Editorial Educação Elizabeth de Souza

Começaram as aulas!!!

E hoje começaram as aulas para os nossos pequenos e acho que também para os nossos grandes…
Dei aula por muito tempo e tenho orgulho de ter trabalhado na Educação Infantil, onde praticava os ideais da formação e conhecimento, holisticamente preparando as crianças para a vida.
Já me aposentei e a maioria das minhas colegas estão aposentando. O que vejo agora são professores que estão iniciando sua carreira, substituindo essa leva que começou nos anos 80, 90. É preciso renovar, no sentido mais amplo dessa palavra.

Quero deixar registrado aqui algo que me entristece profundamente, a postura de alguns (não generalizo) desses novos professores que estão adentrando o caminho da educação. Uma parte que entrou para esse mundo pedagógico porque é uma faculdade, dita mais “fácil” de fazer, menos tempo, etc. Algumas donas de casa que já criaram seus filhos, tem a oportunidade de ter uma profissão, depois de exercer a sua maternidade. Essa experiência pode ser de grande valor, ou não, depende de cada indivíduo e sua filosofia de vida.

Alguns desempregados viram na pedagogia, uma forma de ter um estágio remunerado logo no primeiro ano. E isso num país  como o nosso, onde há dificuldades para exercer uma profissão é bem atrativo. E mesmo que alguém não tenha jeito para lidar com crianças e adolescente, se arrisca. Essa área ainda oferece emprego, tanto como estagiário, como professor contratado, eventual e efetivo caso venha a passar num concurso. E quando estiver dando aula, de professor pode ser um Orientador Pedagógico, Diretor de escola ou outra função dentro da área. Resumindo: Num país como o Brasil, com os empregos escasseando, o professor tem o seu emprego, ainda que em péssimas condições, como por exemplo, a quantidade de alunos por metro quadrado. Uma sala abarrotada, com alunos inclusos e o professor nem repara no indivíduo, no seu histórico, na suas emoções, no seu talento, por falta de tempo e espaço. Afinal, mais de trinta alunos dentro da sala, é impossível, usando essa metodologia antiquada e sem noção.

Toda essa mudança de paradigma no mundo pedagógico é compreensível, devido ao contexto em que estamos, mas é incompreensível uma pessoa pensar em todas as vantagens ou desvantagens e  esquecer o foco principal que é o aluno.

Vou dar aula em tal lugar porque é mais perto…em tal escola que é bem falada… em tal bairro que é mais calmo… no período da manhã que dá mais tempo para ficar em casa…à noite porque é mais tranquilo, e por aí vai. Existem muitas conveniências, mas o aluno, esse é o último a ser lembrado. O que tenho a oferecer a ele? Como posso fazer isso? O que essas crianças precisam hoje em dia? Como elas vivem ou pensam? Eu posso contribuir com a formação delas? Como devo trabalhar pra melhorar tudo isso?  isso são questões básicas, sem muito aprofundamento, mas é preciso se aprofundar mais ainda, porque cada aluno é um indivíduo único e preciso de respeito e atenção.

O bem estar dele, o aluno, é irrelevante – o conhecimento que ele vai ter, pouco interessa – a sua formação, o que é isso?
Então, se eu tivesse um filho hoje, não colocaria numa escola.

Elizabeth de Souza

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