Arte Literatura Poesia Ricola de Paula

Contraponto

rápido, indolor,
à visita indesejada.
São saúvas cortadeiras
no meu vaso de morangos.

A máquina também emperra
Prolixo surrealista
Disco usado de lixadeira
Prego sem cabeça
com a pele bem enferrujada.

Sua sombra & bórax no cadinho, calcina.
Opera o quinto e único elemento da obra.
A espada flâmigea no azul das salamandras
Sal, mercúrio, enxofre, lá no final decifras.

El rocio de la madre
Volátil como Fulcanelli
Prudente como Canseliet

Como se os prótons engolissem os elétrons
e o átomo ficasse neutro e cansado.
Mesmo assim pensou e se déssemos as mãos
já que a terra é a nave mãe
no encontro ultra uterino das mandalas.

Goiva ou formão
Foi fórceps
decidi ontem
Entalhos, sobre a pele dos meus dias.
Sem azedume ou rispidez nas palavras.

Ponte aguda
a morte nos ampara no infinito do seu riso

Se pudéssemos dar um ultimo abraço naquele amigo
antes que ele partisse pra esse Deus tão louco
Que creio, eles encontram o almíscar de Madalena

As águas puras desta montanha
não querem mais morrer no Parahyba.
Assim sem ar as trutas escapam dos meus olhos
afugentam esse deus nos acuda,
chispas do tropel
da piracema, são barracudas meu piraquara
cospem tempestades elétricas.

Durmo no relento e sonho com a pedra de raios.

Agora os pássaros desataram os liames dos telhados
levando a fumaça negra das chaminés e potestades

O que foi mau soldado
no lobo frontal armazena nostalgia.
Faremos a varredura na estrutura
se ficou ainda qualquer ligadura.

Avalio o teor da solda dia a dia.
Abraço com apreço a chave da alquimia.
Resta poesia na capa da pleura.

Esse jade dos seus olhos vaga
no lume de todos meus dias.
Lanço a canoa e singramos calmaria.

Justos
expostos.
No farol
meus
insanos
limites.
Ricola de Paula

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