O Natal é uma festa pagã que os cristãos se apropriaram

O Natal é uma festa pagã que os cristãos se apropriaram

Engraçado como aprendemos tantas coisas desde a nossa infância, tradições que nos são passadas, que não questionamos a fundo para entender as origens e os significados.
Uma dessas tradições é a comemoração do Natal, que aprendemos desde criança que é uma festa cristã, que tem como foco, o nascimento de Jesus, o Cristo e vem carregado de símbolos como a Árvore de Natal, a Ceia, os Presentes, etc, do qual nunca pesquisamos como tudo isso se dava e de onde vinha tudo isso.
Está chegando o Natal e estamos na expectativa de se reunir em família, comer e beber juntos, trocar presentes e se confraternizar num estilo cristão, mas vamos as origens de toda essa história. (Elizabeth de Souza)


A trajetória do sol:

A trajetória do Sol no final de dezembro é o “motor” que move todas as celebrações de Natal. Na astronomia, esse fenômeno é chamado de Solstício de Inverno (no Hemisfério Norte), e para os povos antigos, ele não era apenas um evento no céu, mas uma questão de sobrevivência e espiritualidade.

Alguns detalhes da trajetória solar e seus significados:

1- O Sol “Para”: O Significado de Solstício
A palavra “solstício” vem do latim sol sistere, que significa “Sol parado”.

O Movimento: Durante meses após o verão, o Sol nasce cada vez mais ao sul e cada vez mais baixo no horizonte. No dia do solstício (21 ou 22 de dezembro), ele atinge seu ponto máximo de declinação.

A Pausa: Por cerca de três dias, o Sol parece nascer e se pôr exatamente no mesmo lugar, como se tivesse parado sua descida para a escuridão.

O Renascimento: No dia 25 de dezembro, o Sol finalmente começa sua trajetória de volta para o norte. Para os antigos, isso era a prova visual de que o Sol “nasceu de novo” ou “venceu as trevas”.

2. A Noite Mais Longa do Ano
No solstício, o Hemisfério Norte vive o dia com menos horas de luz e a noite mais longa de todas.

O Medo Antigo: Para as culturas pagãs, havia um medo ancestral de que o Sol continuasse a descer até desaparecer para sempre.

O Ritual de Fogo: Para “ajudar” o Sol a recuperar suas forças, os pagãos acendiam fogueiras e velas. O objetivo era usar o fogo terrestre para atrair o fogo celestial de volta.

3. Significados Espirituais Pagãos
A trajetória solar criava uma narrativa de morte e ressurreição que foi absorvida por várias religiões:

O Sol Invicto (Roma): O festival Dies Natalis Solis Invicti celebrava o Sol que “não podia ser vencido” pela escuridão. O fato de ele voltar a subir no céu após o dia 25 era a prova dessa vitória.

O Rei Carvalho vs. Rei Azevinho (Celtas): Na mitologia celta, o solstício marcava a batalha anual entre o Rei Azevinho (senhor do inverno) e o Rei Carvalho (senhor da luz). O Rei Carvalho vencia no solstício, garantindo o retorno da primavera.

A Criança Solar (Egito e Grécia): Muitas culturas viam o Sol como um deus que envelhecia no outono, morria no solstício e renascia como uma criança pequena em 25 de dezembro. Por isso, a imagem de um “bebe divino” nascendo nesta data é muito anterior ao cristianismo (aparecendo em cultos a Mitra, Dionísio e Hórus).

4. Por que o Natal é em 25 de Dezembro?
Embora o solstício astronômico ocorra em 21/22 de dezembro, o movimento de retorno do Sol só se torna visível a olho nu cerca de três dias depois.

A Transição: A Igreja Católica escolheu o dia 25 para o Natal no século IV justamente para coincidir com essa “vitória do sol” que todos já celebravam.

A Metáfora: Foi uma transição poética: o “Sol da Natureza” deu lugar ao “Sol da Justiça” (Jesus), mantendo a data e o simbolismo da luz vencendo as trevas.
A festa que hoje conhecemos como Natal tem raízes profundas em diversas celebrações pagãs da Antiguidade. Antes de se tornar a comemoração do nascimento de Jesus, o final de dezembro era u m período de grandes festivais dedicados ao solstício de inverno no hemisfério norte.

Ilustração de um antigo festival nórdico de Yule – Domínio Público via Wikimedia Commons

As Festas

1. Yule (Tradições Nórdicas e Germânicas)

O Yule era celebrado pelos povos do norte da Europa para marcar a noite mais longa do ano. Era um festival de “retorno da luz”, pois a partir dali os dias começavam a crescer.

O Tronco de Yule: Uma tora gigante era queimada para espantar o mal e trazer proteção.

A Árvore: Eles decoravam árvores perenes (que não perdem as folhas no frio) para simbolizar a vida que resiste ao inverno.

2. Saturnália (Roma Antiga)

Talvez a influência mais direta na “vibe” festiva do Natal. A Saturnália era uma festa em honra a Saturno, deus da agricultura.

Inversão Social: Durante os dias de festa, os escravos eram servidos por seus senhores e as normas sociais eram suspensas.

Presentes: Havia o costume de trocar velas e pequenas estatuetas de barro.

Banquete: Era um período de excessos, comida farta e muita bebida.

3. Sol Invictus e o Culto a Mitra

No Império Romano, o dia 25 de dezembro era oficialmente o festival do Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto).

Mitra: Uma divindade de origem persa, muito popular entre os soldados romanos, cujo nascimento também era celebrado nesta data.

A escolha da data: Como a Bíblia não especifica o dia do nascimento de Jesus, a Igreja Católica no século IV oficializou o 25 de dezembro para “cristianizar” essas festividades populares que já ocorriam.

 

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Sobre Elizabeth Souza 433 Artigos
Elizabeth de Souza é coordenadora e editora do Portal Entrementes....

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