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GOD, OPS, GPS!

Sampalândia, radial leste, domingo de garoa intermitente, pouco mais de 6 da tarde. Tenho que atravessar a cidade de leste para a sul, consulto o Google Maps para ter uma ideia da distância e se a pista está livre de acidentes e pontos de morosidade. Ele dá o melhor itinerário, o tempo e a quilometragem. E, de lambuja, calcula, no caos da metrópole, a que horas chegarei ao destino:19:08h.
Coloco o celular no console, aumento um pouco o volume do rádio e sigo caminho pensando um pouco nisso. Caramba!
O “bichomem tecnologicus” é tão completo e complexo que na procura de entendimento, iniciei sofismas diversos. Me peguei, por exemplo, perguntando se só eu me incomodo com essa invasão à vida através desses aparatos todos, se tem outras gentes pensando nesse dilema. Outra possibilidade que vislumbrei foi de que isso não faz diferença alguma, que tudo sempre foi assim e não passa de saudodismo/futurismo abstrato pensar que podemos mudar o curso das coisas.
O problema é que, como animal político e pensativo que de fato sou, carrego a certeza de que pouca coisa é acaso nos acontecimentos do mundo. E mesmo na maioria dos acasos, há um intencionalidade anterior e previsível no fato.
Então a busca de sentido para as minhas sensações me levou à metáfora traduzida na música Paranoia, de Raul Seixas, cuja letra transcrevo abaixo. Penso que se trocarmos o termo Deus pelo termo GPS na letra delirante da música, nada estará alterado. O maluco-beleza acerta mais que Nostradamus. E pra piorar as coisas, cometo um monte de insanidade no trânsito, apenas para provar que o God, ops, o GPS, pode e deve errar os seus cálculos.
Depois de mil peripécias, atônito, chego ao ponto de chegada às 19:06h. Ele errou, por pouco. Como diriam âncoras sobre pesquisas políticas, “dentro da margem de erro”. Confissão: tanto quanto Raulzito, eu também tenho medo.

“Paranoia”

Quando esqueço a hora de dormir
E de repente chega o amanhecer
Sinto a culpa que eu não sei de que
Pergunto o que que eu fiz?
Meu coração não diz e eu…
Eu sinto medo!
Eu sinto medo!

Se eu vejo um papel qualquer no chão
Tremo, corro e apanho pra esconder
Com medo de ter sido uma anotação que eu fiz
Que não se possa ler
E eu gosto de escrever, mas…
Mas eu sinto medo!
Eu sinto medo!

Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre…
Sempre… sempre…
Eu estava com Deus!
Eu estava com Deus!
Eu estava com Deus!
Eu tava sempre com Deus!

Minha mãe me disse há tempo atrás
Onde você for Deus vai atrás
Deus vê sempre tudo que cê faz
Mas eu não via Deus
Achava assombração, mas…
Mas eu tinha medo!
Eu tinha medo!

Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro

Para…nóia

Dedico esta canção:
Paranóia!
Com amor e com medo (com amor e com medo)
Com amor e com medo (com amor e com medo)
Com amor e com medo (com amor e com medo)
Com amor e com medo (com amor e com medo)

Com amor e com medo

 

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