
Canção aos velhos jornais e às bibliotecas
por Joka Faria
Minha história como leitor é longa e versátil. Gerald Thomas mostrou uma fotografia do Caderno Mais da Folha de São Paulo. Da época em que líamos jornais impressos. Hoje, salvam-se os livros. Há os livros. No restante, somos leitores digitais. A um clique.
Como era prazeroso ir à Biblioteca Cassiano Ricardo, Sesc, Senac, para ler.
Tenho um tio com quem nos encontrávamos no silêncio das bibliotecas. Mas eu, quando estou em cena nas ruas, em silêncio?
Figuras como Edu Gair eram frequentadores das salas de leitura. E juntavam inúmeras pessoas na Biblioteca Cassiano Ricardo em encontros ao acaso.
Sempre achei que as bibliotecas deveriam ter espaços de conversas livres, como a comedoria do Sesc. Que liberdade é encontrar pessoas dispostas a conversar nas ruas e em lugares! Imaginem um espaço 24h em São Paulo para o prazer do diálogo ao acaso? Amo as padarias 24 horas. São lugares de acaso.
Dias destes, Gilberto Silos, Jean na Rodoviária Velha…
As cidades são cheias de vida. Centros como o do Rio de Janeiro ou de minha cidade natal, Paraisópolis, em Minas Gerais.
Velhos jornais. Hoje, curto a Folha de São Paulo em telas.
Mas livros ainda impressos. Ando a ler apostilas de educação inclusiva.
Ler em qualquer dispositivo ou nas páginas de livros… O centro de São José dos Campos é um espaço de liberdade e reflexão. Todos os centros o são. Quem sabe estivemos na Biblioteca de Alexandria? Quem sabe um dia cruzo com Gerald Thomas em Sampa ou Nova York? As cidades respiram a vida. E, como disse Gerald Thomas, todo dia é dia de luta contra a fome e as mazelas do mundo.
— João Carlos Faria
28 de março de 2025. Outono

Eu vivia enfurnada nessa biblioteca… e mesmo quando ela estava no Parque Santos Dumont, vivia por lá. Conheci muita gente bacana na Biblioteca Cassiano Ricardo.