasse sobre “a minha luta” para tirar um morador da rua. Todos os convites foram
recusados. Não houve luta, nem voluntariado. Há um Estado e um governo que existem, nós testamos e testemunhamos isso. E há amizade e gente para quem a erradicação da miséria também implica mais felicidade e dignidade, inclusive frente a si mesmo, para além das mesquinharias de classe média.

No dia 13 de setembro o Seu Valdir tocou o interfone. Estava trêmulo e com os olhos mareados. Tinha três folhas de papel em mãos: uma com um comprovante de saque, no valor de 1291 reais, e uma carta, da Previdência Social, com um texto que começava assim: “Em atenção ao seu pedido…informamos que foi reconhecido o direito ao Benefício de Prestação Continuada etc….”. Nos abraçamos e tudo o mais que se diga sobre a alegria daquele momento é incapaz de descrevê-lo. Os 1291 reais eram retroativos ao dia 23 de maio, quando se abriu o processo de pedido do benefício.

Hoje, cada um dos amigos que participaram da ação entre amigos colabora oficialmente com 20 reais por mês. Oficialmente, porque a imensa maioria deles se recusou a parar de contribuir ou a diminuir a contribuição. Por decisão de todos, seguimos pagando o aluguel e a luz (valor total chega a trezentos e poucos reais), em troca dos produtos da lavoura orgânica. O Seu Valdir se matriculou e depois abandonou o EJA. Teve ataques de angústia e me telefonou muitas vezes, ansioso, receando que o benefício não saísse. Quando o benefício saiu, comprou uma máquina fotográfica digital, um pequeno cortador de canteiros, para aparar sua grama, um aparelho de som para ouvir música gauchesca e estendeu o braço para a mãe, uma descendente de guarani, também analfabeta.

No momento, ele faz uma dentadura, com o superávit que as contribuições do grupo de amigos geraram. Uma veterinária amiga atende aos animais adotados por ele, inclusive a sua Princesa, a preço de custo. A outra cadela por ele adotada se chama Isabel, “como aquela princesa, né?”. E agora ele ficou sabendo que tem um programa chamado “Minha Casa, Minha Vida”. Eu o informei que as casas são muito pequenas, sem pátio, com quase nenhuma área verde. Ele respondeu: então eu vou ter de construir um lugar, comprar uma pré-moldada, né? Pode ser. Agora, pode ser.

Nenhum de nós precisou fazer isso, ninguém foi forçado e menos ainda foi requerida uma luta ou um grande esforço. A cada colheita, em cada conquista dele, a satisfação e a alegria de quem participa dessa ação entre amigos só se consolida. Há muitos capítulos nesta história e muitos são de angústia e medo. E há também um aspecto que habita um universo simbólico e afetivo de antes das palavras, que também comporta o afeto dele e nosso com os animais domésticos, então não dá para descrever, à altura, o que significa poder dizer que tiramos um cara da rua, que tem carne nos números do governo e, mais ainda, que somos parte dessa carne. Eu decidi testar o Estado e suas políticas e recebi, como resposta, na vida nossa e do Seu Valdir, que o Brasil Sem Miséria é uma realidade e, portanto, que um Brasil sem miséria é possível. Acionado em um desafio para dar vida nova a um morador de rua, o Estado brasileiro respondeu com políticas de carne e osso.

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Filed in: Moacyr Pinto, Política e Sociedade

5 Responses to "Debate sobre Valores Culturais e Mentalidades"

  1. beth disse:

    Resposta a Moacyr

    Moacyr, acredito também que o Pinheirinho despertou, além de muita análise e debate, um desejo latente de transformação em seus mais variados aspectos.
    Já afirmei, de forma tenaz, que não sou mais a mesma pessoa, depois do Pinheirinho. E acredito que as pessoas da cidade já não são as mesmas, o país não será o mesmo. Esse é o lado positivo da sucessão de acontecimentos no Pinheirinho.
    E isso é fundamental para mudar conceitos retrógados, sem deixar de lados os valores fundamentais.
    Quanto à juventude, defendo, que mesmo criados num mundo tão complexo, nem todos são consumistas; O “virtualismo” faz parte da realidade das novas gerações, por sinal, muito positivo, já que a WEB interliga, estão todos conectados com o mundo. Maior prova disso é a própria situação do Pinheirinho que não teve nenhuma imprensa oficial no momento da reintegração, a não ser aquela, que sabemos estar em tudo, mas foi colocado para o mundo, via twiter e facebook, por todos os que estavam lá, naquele momento. Tudo tão rápido, que as mentes retrógradas não alcançam a dimensão do que isso representa: O Pinheirinho alcançou o mundo no momento da sua reintegração e algumas horas depois, muitos saíram para as ruas fazendo protestos e manifestações por todos os cantos do Brasil e algumas partes do mundo. Só este exemplo do virtualismo, prova que os jovens e internautas, não estão centrados no individualismo, e sim, num ideal de juntar-se como nunca, em prol da humanidade. É claro, que tudo tem a sua exceção, via de regra.
    Na verdade, esses, não estão alheios ao debate político, mas buscam um novo modelo de pensar e agir no mundo. Estamos meio que perdidos nesse turbilhão de acontecimentos e precisamos achar uma “solução”. Hoje, mundo real e virtual trabalham, em busca de novas soluções, essas que se apresentam nos últimos séculos, deu provas suficientes, que não funcionam. São muito lentas, para um mundo, onde as coisas estão acontecendo rápidas demais.
    Nem mesmo os políticos retrógados que governam essa cidade sem alma, pensaram ou previram que o caso Pinheirinho cairia na REDE e no mundo com tanta rapidez. E sabe por que? Subestimaram o poder da WEB. Eles sim, estão alienados e continuam corruptos, longe dos seus verdadeiros papéis como governantes. Esse modelo está ultrapassado, não interessa se direita ou esquerda. O modelo da sugação, da vampiragem, da corrupção, de levar vantagens e trapacear o tempo todo, precisa cair. De uma forma ou de outra, o velho pensamento precisa cair, para dar passagem ao novo. É preciso Morrer, para Nascer, uma antiga premissa, de várias culturas.
    Quanto o caso do Brasil sem miséria, emocionante a generosidade de algumas pessoas esclarecidas, que ainda prezam o ser humano, animais e plantas. Os seres vivos nos redimem!
    Sobre a questão da comprovação de que é possível buscar ajuda do governo, mostra que realmente, o Brasil mudou depois do Lula e agora com a Dilma. Prova disso é a economia desse país que está deslanchando, mostrando competência e um bom trabalho realizado. E mais que competência, humanidade. Governos como os do Lula e Dilma, são mais humanos e simpáticos a causa da miséria no País, o que não podemos dizer desse pessoal do PSDB que odeiam os pobres e querem eliminá-los de qualquer forma, da sociedade.
    Realmente, essa questão do SUS é verdadeira. Nunca tive um convênio, porque acredito que o SUS (tirando a demora por uma série de coisas, sabemos disso), é de um primor, que poucas pessoas conhecem. Minha mãe fez uma ponte de safena no Pio XII aqui em SJC com a melhor equipe de cardiologistas e tudo pelo SUS. A recuperação dela, naquele hospital, foi exemplar, com todos os profissionais adequados a isso, enfermeiros, fisioterapeutas, etc, o que não ocorreu com pacientes, ao lado dela no quarto, que eram dos melhores convênios. Sei que hoje, pessoas esclarecidas sabem como correr atrás de ajuda ou benefícios, mas a maioria da população, que necessita, não sabe fazer isso ou mesmo desconhecem, acostumados e conformados com as injustiças, por isso a importância da generosidade de outros para esclarecer e colaborar. Afinal somos todos um no meio dessa história. Estamos no mesmo barco: Vamos ajudar os seres vivos!
    Abraços!
    Elizabeth

  2. JOKA disse:

    Acredito que podemos construir outra sociedade, pois esta em que estamos inseridos esta caindo de podre. E vejo depois de muito tempo a juventude voltando as ruas.
    Tudo pode ser construído. Afinal pensamos e tentamos agir o tempo todo dado aos nossos limites sociais e até intelectuais.
    Gosto do pensar em grupo. Cada vez mais assim trabalho. Rendimindo-me de velhos erros do passado , pois só erra quem tenta fazer. Sei de nossos esforços enquanto ativista. Sei o quanto é importante um SUS. E sabemos o quanto esta cidade clama por mudanças. E mudar é ir além de partidos na velha política viciada. Sempre estive ligado a partidos de esquerda como PT e PV. E sempre vi o vicio do poder. Quando falo do cooperativismo fico sozinho. Uma velha idéia como houve Colônia Cecília. Os anarquistas e anárquicos sempre existiram ando a ler de ENGELS A ORIGEM DA FAMILIA, DA PROPRIEDADE PRIVADA E DO ESTADO. E quero mergulhar na leitura de O CAPITAL acredito que teoria pode-se somar a prática.
    Tento acompanhar as brigas cibernéticas na sociedade e o que elas implicam em nossas vidas. Estejamos sempre atentos para não nos tornarmos massa de manobra e no caso Pinheirinho vejo isto acontecendo e percebo o real sentido da palavra.
    A cidade precisa de quarenta mil moradias. E cabe a nós cobrarmos de nossos governantes seja o município o estado e a união.
    Sei que a dicotomia e o discurso ideológico sobre o que é direita e esquerda. Mas no fundo a sociedade é dividida entre oposição e situação. E São José cidade que habitamos precisa de mudanças e estarei de corpo e alma nas eleições. Mas não devemos nos esquecer de tentar atitudes e ações práticas como foram tomadas no texto acima.
    Liberdade antes tarde do que nunca mais de fato o que é liberdade?

  3. paulov disse:

    Moacir, Joka e Beth e tantos que entrarem no cordão.
    O problema é que amamos muito, amamos demais, coisas que vem de fora, feitas para os olhos, audiovisuais, apenas voltadas aos sentidos… Sensoriais.
    Digo isto porque sou amante da poesia e quero estar amante da poesia.
    A humanidade nunca deu muito exemplo de humanismo. As pessoas torcem pra que o mais forte vença. Na época de Roma antiga, pelo que lembro, no Coliseu, a torcida era a favor do assassino. Quem torcia pelas vítimas? Queriam sangue. Quem tem razão é quem ganha a guerra. Louvamos os vitoriosos, normalmente, porque não conhecemos os métodos das vitórias e a maioria de nós justifica quem vence.
    No caso do Pinheirinho, pelo pouco que pude acompanhar, a grande diferença é que os vencedores não tiveram tempo de cacarejar a vitória com a versão conveniente pra eles porque as imagens das batalhas já estavam nas ruas; nas telinhas do mundo. Os indiferentes tiveram de tomar partido, porque o “sangue” escorreu nas suas telas. E as imagens ainda continuam falando por milhares de palavras.
    Pergunto: vocês acreditam em tudo que vêem? Já se perguntaram se viram tudo, o quadro todo? Pois é… boa parte do que aconteceu poderia não ter acontecido se algumas medidas tivessem sido tomadas.
    Quais as vítimas da situação? São os moradores daqueles lares que foram violados; nós que já percebemos que a qualquer momento poderemos ser vítimas das mesmas violências se o interesse econômico por suas vistas sobre nós; a Justiça, posto aquela ser posse velha e não contestada em tempo hábil pelo maior interessado, o proprietário da área.
    Foi uma tragédia anunciada? Quem mais que nós sabíamos que o bicho iria pegar? Muita gente? Pouca? Eu e algumas pessoas sabíamos que sim, aconteceria, era inevitável.
    Será por que se iniciam as guerras? Algum interesse declarado, mas que muita vez não é o interesse real.
    Qual o motivo de se por 1800 soldados armados – ou foram mais? – para dar uma solução onde a razão de juízo não pode tocar? Como explicar a decisão judicial que à moda de sanfona deu “solução” a questão?
    Será que este ponto final será seguido por outros pontos? Interrogo. Exclamo!
    Eu me lembro de uma juventude que hoje está bem madura, porém que na sua época tinha coragem de dar cara a tapa e muitos deram a própria vida na demonstração de o quanto. Este parágrafo não é para assustar os mais tímidos, ao contrário.
    O problema é que amamos demais outras coisas que não são bem aquilo que deveríamos amar. Distraímo-nos demais, não aceitamos que temos de ser adultos. Vemos novelas demais. Jogamos muita paciência frente ao nosso monitor. Não temos muito tempo para ver o mundo pegando fogo em volta de nós. Estamos envoltos demais em tantos nós.
    Muita gente procura a política como solução ou resposta. Hoje é moda em alguns círculos se usar da política partidária apenas para autopromoção – ou sempre foi assim?. Quando nos aproximamos das classes políticas vemos quanto estamos longe da política que interessa. Passamos a amar mais a política cidadã, aquela do exemplo dado na “Carta Maior”; o cutucão da provocação. Aí quando esse amor unido à maturidade, o desengajamento de bandeiras e coisas do gênero, encontra terreno para se desenvolver… Que lindo!
    Os conceitos de esquerda só existem porque existem conceitos de direita e versa-vice (pelo contrário). Os conceitos são como fatos novelescos, distrações à realidade, a política como existe no mundo que conheço é mais ou menos: o que fica com quem ou o que ganho com isso. É certo? Não. É errado? É. Porém há quem diga que não existe certo e errado… é mais um em cima do muro.
    O ENTREMENTES, escrevo com carinho este nome, é uma “revista eletrônica” feita pra quem pensa e gostaria de pensar melhor.
    Cheguei pensar há dias atrás de postar um convite a todos os colunistas para que fizéssemos um auto-desafio (claro, os que quiserem fazê-lo) e escrevêssemos sem paixão algumas poucas linhas (de dez a quinze) sobre o fato e sobre o sentimento do fato (repito: sem paixão, de mansinho). Sei que há muita gente que apóia o que aconteceu e fala isso. Então, se há de por aqui, escreva também, vamos todos respeitar e aprender com isso.

    Eu pergunto: há quantos terrenos invadidos no Município de São José dos Campos? Eu conheço um no Uirá; lá tem umas 150 famílias; temo que as autoridades municipais também estendam as suas caridosas mãos àqueles que vivem por lá os acariciando como se acostumaram fazer. Pergunto ficaremos na torcida? Temos o que fazer? O quê? Não só por estes, mas por mais quantos?

    Enquanto isso, em “Salazen Grum”, onde se prega que “é muito melhor ser temido que ser amado”, só se ouve: “cortem-lhe a cabeça”. Porém, de qual cabeça lembramos?
    Entretanto… Quem às vezes é pequeno demais ou grande demais? Quem sabe a hora de crescer? Se agigantar? As urnas urgem. São José dos Campos é “a Cidade das Maravilhas” ou Oz?

  4. moacyr pinto disse:

    Beth e Joca,

    Leiam a matéria abaixo, da mesma Carta maior, que me forneceu material para a “provocação”; a matéria chega a ironizar, chamar até de poética, a visão daqueles que querem “fazer omelete sem quebrar os ovos”, se referindo aos “indignados” espanhóis, que estão criando um jornal, “apolítico”!

    Um abraço e boa leitura!

    moacyr pinto
    O JORNAL DOS INDIGNADOS E O AJUSTE GLOBAL

    A notícia de lançamento do jornal impresso dos indignados espanhóis é o principal sinal de vida do movimento desde a vitória da direita nas eleições de novembro, quando Mariano Rajoy, do PP, obteve 186 cadeiras, de 336, e mais de 44,5% dos votos,contra 28,7% do PSOE. A iniciativa coincide com manifestações de alívio na mídia conservadora diante do que se alardeia como ‘sinais’ de êxito da estratégia ortodoxa de purgar a crise sem alterar as estruturas que lhe deram origem. Indicadores de emprego nos EUA (criação de 234 mil vagas em janeiro) sugerem que o pior ficou para trás na maior economia do planeta.Embora o estoque de 12,7 milhões de desempregados norte-americanos possa ter opinião diversa, a ‘dinâmica’ sancionaria o modelo, diz a narrativa mercadista. A queda dos juros para rolar dívidas públicas encalacradas na zona do euro é outra injeção de oxigênio nessa tese, que abstrai o chão movediço no qual se debatem mais de 16 milhões de desempregados na UE, ademais de famílias falidas e do gargalo do crédito — ‘por falta de tomadores solventes’, justificou recentemente o presidente do Santander, Emilio Botín. A coroar esse movimento, da Alemanha chegam notícias de que a popularidade de Angela Merkel , a generala do neoliberalismo de guerra que agora exIge um corte adicional de 25% no salário mínimo grego, está em alta. O que essas coisas tem a ver com o jornal dos indignados? Mais do que a leitura seca dos fatos sugere. A dita ‘recuperação’ decorre menos das virtudes intrínsecas da receita ortodoxa do que de uma acomodação sistêmica, propiciada sobretudo por um fator: a ausência de programa alternativo à esquerda, capaz de unificar e mobilizar forças sociais na sua implementação (um fiapo de luz brilha na candidatura do socialista François Hollande, na França, a conferir– leia nesta pág). O fato é que enquanto os executivos do capital não hesitam em cobrar sacrifícios impensáveis em tempos de paz democrática, o que se assiste no campo progressista é um misto de dissipação e recuos. O projeto do jornal impresso dos indignados condensa um pouco das duas coisas. Até onde se sabe, o veículo não terá redação fixa. Grupos rotativos vão se alternar na edição. Militantes de partidos políticos não terão acesso a cargos diretivos. O conjunto sugere uma rejeição atávica ao poder e aos instrumentos de coordenação indispensáveis a sua conquista. A contradição não é nova; suas consequências são sabidas. Mudar o mundo sem tomar o poder soa lírico. Mas os efeitos da esmagadora receita de ajuste em marcha sugere que a direita não está disposta a patrocinar essa licença poética.

    (Carta Maior; 2ª feira; 06/02/ 2012)

  5. PauloPinheiro disse:

    Moacir e Beth e tantos que entrarem no cordão.
    O problema é que amamos muito, amamos demais, coisas que vem de fora, feitas para os olhos, audiovisuais, apenas voltadas aos sentidos… Sensoriais.
    Digo isto porque sou amante da poesia e quero me manter amante da poesia.
    A humanidade nunca deu muito exemplo de humanismo. As pessoas torcem pra que o mais forte vença. Na época da Roma antiga, pelo que lembro, no Coliseu, a torcida era a favor do assassino. Quem torcia pelas vítimas? Queriam sangue. Quem tem razão é quem ganha a guerra. Louvamos os vitoriosos, normalmente, porque não conhecemos os métodos das vitórias e a maioria de nós justifica quem vence.
    No caso do Pinheirinho, pelo pouco que pude acompanhar, a grande diferença é que os vencedores não tiveram tempo de cacarejar a vitória com a versão conveniente porque as imagens das batalhas já estavam nas ruas; nas telinhas do mundo. Os indiferentes tiveram de tomar partido, porque o “sangue” escorreu nas suas telas. E as imagens ainda continuam falando por milhares de palavras.
    Pergunto: vocês acreditam em tudo que vêem? Já se perguntaram se viram tudo, o quadro todo? Pois é… boa parte do que aconteceu poderia não ter acontecido se algumas medidas tivessem sido tomadas.
    Quais as vítimas da situação? São os moradores daqueles lares que foram violados; nós que já percebemos que a qualquer momento poderemos ser vítimas das mesmas violências se o interesse econômico por suas vistas sobre nós; a Justiça, posto aquela ser posse velha e não contestada em tempo hábil pelo maior interessado, o proprietário da área.
    Foi uma tragédia anunciada? Quem mais que nós sabíamos que o bicho iria pegar? Muita gente? Pouca? Eu e algumas pessoas sabíamos que sim, aconteceria, era inevitável.
    Será por que se iniciam as guerras? Algum interesse declarado, mas que muita vez não é o interesse real.
    Qual o motivo de se por 1800 soldados armados – ou foram mais – para dar uma solução onde a razão de juízo não pode tocar? Como explicar a decisão judicial que à moda de sanfona deu “solução” a questão?
    Será que este ponto final será seguido por outros pontos? Interrogo. Exclamo!
    Eu me lembro de uma juventude que hoje está bem madura, porém que na sua época tinha coragem de dar cara a tapa e muitos deram a própria vida na demonstração de o quanto. Este parágrafo não é para assustar os mais tímidos, ao contrário.
    O problema é que amamos demais outras coisas que não é bem aquilo que deveríamos amar. Distraímo-nos demais, não aceitamos que temos de ser adultos. Vemos novelas demais. Jogamos muita paciência frente ao nosso monitor. Não temos muito tempo para ver o mundo pegando fogo em volta de nós. Estamos envoltos demais em tantos nós.
    Muita gente procura a política como solução ou resposta. Hoje é moda em alguns círculos se usar da política partidária apenas para autopromoção. Quando nos aproximamos das classes políticas vemos quanto estamos longe da política que interessa. Passamos a amar mais a política cidadã, aquela do exemplo dado na “Carta Maior”; o cutucão da provocação. Aí quando esse amor unido à maturidade, o desengajamento de bandeiras e coisas do gênero, encontra terreno para se desenvolver… Que lindo!
    Os conceitos de esquerda só existem porque existem conceitos de direita e versa-vice (pelo contrário). Os conceitos são como fatos novelescos, distrações à realidade, a política como existe no mundo que conheço é mais ou menos o que fica com quem ou o que ganho com isso. É certo? Não. É errado? É. Porém há quem diga que não existe certo e errado… é mais um em cima do muro.
    O ENTREMENTES, escrevo com carinho este nome, é uma “revista eletrônica” feita pra quem pensa e gostaria de pensar melhor.
    Cheguei pensar há dias atrás de postar um convite a todos os colunistas para que fizéssemos um auto-desafio (claro, os que quiserem fazê-lo) e escrevêssemos sem paixão algumas poucas linhas (de dez a quinze) sobre o fato e sobre o sentimento do fato (repito: sem paixão, de mansinho). Sei que há muita gente que apóia o que aconteceu e fala isso. Então, se há alguém por aqui que póie a invasão escreva também, vamos todos respeitar e aprender com isso.

    Eu pergunto: há quantos terrenos invadidos no Município de São José dos Campos? Eu conheço um no Uirá; lá tem umas 150 famílias; temo que as autoridades municipais também estendam as suas caridosas mãos àqueles que vivem por lá os acariciando como se acostumaram fazer. Pergunto ficaremos na torcida? Temos o que fazer? O quê? Não só por estes, mas por mais quantos?

    Enquanto isso, em “Salazen Grum”, onde se prega que “é muito melhor ser temido que ser amado”, só se ouve: “cortem-lhe a cabeça”. Porém, de qual cabeça lembramos.
    Entretanto… Quem às vezes é pequeno demais ou grande demais? Quem sabe a hora de crescer? Se agigantar? As urnas urgem e alguém deu um tiro no pé.

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