RAP do 30 de maio

Um dia diferente luta de frente pela capacitação

Há um menino adulto que lê pesadelos num jornal

A morte do ensino em tempo integral

E o espanto boquiaberto da nação

 

 

Um dia urgente refuta restrição de liberdade

Estudantes/ professores desamarrem pensamentos!

Sois brilhantes como o sol e livres como o vento

Ser cidadão é coração maior de idade

 

 

Jornada prenhe de mil luzes de mudança

Em prol das ciências sociais tão humanas

E fundamentais. A reflexão crítica nos irmana

[O desconcerto assusta mas a coerência avança]

 

 

Jornada de verbo sem verbas – só esperança

Não sou panfleto doutrinário sou luta pacífica

Minha luta é ética, minha sementeira científica

Dizemos sempre e ainda: quem espera sempre alcança

 

 

Um dia de apaziguamento e chamada à razão

Cremos em hospitais e universidades públicas

Nossas exigências são pedidos [nunca súplicas]

Sonhadas com cabeça, alma e antecipação

 

 

Será jornada de batalha ideológica

Que tempo é este retráctil e inseguro?

Educar não é gastar é construir o futuro

Negativismo é destruição. Aposta ilógica

 

 

No dia trinta a palavra será tinta e voz

Pela merenda pelo transporte escolar

Educação inclusiva temos que assegurar

O tempo urge como um rio para a sua foz.

Por Muhatu

Publicado originalmente em «O Equador das Coisas», a 02/06/2019

 

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Sobre Luisa Fresta 52 Artigos
Luísa Fresta, portuguesa e angolana, viveu a maior parte da sua juventude em Angola, país com o qual mantém laços familiares e culturais; reside em Portugal desde 1993. Desde 2012 assina crónicas e artigos de opinião em jornais culturais, revistas e blogues de Angola, Portugal e Brasil, essencialmente sobre livros e cinema africano francófono e lusófono. Esporadicamente publicou em sites ou portais culturais de outros países como Moçambique, Cabo Verde e Senegal. Em 2021 e 2022 traduziu O HOMEM ENCURRALADO e ESPLANADA DO TEMPO, ambos do poeta brasileiro Germano Xavier (edição bilingue português-francês/Penalux). Em 2022 ilustrou o poemário infantojuvenil DOUTRINA DOS PITÓS, do poeta angolano Lopito Feijóo (Editorial Novembro). Desde 2020 mantém um grupo virtual intitulado ESCOLA FECHADA/ MENTE ABERTA, criado no início da pandemia, destinado a divulgar literatura infantojuvenil e artes plásticas, nomeadamente ilustração, com especial incidência no universo lusófono e francófono. O principal objetivo é consolidar os hábitos de leitura das crianças, estimular a leitura em família e o gosto pelo desenho; e aproximar escritores e ilustradores de leitores e da comunidade escolar. Tem textos dispersos por antologias, alguns dos quais integraram projetos pro bono, e outros premiados em Portugal e no Brasil, desde 1998; assim como um livro de poesia vencedor do prémio literário Um Bouquet de Rosas Para Ti, em Angola, atribuído pelo Memorial António Agostinho Neto (2018). Curiosidade: o poema Casa Materna, que dá título ao livro (originalmente designado por Casa ambulante), foi distinguido com o 2º prémio de poesia internacional Conexão Literária (Câmara Municipal de Divinópolis/Brasil) quando a obra já se encontrava em processo de edição. OBRAS DA AUTORA: Contexturas (contos, baseados em quadros de Armanda Alves, coautora), Livros de Ontem, 2017; Março entre meridianos (poesia, 1º prémio “Um Bouquet de Rosas para Ti”), MAAN, 2018; Março entre meridianos (reedição), Livros de Ontem, 2019; A Fabulosa Galinha de Angola (infantojuvenil), Editorial Novembro, 2020; Sapataria e outros caminhos de pé posto (contos), Editorial Novembro, 2021; Burro, Sim Senhor! (infantojuvenil), Editorial Novembro, 2021; Casa Materna (poesia), Editorial Novembro, 2023; A Idade da Memória (infantojuvenil, contos inspirados na poesia de Agostinho Neto. Coautora: Domingas Monte; ilustrações: Júlio Pinto), Mayamba Editora, 2023; No País das Tropelias e Desventuras (Coleção Capitão/ infantojuvenil), Editorial Novembro, 2024.

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