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SHERLOCK HOLMES 2 – O JOGO DAS SOMBRAS (Sherlock Holmes – A Game of Shadows)

SHERLOCK HOLMES 2 – O JOGO DAS SOMBRAS (Sherlock Holmes – A Game of Shadows)
De Guy Ritchie, 129 min

Sherlock Holmes – A Game of Shadows
Ação / Aventura
Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Kieran Mulroney e Michele Mulroney
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Stephen Fry, Jared Harris, Rachel McAdams,
Kelly Reilly, Geraldine James, William Houston, Gabrielle Scharnitzky, Eddie Marsan, Thorston Manderlay

Em 2009, Guy Ritchie trouxe as aventuras do icônico detetive inglês para uma nova leitura, transformando o genial morador da Baker Street num herói de ação, que usa tão bem os punhos quanto o cérebro. Essa releitura moderna agradou a muitos mas também chocou os fãs mais tradicionalistas, acostumados aos livros de Sir Arthur Conan Doyle, que sempre focaram as tramas no suspense investigativo.. Bem, mas uma coisa não se pode negar, o resultado foi um filme divertido e interessante, um ótimo entretenimento, principalmente pelo incrível carisma de Downey Jr. que parece capaz de levar qualquer produção ao sucesso atualmente.

Com o sucesso comercial do original, era inevitável que uma nova franquia fosse criada, e cá estamos com a sequência “Sherlock Holmes 2 – O Jogo das Sombras” (e um terceiro filme já é certo).
O cineasta britânico manteve os principais nomes do elenco do primeiro filme, e além de Robert Downey Jr. vivendo Holmes, temos de volta Jude Law (que vive o fiel escudeiro de Holmes, o Dr. Watson), e Rachel McAdams (que vive Irene Adler), mas esta numa participação apenas efêmera. As novas aquisições para o elenco ficaram por conta de Noomi Rapace (que vive Simza), Stephen Fry (que interprata o peculiar irmão de Sherlock, Mycroft Holmes) e principalmente  Jared Harris, que dá vida ao vilão da história, o professor Moriarty.

A trama (o roteiro é da dupla Kieran Mulroney e Michele Mulroney) é baseada principalmente no livro “O Problema Final”, que Sir Arthur Conan Doyle escreveu em 1893, mas não se fixa apenas nele, trazendo também alguns elementos de várias outras aventuras de Holmes, como “A Segunda Mancha”,
“O Signo dos Quatro”, “O Vale do Medo” e “O Detetive Agonizante”, entre outros. Aliás, o fã dos tomos do detetive poderá se divertir, procurando reconhecer partes de outras histórias inseridas na trama do filme.
Nela, Sherlock Holmes finalmente encontrou um adversário à altura de sua inteligência, o misterioso professor Moriarty, que trama levar a Europa à uma guerra até então sem precedentes, com um elaborado, astucioso e maligno plano, mas sempre “jogando nas sombras”, sem ter ser nome ligado a nada errado…  o único que faz a ligação de tudo é Holmes, claro. Segue-se então uma batalha intelectual e também de atos entre eles, que ao mesmo tempo também guardam entre si um certo respeito e admiração mútua, como se fossem dois grandes mestres enxadristas.

Irene Adler participa apenas das primeiras cenas da trama, logo sendo posta de lado por Moriarty.
Já Watson se vê às voltas com seu iminente casamento com Mary Morstan (vivida por  Kelly Reilly), o que gera algumas das cenas mais divertidas do filme. O diálogo entre ele e Holmes no carro, com o bom doutor defendendo a instituição do casamento e Holmes destruindo os argumentos de Watson é digno das impagáveis discussões entre os doutores Wilson e House, na espetacular série médica que, como todos sabem, foi inspirada em Sherlock Holmes.
Com a ajuda da cigana Simza, eles partem para viagens por França, Alemanha e Suiça, sempre tentando impedir os planos de Moriarty, mas estando sempre um passo atrás do vilão.
Vale salientar que as investigações, diferentemente do que ocorre nos livros, são uma parte secundária na trama, dando espaço para boas risadas, muita ação e aventura, com algumas cenas sendo simplesmente impressionantes.
Claro que a maior de todas é a incrível cena em que os heróis são perseguidos numa floresta… uma das mais cools deste século, sem dúvida alguma! Só esta sequência visceral já vale o ingresso.
Deste “The Matrix” que o bullet-time não era usado de forma tão sublime. A cena foi realizada com uma câmera especial que grava mil quadros por segundo.

A “forma Guy Ritchie” de filmar se faz presente, com alguns diálogos nonsenses e com pitadas de humor ácido… está presente também a característica montagem linear fragmentada.
Robert Downey Jr. novamente rouba as cenas para si, com suas já costumeiras atuações cheias de carisma e bom-humor. Até seu sotaque britânico está melhor nesta sequência. A química entre ele e Law também está mais afiada, rendendo belos momentos.
Jude Law faz bem eu papel de escudeiro, numa atuação bastante correta.
Stephen Fry faz o excêntrico irmão de Holmes, se mostrando ainda mais insano que o membro mais famoso da família.
A sueca Noomi Rapace, infelizmente decepciona. Depois de sua atuação visceral como Lisbeth Salander, no original sueco de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” (não confundir com a versão ianque em cartaz nos cinemas, nesta, Lisbeth é interpretada por Rooney Mara), sua primeira incursão em Hollywood era aguardada com espectativa, mas ela entrega uma atuação absolutamente comum, e mesmo tendo bastante tempo em cena, sua personagem é insípida, não deixando marca alguma na lembrança dos cinéfilos. Deve-se salientar porém que boa parte da culpa é do roteiro e não da atriz.
Atuação de destaque tem mesmo é Jared Harris, como o vilão Moriarty. Ele entrega um antagonista à altura de Sherlock Holmes. Seu papel foi cogitado para ser vivido por Brad Pitty, Sean Penn e Daniel Day-Lewis, todos monstros em Hollywood, mas Harris mostrou ter sido uma bela escolha também. O derradeiro confronto entre eles, diante de um tabuleiro de xadrez, é genial. E ainda por cima dá um upgrade na já interessante capacidade de Holmes de antever mentalmente todos os passos de uma luta, apresentada ainda no primeiro filme.
A Trilha é de qualidade, tendo ficado a cargo de Hans Zimmer, e a Direção de arte é belíssima, reproduzindo de forma impecável a época em que se passa a trama. Esteticamente, o filme não mostra falhas.
Não estamos diante de nenhuma pérola da Sétima arte, mas Guy Ritchie entrega um filme superior ao primeiro, uma bela forma de entretenimento, sem dúvida.
Se eu recomendo? Elementar, meu caro fã de Cinema… é diversão garantida!

DALTO FIDENCIO
 nils satis nisi optimum

 http://twitter.com/DaltoFidencio

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