ASSIM ERA MINHA MÃE
Minha velha mãe aniversariava em 13 de outubro. Nessa data, invariavelmente eu a visitava no Guarujá. Oferecia-lhe um buquê de flores, flores simples como era de seu gosto. Simples como era minha mãe.
Aproveitava minha presença para lhe pedir uma reza. Aquela novena de sempre que me aliviava a alma nos momentos de angústia. Apesar dos meus anos vividos, nunca deixei de ser aquele menino assustado, carente de colo.
Aquela simplicidade, entretanto, continha a grande sabedoria que a vivência dos anos lhe proporcionou. Uma delas era sempre evitar a maledicência. Lembro-me de uma de suas frases a esse respeito: “As duas coisas mais fáceis de se fazer na vida são descascar bananas e criticar os outros”.
Certa vez ouvi-lhe um conselho do qual jamais esqueci: “Nunca é demais ouvir o que os outros têm a dizer. Saber ouvir aguça o senso critico”.
Minha mâe faleceu em 2013, faltando apenas quatro meses para completar 101 anos.
Já no final de sua vida centenária ela me confessou: “Na estrada percorrida perdi muitas coisas. Mas não me queixo. Livrei-me daquilo que não mais me servia. Em compensação, ganhei a mim mesmo. O que nos inunda de paz é a consciência da nossa desimportância”.
Assim era minha mãe.
Por Gilberto Silos
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