Arte Literatura Poesia Ricola de Paula

Nada oficial

Você que espreita meu terreno
Gleba poética, roçadinho.
Repleto
de suculentas abóbrinhas.

Amarelas de pólen, as mamangabas.
Dançam sobre o berço rasteiro.
Onde reina a saborosa cambuquira.

Não sabe o verdadeiro estado das coisas.
A invasão por terra das ervas daninhas.
Esse falso poder que nasceu da paranóia
recria sonhos de padaria, pátria amada
mãe gentil, ponte pra puta que pariu
nos EUA.

Uma revoada
de gafanhotos esperançosos.
Incentiva a marcha das saúvas.
Cortam as provisões futuras.
Fazem muitos buracos
no quintal do Brasil.

Desgovernado
Cai de cabeça
no angu de quiabo.

Sem a previdência verdadeira.
Explicitos, fatos estampados
na roupa suja do varal.
Pendurada
sobre o arame farpado.

Papagaio verde
Taquara
Papagaio amarelo
Taquara

Bandeirante, xavante.
Formiga gente, atrito.

pensamento

Buraco na memória.
Baioneta
palitando
os dentes.

Ricola de Paula

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