Digno de Joseph Goebbels, o 22 de janeiro de 2012 ficará marcado como o domingo mais negro da História de São José dos Campos. Quem esteve no Pinheirinho como eu, o Deputado Protógenes Queiroz, o Deputado Carlos Giannazi, o Vereador Tonhão Dutra, a Professora Elizabeth de Souza, do site entrementes.com.br, o advogado Acassio Costa, o Toninho Ferreira, o Mancha e tantos outros, presenciou uma premeditada operação de guerra do tipo nazi-fascista autorizada pela Justiça joseense, patrocinada pelo Governador Geraldo Alckmim e pelo Prefeito Eduardo Cury. O pavor e os gritos de dor dos inocentes se misturavam aos sons dos cavalos, dos cães, dos tiros, das bombas em meio à pancadaria que não poupou velhos e crianças. Arrancados de suas casas como os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, os moradores do Pinheirinho, que não tinham para onde ir, foram atirados nos abrigos improvisados pela prefeitura, bem piores que os campos de concentração onde, pelo menos, haviam
camas. Naquele domingo macabro somente faltou a suástica nazista nos uniformes militares e da Guarda Civil Municipal que, logo em seguida ao massacre, acobertaram a imediata demolição das casas com tudo que houvesse dentro, inclusive animais, pelos homens e máquinas da Urbanizadora Municipal – URBAM.
Para os que não sabem, aqui estão alguns dados do levantamento sócio-econômico dos moradores da ocupação denominada “Pinheirinho”, em São José dos Campos: 1.658 casas visitadas – 1.577 famílias cadastradas – 5.488 pessoas, sendo 2.615 de 0 a 18 anos – 82 famílias não atenderam o cadastramento – 88 moradias em construção – 81 pontos comerciais – 06 templos religiosos e 01 galpão comunitário – 73,7 por cento das pessoas residem no Pinheirinho de 2 a 6 anos. Renda familiar: 11,6% possuem renda de 0 a R$ 255,00 – 16,2% renda de R$ 255,01 a R$ 510,00 – 42,2% renda de R$ 510,01 a R$ 1.020,00 – 25,8% renda de R$ 1020,01 a R$ 2.040,00 e 2,2% com renda aima de R$ 2.040,00 – No quesito escolaridade: 1.490 crianças e adolescentes na escola e apenas 46 crianças de até 14 anos fora da escola. O documento, de 16 de dezembro de 2010, assinado por Claude Mary Moura, secretária de governo, comprova a integridade dos moradores do Pinheirinho. De pouco adianta, agora, responsabilizar alguém pelos danos materiais dos moradores. E dano moral? Que valor se estipulará à humilhação, ao esbofeteamento dos direitos humanos divulgados pela mídia nacional e internacional? Quanto vale a mancha na imagem da Polícia Militar do Estado de São Paulo e da cidade de São José dos Campos tida como o maior polo tecnológico da América Latina? O preço está sendo calculado e, com certeza, será cobrado dos responsáveis cujo cheiro fétido ficará impregnado nas substâncias químicas envolvidas na transmissão de seus caracteres hereditários. O código genético de seus descendentes trará um alerta permanente, o número 666, a marca da besta, num alerta constante. Que cidade!







Quando fui pra sampa no domingo seguinte, vários paulistanos me falaram de sua indignação pelo que aconteceu. E eu só pude mesmo é sentir vergonha por este sentimento não estar sendo unânime na minha própria cidade!!! Foi o dia em que São José, infelizmente, mostrou a sua “cara”. Passou a ser Campos _ “de concentração”.
Cibele Malu