HOMENAGEM AO QUERIDO CINEASTA TAUBATEANO JEFERSON DE (por André Ferreira, cineasta e jornalista da TV Cidade e Teresa Bendini)

No dia 17 de setembro, num evento especial realizado no Departamento de Letras da UNITAU, Universidade de Taubaté, um grupo de alunos e professores receberam a visita do grande cineasta taubateano Jefferson De. O evento faz parte do projeto “Diversifique-se”, que ao longo de nove anos vem construindo uma trajetória marcada pelo encontro entre diferentes expressões culturais e artísticas. Idealizado por Mariane Moreira, coordenadora geral do Diversifique-se, o festival é construído coletivamente ao lado de artistas, produtores, movimentos e parceiros. Na produção executiva está Anna Meireles.

A edição de 2026 conta com a participação da UNITAU, Universidade de Taubaté, TV Cidade e CUFA (Central Única das Favelas), além dos espaços que fortalecem a circulação da programação pela cidade.
Jefferson De nasceu numa pequena vila de trabalhadores da antiga fábrica Mecânica Pesada, atuais Alstom e GE. Filho de dona Cândida Maria Rodrigues de Rezende (conhecida como dona Sônia) e do senhor Orbelino José de Rezende, o conhecido Seu Belico, esse taubateano “da clara e da gema”, cresceu numa rua que leva o nome de uma das mais importantes árvores de nossa flora, o Jacarandá. Já maiorzinho, ele corria para outro canto daquele local mágico, o saudoso CAMEP (Clube Atlético Mecânica Pesada), onde adorava jogar futebol com os amigos. Era quase igual ao Menino Maluquinho, de Ziraldo, que também amava jogar bola e, posso garantir que assim como tal, toda turma ficava esperando-o chegar para o jogo começar.
Quando chegou a idade de iniciar os estudos, seus pais o matricularam na singela escolinha que existia na Vila MEP (um braço do SESI) cuja professora, a querida tia Irene, foi a responsável por introduzir o bê-á-bá, as primeiras letras e números, na vida de muitos que ali moravam e hoje são engenheiros, médicos, professores etc.
Mas Jefferson, “o menino”, alçou voo, indo estudar Filosofia na capital paulista. Num corte rápido nessa linha do tempo e da memória, já o vemos formando-se em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e construindo uma carreira marcada pela inquietação artística, pela pesquisa e, sobretudo, pela necessidade de contar histórias, que durante muito tempo permaneceram à margem das telas.
Sua iniciativa e reflexão sobre a presença negra no cinema brasileiro é um diferencial. Seu manifesto Dogma Feijoada é um divisor de águas nos debates sobre o protagonismo negro na frente e por trás das lentes das câmeras.
Homenagear este cineasta gigante é também reconhecer uma trajetória que nasceu aqui, em Taubaté, no Vale do Paraíba, e que ganhou o Brasil e o mundo por meio do cinema. A filmografia deste diretor, roteirista e montador percorre diferentes tempos, gêneros e personagens. Mas talvez seja impossível compreender plenamente o cineasta sem lembrar do menino que cresceu em Taubaté e que, ainda muito jovem, encontrou no cinema uma possibilidade de imaginar outros mundos.
Há algo particularmente bonito nessa trajetória: o menino que olhava para a projeção dos filmes feita pelo pai no paredão da velha quadra do CAMEP tornou-se um homem que passou a transformar as telas brasileiras e hoje integra uma das cobiçadas cadeiras da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a AMPAS, responsável pela escolha dos laureados pelo Prêmio de Mérito da Academia, o mundialmente conhecido OSCAR.
Na ocasião, Jefferson De foi presenteado pelo artista de murais, Valdir Rodrigo que assina VEERRE e que tem obras espalhadas por Taubaté, pelo Brasil e fora do país.
Filmes de Jefferson DE:
Bróder (Melhor filme pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo)
M8 – Quando a morte socorre a vida
Doutor Gama
Narciso/2026
Verifiquem também os recentes trabalhos do Jefferson como diretor geral da novela “Por você”. Em horário nobre da TV Globo.

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