Documentário “Ouvidor” encerra ciclo de exibições provocando reflexões sobre arte, moradia e resistência no Brasil urbano
Filme retrata um dos maiores centros culturais e artísticos da América Latina e convida o público a pensar os limites e as potências da criação coletiva em contextos de exclusão e luta por espaço

O documentário “Ouvidor” conclui seu ciclo de exibições em diferentes cidades paulistas deixando um rastro de provocações e debates. Mais do que um retrato de uma ocupação artística no centro de São Paulo, o filme se firma como um instrumento potente de reflexão sobre os desafios da moradia, os atravessamentos políticos da arte e as muitas formas de resistência que emergem das bordas da cidade e da sociedade.
A obra mergulha na realidade da Ouvidor 63, edifício abandonado transformado em lar e ateliê por cerca de 120 artistas de vários países, que criaram ali uma microssociedade pulsante, onde convivem criatividade, coletividade e tensão.
O documentário retrata a complexidade das relações humanas entre pessoas que compõem uma sociedade, onde as decisões individuais reverberam sobre o coletivo.
Entre os conflitos cotidianos e a ameaça constante de despejo, o coletivo encara ainda dilemas éticos e políticos — como o polêmico patrocínio da Red Bull à sua Bienal de Arte — que revelam as contradições e complexidades da luta por autonomia e expressão.
Dirigido pela Salga Filmes, produtora de Ilhabela, o documentário circulou por cidades como São Paulo, Guarulhos, São Sebastião e Ilhabela, sempre acompanhado de rodas de conversa com personagens do filme e convidados, fomentando a formação de público, ampliando o alcance do debate e conectando diferentes territórios por meio da arte.
A última exibição aconteceu nesta terça-feira (3), no Senac Santo Amaro, encerrando uma série de sessões que atingiram um público de cerca de 500 pessoas no total. As exibições passaram por espaços como Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Faculdade de Arquitetura da USP (FAU-USP) e Cineclube Marieta, em São Paulo, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp – Campus Guarulhos), Circo Navegador (São Sebastião), Escambau Cultural (Boiçucanga), Cineclube Citronela e Cinema Villa Bella, em Ilhabela, além de escolas públicas também em Ilhabela, promovendo o acesso e difusão do cinema brasileiro e o diálogo com temas estruturantes da vida urbana.
Os debates reuniram pessoas como Celso Sampaio, arquiteto e urbanista que foi diretor de habitação na Prefeitura Municipal de Santo André (SP) (2005-2006), Adriana Palheta, especialista em direitos humanos pela USP e chefe de gabinete da liderança da Rede Sustentabilidade, mandato da vereadora Marina Bragante, na Câmara Municipal de São Paulo, Luiz Gonzaga da Silva Gegê, liderança do Movimento de Moradia do Centro (MCC) e da Central de Movimentos Populares (CMP), Pedro Fiori Arantes, professor de história da arte da UNIFESP, além de artistas e moradores da Ouvidor 63.

Lançado oficialmente na última sexta-feira (30), no Cinema Villa Bella, no Centro Histórico de Ilhabela, o filme vem se consolidando como uma ferramenta de escuta, empatia e provocação, colocando em pauta discussões como quem tem direito à cidade, como resistir à especulação imobiliária e quais são os limites da arte diante do capital, e levando acesso ao cinema a classes mais desprovidas de ações e centros culturais.
Visando atingir públicos que geralmente não são alcançados, o projeto elaborou uma campanha de impacto social para conectar o filme à organizações da sociedade civil, acadêmicos, comunidades, entre outros grupos, com o intuito de chegar a um público abrangente e diversificado. Por fim, o projeto também realizou quatro oficinas de produção executiva de documentário gratuitas com Paula Pripas, produtora da Filmes de Abril, de filmes como “Os Dias Com Ele”.
O projeto de exibição de “Ouvidor” é uma realização do Espaço Cultural Pés no Chão, em parceria com a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

Informações para a imprensa:
Juliana Tiraboschi
Jundu Comunicação
(11) 9-8444-1243
JULIANA RIBAS TIRABOSCHI
juliana.tiraboschi@gmail.com
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