Como somos felizes em sermos imperfeitos
Joka Faria
Eu nunca escrevi uma carta de amor. E nem pediria a uma IA que escrevesse uma por mim. Nunca abri um Tinder. Já pensei em abrir. Eu estava respirando para escrever. Pode ser também um bilhete, mas acho que ela talvez não entendesse a minha letra. Creio que nem as bancas de concurso entenderiam.
Como somos felizes em sermos imperfeitos. Isso nos faz humanos. Não gosto da perfeição das coisas certinhas. Gostei de ver o pneu da minha bicicleta, bem longe de casa, murchar — e uma pessoa o encheu para mim. Parei de trocar as marchas da bicicleta: só pedalo na mais pesada. Desço para depois subir os morros, e aí eu curto o caminho.
Afinal, quem somos nestes dias em que até nas férias nos sentimos cansados? Tenho que estudar para mais um concurso. Já perdi a conta de quantos foram. Fui bem melhor no ano passado. Mas isso tudo nos distrai de ouvir o canto do passarinho. Ou de levar um cachorro para passear.
Há um livro que nunca termino de ler: Os Sertões. A vida é um cotidiano sem glamour. Mas extraio a poesia do dia a dia. Dei um tempo de fazer vídeos e tive bons retornos dos que já fiz.
Viver é rotina. Há horas em que dá vontade de se mudar para Valinhos. Ou de achar o caminho para a Pasárgada.
João Carlos Faria
19 de janeiro de 2026, segunda-feira
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