Iniciativa une ciência e cultura popular para ampliar o ensino da biodiversidade nas escolas brasileiras
Projeto interdisciplinar alia ciência, cultura popular e saberes ancestrais para sensibilizar crianças e jovens sobre a biodiversidade brasileira

Criado pela professora de ciências Cíntia Moreira, um projeto que integra literatura de cordel ilustrada e interativa está conquistando escolas brasileiras ao despertar o interesse de crianças e adolescentes pelo bioma amazônico A iniciativa torna o aprendizado acessível, lúdico e conectado à cultura local, promovendo uma educação ambiental mais próxima da realidade dos estudantes.
A metodologia converte conteúdos científicos em narrativas rimadas, acompanhadas de xilogravuras adaptadas por designer gráfico e complementadas por QR codes que direcionam a vídeos, imagens e outros recursos multimídia. Desde 2023, a proposta já resultou em publicações como “A Vida Escondida na Floresta do Rio Negro em Cordel” e “Brilhos na Floresta em Cordel”, que exploram temas relacionados à fauna, flora e equilíbrio ecológico. O material é utilizado em sala de aula, comercializado nas redes sociais e tem previsão de expansão para bienais do livro, feiras ambientais e instituições de ensino em diferentes regiões do país.
O projeto visa combater a chamada “cegueira ecológica”, a dificuldade em perceber a biodiversidade local, tornando o aprendizado mais atrativo e acessível. “A educação ambiental não precisa ser pesada ou abstrata. Quando a criança aprende brincando, com arte e poesia, ela não esquece mais”, afirma Cíntia Moreira. “É comum que os estudantes se interessem tanto pelos biomas quanto pelo cordel, chegando a produzir seus próprios versos.”
Esse trabalho surge em um momento em que a educação ambiental no Brasil enfrenta desafios na implementação, mesmo sendo obrigatória pela Constituição Federal e pela Lei nº 9.795/1999. Segundo estudo da UNESCO, 55% dos países ainda não possuem uma base sólida nessa área, enquanto pesquisas da FGV revelam a ausência de políticas públicas estruturadas em grande parte dos municípios brasileiros.
Nesse cenário, o uso de expressões culturais populares como ferramenta pedagógica surge como alternativa eficaz para aproximar os temas ambientais dos estudantes. A consultoria Brain Inteligência Estratégica destaca que experiências imersivas e contextualizadas aumentam o engajamento com conteúdos ambientais. A proposta de Cíntia Moreira combina arte visual, poesia e tecnologia para despertar a consciência ecológica de forma inovadora.
Os próximos passos do projeto incluem a criação de novos cordéis sobre outros biomas, participação em eventos educacionais e culturais, e a ampliação da distribuição por canais digitais e redes sociais. “A educação ambiental precisa sair do discurso e entrar no cotidiano das pessoas. O cordel nos ajuda a tornar isso possível, com poesia, pertencimento e tecnologia”, conclui a professora.

Sobre a Cíntia Moreira Lima
Formada em Licenciatura em Ciências Biológicas pelo IFPB, Cíntia Moreira Lima é autora de cordéis ilustrados com temática ambiental e professora da Prefeitura de João Pessoa/PB, onde nasceu e mora até hoje. Com o passar dos anos, a profissional uniu a paixão pela literatura popular ao conhecimento científico, adaptando pesquisas sobre a Amazônia em formato de cordéis como “Brilhos na Floresta” e “A Vida Escondida na Floresta”. Inspirada pela natureza para produzir obras, a missão da escritora é aproximar a literatura de cordel da cultura brasileira, como uma ferramenta lúdica e interativa de educação ambiental e visibilidade do Nordeste. Mais informações: @casulocordel
Gabriella Souza Mariano
gabriella@mention.net.br
(11) 5217-0177
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