A BONDADE NÃO DEVE SER UMA VIRTUDE PASSIVA
A frase título desta crônica está contida no livro “Olhai os Lírios do Campo”, de Érico Veríssimo.
Por sinal, 2025 marca os 120 anos do nascimento desse grande nome da literatura brasileira e 50 anos de sua morte.
Desde o início do ano me animei a conhecer-lhe mais algumas obras, além daquelas já lidas, como “Gato Preto em Campo de Neve”, “Clarissa” e “Um Certo Capitão Rodrigo”.
Li três obras: “O Senhor Embaixador”, “Incidente em Antares” e “Olhai os Lírios do Campo”.
Em “O Senhor Embaixador” a maior parte da história se passa em Washington – DC, e o protagonista é o embaixador de uma republiqueta latino-americana e seu trânsito no meio diplomático. O pano de fundo é o atraso político, econômico e cultural desse país fictício , governado por sucessivos ditadores, depostos por golpes de estado orquestrados pelos Estados Unidos.
“Incidente em Antares” foi o último livro escrito por Érico Veríssimo (1971). Em suas páginas ele lança mão do realismo fantástico para descrever a vida em Antares, uma cidade gaúcha, fictícia, localizada na fronteira entre Brasil e Argentina. A cidade é governada por políticos corruptos que se perpetuaram no poder graças ao beneplácito conivente das autoridades locais. A morte inesperada de sete pessoas, que permanecem insepultas devido à greve dos coveiros, provoca uma revolta. Os cadáveres como que adquirem “vida” , convocam a população para uma grande concentração na praça principal e lá revelam a podridão moral dos figurões da cidade.
“Olhai os Lírios do Campo” foi o primeiro grande sucesso literário de Érico Veríssimo. Nele vamos conhecer a história de um jovem de origem muito pobre, que com muito sacrifício consegue formar-se em medicina. Sua ambição sem limites o leva a casar -se com uma mulher rica, visando ascensão social. Com o passar do tempo torna-se uma pessoa fria, materialista, perdendo o pouco de humanidade que lhe restava. Mas o final da história é o de sua transformação e redenção. Veríssimo traça com muito talento o perfil do protagonista, não o descrevendo como herói nem com viĺão, mas como um ser humano com suas contradições, motivações e complexidades.
Nas três obras mencionadas percebe-se Veríssimo como um humanista, cujo pensamento é comprometido com a liberdade e as questões sociais. Vale a pena conhecê-las.

VAN GOGH, Vincent. View of Arles with Irises in the Foreground. Amsterdam, 1888.
Por Gilberto Silos
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