Arte Filosofia Germano Xavier

É o fim da filosofia?

Por Germano Xavier

Para aqueles que adoram “assassinar” ciências, correntes de pensamento, idiomas, idéias, e tantas outras coisas, eu tenho uma má notícia. E olha que não sou do tipo que gosta de sair por aí feito um daqueles arautos medievalescos, distribuindo alvíssaras ou lamúrias pelos quatro cantos. É que esse modelo de informação eu tenho prazer em divulgar, transmitir, pois me causa um embaraço dos bons.

Ei-la: A Filosofia, assim como a Poesia e o Latim, não morreu. Pelo contrário, a ciência da reflexão está vivíssima e demasiado atualizada. Eu já suspeitava disso e, confesso, nunca dei ouvidos às vozes daqueles que preconizavam e preconizam o fim dessas “entidades”. Acredito que são maiores que nossas imaginações ou construções interpretativas. Calma, não estou me referindo ao boom mercadológico de obras como “Quando Nietzsche Chorou” ou “A cura de Schopenhauer”, do escritor e psiquiatra norte-americano Irvin D. Yalom, só para tomar como exemplos. É com base nas palavras do professor de Filosofia da Unicamp, Osvaldo Giacoia Junior, em especial, que pronuncio essa afirmação.

Em entrevista à revista “Filosofia – Ciência & Vida”, o professor enfatiza o vigente uso e a atual interferência do pensamento filosófico nas diversas áreas da sociedade mundial. Além de afirmar a vivacidade da ciência do saber, corrobora que o retorno à filosofia é extremamente positivo. Para o acadêmico, “a matéria nunca deixou de lado a problemática humana; pelo contrário, nasceu dela.” Talvez seja por esse motivo que a ciência de Sócrates e companhia jamais perderá seu valor, por simplesmente tratar-se da humanidade ou daquilo que nos remete a ela.

Giacoia diz que as aparições da filosofia em debates nos variados meios de comunicação ajudaram no retorno triunfante da disciplina, porém defende que a filosofia não pode se tornar mercadoria, não pode ser vulgarizada.

Giacoia cita, como exemplo da atualidade da matéria, as recentes discussões sobre as crises ética e moral da política brasileira, o caos da racionalidade científica e a problemática da significação do termo “sujeito”, colocando a teoria nietzscheana e o Idealismo Kantiano como os alicerces fundamentais para as possíveis sugestões e explicações acerca dessas questões.

Eu diria que a Filosofia despertou, pois esteve num estágio de sono, digamos, preocupante. Feliz do homem, que ganha em conhecimento, que se encontra diante de mais uma porta em direção ao saber, que tem na atuação filosófica o perfeito distanciamento do que é realmente importante e do que é apenas superficialidade.

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