Lô Borges foi cantar em outras bandas

Lô Borges foi cantar em outras bandas

Uma homenagem do Portal Entrementes ao músico Lô Borges que partiu desse mundo para cantar em outras bandas. Paulo Dylan, mostrou os discos de sua coleção e  fez dois vídeos sobre o músico e o Clube da Esquina.

Confira os vídeos no Canal do Portal Entrementes no Youtube e no Tik Tok:

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https://www.tiktok.com/@portalentrementes

 

 

Para saber mais:

Lô Borges e o Clube da Esquina são dois dos marcos mais importantes e influentes da história da Música Popular Brasileira (MPB). Eles representam um movimento de renovação musical que misturou influências regionais de Minas Gerais com rock, bossa nova, jazz e música clássica.

Lô Borges – Salomão Borges Filho, cantor, compositor e multi-instrumentista nascido em Belo Horizonte (MG). Ele é uma das figuras centrais do Clube da Esquina.

Desde muito jovem Lô Borges mostrou um talento extraordinário. Com apenas 19 anos, ele foi convidado por Milton Nascimento para um projeto que mudaria suas vidas. A parceria com Milton Nascimento os dois autores principais do lendário álbum duplo “Clube da Esquina”, lançado em 1972. Lô não apenas co-escreveu e cantou, mas também compôs melodias para várias das faixas mais icônicas do disco.

No mesmo ano de 1972, Lô Borges lançou seu primeiro álbum solo, o homônimo “Lô Borges”, que ficou conhecido como o “Disco do Tênis” (devido à foto da capa). Este álbum é hoje considerado uma obra-prima da MPB e do rock psicodélico brasileiro.

Lô Borges continuou sua carreira lançando diversos álbuns e compondo clássicos atemporais. Sua música é marcada por harmonias sofisticadas, melodias cativantes e uma fusão única de influências.

 

Clube da Esquina

O Clube da Esquina foi um movimento musical e de amizade que surgiu em Belo Horizonte, Minas Gerais, no final dos anos 1960 e início dos 1970. O nome vem do encontro desses artistas em uma esquina específica dos bairros Santa Tereza e Floresta, em BH, onde Lô Borges e seus irmãos (como Márcio Borges, o grande letrista do grupo) moravam.

A “turma” incluía, além de Lô Borges e Milton Nascimento (que, apesar de carioca, mudou-se para BH e se tornou o “agregador” do grupo), nomes como:

Beto Guedes (cantor e compositor)

Flávio Venturini (cantor, compositor e tecladista)

Toninho Horta (guitarrista e compositor)

Wagner Tiso (pianista e arranjador)

Márcio Borges (letrista)

Fernando Brant (letrista)

Ronaldo Bastos (letrista)

A sonoridade do Clube da Esquina era revolucionária para a época. Eles misturavam:

Música regional mineira (como o congado e folias de reis)

Bossa Nova e Jazz

Rock Clássico e Psicodélico (especialmente The Beatles, que era uma paixão de Lô Borges)

Música Erudita e Música Latina

O movimento foi imortalizado principalmente por dois álbuns duplos, mas sua influência se espalha por toda a obra de seus membros.

1. Álbum: Clube da Esquina (1972)

Este é o marco zero, um álbum colaborativo de Milton Nascimento e Lô Borges, mas que contou com a participação de todo o grupo. É considerado um dos melhores álbuns da música brasileira e mundial.

Músicas de destaque (com participação de Lô Borges na composição):

“O Trem Azul”

“Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”

“Tudo Que Você Podia Ser”

“Paisagem da Janela”

“Clube da Esquina Nº 2”

“Nuvem Cigana”

2. Álbum: Lô Borges (o “Disco do Tênis”) (1972)

Lançado no mesmo ano, este é o disco solo de Lô. Mais cru e com uma pegada mais rockeira, é igualmente genial.

Músicas de destaque:

“Aos Barões”

“O Caçador”

“Você Fica Melhor Assim”

“Não Foi Nada”

O legado do Clube da Esquina é imenso, influenciando gerações de artistas no Brasil e no exterior com sua sofisticação harmônica e poética.

 

“Melhores de Todos os Tempos”

O álbum Clube da Esquina (1972) tem sido incluído em listas globais muito importantes, muitas vezes superando clássicos do rock e pop americano e britânico.

9º Melhor Álbum de Todos os Tempos (Paste Magazine): Em 2024, a influente revista de música americana Paste Magazine publicou uma lista com os “300 Melhores Álbuns de Todos os Tempos”. O Clube da Esquina apareceu em 9º lugar.

Para se ter ideia, ele ficou ao lado de gigantes como Stevie Wonder (1º), The Beatles (5º), Nina Simone (8º) e The Beach Boys (10º).

4º Melhor Álbum de Rock Latino-Americano (Rolling Stone EUA): Em 2023, a edição americana da Rolling Stone classificou o álbum nesta alta posição em sua lista de rock latino-americano, destacando sua fusão sonora única.

Publicações que são consideradas “bíblias” da música alternativa e independente tratam o álbum como uma obra-prima.

Pitchfork (Nota 9.5/10): O site americano Pitchfork, conhecido por seu rigor crítico, fez uma resenha “clássica” do álbum (reservada para álbuns canônicos) e deu a ele a nota altíssima de 9.5 de 10. A crítica elogia a “alquimia” sonora e como o disco parece atemporal, misturando influências de forma magistral.

O Status “Cult” e a Influência em Músicos

Antes mesmo de entrar nos rankings principais, o Clube da Esquina era um segredo bem guardado entre músicos, DJs e colecionadores de discos (os “crate diggers”), especialmente no Japão, Europa e Estados Unidos.

Influência no Jazz: Músicos como o guitarrista de jazz Pat Metheny são publicamente fãs do som do Clube, especialmente da complexidade harmônica e das melodias de Toninho Horta.

Influência no Rock e Pop Psicodélico: A sonoridade do Clube é citada como influência direta em bandas modernas de “dream pop” e rock psicodélico, como Melody’s Echo Chamber.

Fãs de Peso: Artistas como Björk já demonstraram admiração pela música de Milton Nascimento, que é o coração do movimento.

O disco de Lô Borges de 1972 (o “Disco do Tênis”) também é reverenciado internacionalmente no circuito do rock psicodélico por sua sonoridade única e crua.

Portanto, o reconhecimento não é apenas “existente”, ele é profundo e coloca o Clube da Esquina, e Lô Borges como seu co-autor principal, em um patamar de genialidade musical global.

É lamentável que Lô Borges tenha partido desse mundo, ele morreu no dia 2 de novembro de 2025, aos 73 anos, em Belo Horizonte (MG).
Lamentamos a perda de um dos maiores gênios da música brasileira.

Sua morte representa o fim de uma era para a MPB, mas deixa um legado imortal através de suas canções, tanto no Clube da Esquina quanto em sua carreira solo.

R.I.P Lô Borges

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Sobre Paulo Dylan 32 Artigos
Paulo Dylan é um multicolecionador. Nasceu e mora em São José dos Campos, possui um acervo com os mais variados objetos. Mas o seu forte são os vinis.

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