A inevitável queda de Lilo Explosão
Foi sua derradeira luta. Ali terminava uma carreira outrora promissora. Lilo Explosão não soubera lidar com a fama e com tudo o que ela lhe proporcionara. Esbanjou dissoluta e irresponsavelmente tudo o que havia ganho. O que lhe sobrava em músculos, faltava-lhe em amadurecimento e bom senso.
Estava acabado para o boxe, mas suplicara aos empresários do ramo uma última oportunidade. Jogava sua cartada decisiva e a desperdiçava. Fora de forma, consumido pela vida desregrada, foi nocauteado por um adversário sem nenhuma expressão. Deixou o ringue sob vaias e palavrões. Era o fim.
Duilio era o seu nome. Apelidado de Lilo desde a adolescência, todos admiravam seu porte físico avantajado. Incentivado pelos
amigos começou a praticar boxe na academia do bairro. Seu soco era tão forte como uma explosão. Daí ser conhecido como Lilo Explosão.
Seu pai, o senhor Abelardo, era o único proprietário de uma transportadora de carga. Como Duilio era seu único filho, sonhava em vê-lo formado em Economia, para mais tarde assumir seu negócio.
Duilio, chegou a cursar até o primeiro ano da faculdade, mas acabou por abandonar os estudos para dedicar-se exclusivamente ao boxe, do qual tornara-se profissional. O senhor Abelardo insistia sempre na possibilidade de conciliar os estudos com o esporte. Duilio, agora Lilo Explosão, não quis ouvi-lo.
Houve momentos de fama e glória. Aquela vitória conquistada em Las Vegas contra o canadense, campeão da categoria, foi memorável.
Infelizmente, tudo isso lhe subiu à cabeça. Começou a enveredar por caminhos tortos, a descuidar-se, a não respeitar compromissos, relaxar nos treinamentos. Assim, tornou-se inevitável o declínio de sua carreira até a queda final. Sua última tentativa foi aquela luta, arranjada por empresários que o haviam abandonado.
O senhor Abelardo, já falecido, vendera a transportadora para um empresário, amigo da família. Lilo Explosão, sem qualquer qualificação profissional, teve de pedir ajuda ao amigo de seu pai. Para sobreviver, restou-lhe, então, trabalhar modestamente como segurança na transportadora que um dia poderia ter sido sua. Era o que seu porte físico lhe ensejava. Nada mais.
Por Gilberto Silos
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