sou o gato
que nunca morre
nenhuma curiosidade me corrói
nenhum monumento me intimida
sou o gato
virado do avesso
de choro macio e riso travesso
encarando o sol sem piscar
sou o gato de rua,
vira-lata, sem dono
não perco meu tempo lambendo feridas
nem finjo que a lama não me revira o estômago
porque eu sou o gato
que deixou de lado seu ego,
que jogou fora a vaidade
num tiro certeiro,
sou o gato que não vê maldade
preferindo sofrer por ingenuidade
do que ser feliz num mar de cinismo
e no meio de achismos,
sou um gato comum
– daqueles que não deitam
no colo de qualquer um
sou o gato que escolhe a dedo
quem pode se aconchegar
e ronrono só pr’aquele
que merece me amar
quênia lalita//escrito em 2024
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Lindo poema!
Gatos, criaturas maravilhosas, deuses de pelos.