O porão

O porão

Joka Faria

Refletindo o programa Entrelinhas
Eu tenho o meu porão. Entro nele — está em algum lugar entre a Mantiqueira e o litoral.
Ele fica num tempo não mensurado, entre os anos 80 e 90 do século XX.
Sem internet, sem redes sociais.
Tenho meus discos. Mas ninguém adentra ao meu porão — não passo as senhas.
Repleto de livros, em estantes cheias, num labirinto.
Ele é repleto de quartos. Quase todos vazios.
Quantas mulheres já adentraram nele… e não se lembram.
Que porão, refúgio deste tempo ilusório.

Joka Faria, setembro, após Entrelinhas da TV Cultura.

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