CAIXA Cultural São Paulo apresenta “Entre Ruínas: o mundo em trânsito de Marcone Moreira”
Com curadoria de Eucanaã Ferraz, exposição revela uma Amazônia contemporânea, poética e fragmentada — em cartaz até 15 de fevereiro de 2026 e entrada gratuita
A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, até 15 de fevereiro de 2026, a exposição “Entre Ruínas: o mundo em trânsito de Marcone Moreira”, com curadoria de Eucanaã Ferraz, aberta ao público desde 18 de novembro de 2025.
A mostra convida o visitante a uma imersão no universo visual e simbólico do artista paraense, cuja trajetória dialoga profundamente com a paisagem amazônica, o cotidiano popular e as tensões de um mundo em permanente transformação. A visitação está disponível das 8h às 19h, com entrada gratuita durante todo o período expositivo.
A arte como arqueologia do presente
Marcone Moreira constrói sua trajetória a partir da paisagem de Marabá (PA) — cidade situada entre os rios Tocantins e Itacaiúnas, ponto de partida para uma poética visual que une o popular e o contemporâneo.
Segundo o curador Eucanaã Ferraz, a exposição percorre a noção de “mundo em trânsito”, em que materiais, linguagens e tempos se cruzam em constante mutação. A mostra se estrutura sobre a ideia de que a paisagem e a ruína são faces de um mesmo movimento: o da transformação e da sobrevivência.
“Marcone traduz a Amazônia não como cenário exótico, mas como território simbólico e universal — lugar de cruzamentos, ausências e reinvenções”, explica o curador.
Entre linguagens, suportes e sentidos
A exposição reúne trabalhos de diferentes momentos da carreira do artista paraense, traçando um panorama de sua pesquisa em torno dos materiais, da paisagem e das transformações sociais e simbólicas da Amazônia.
Entre as séries apresentadas estão Cruzamentos, composições feitas a partir de madeiras e parafusos de carrocerias de caminhões, que evocam o deslocamento entre rios e estradas, vida e morte, ausência e presença. Em Páginas, o artista cria arranjos cromáticos com madeiras de embarcações desgastadas, estabelecendo um diálogo entre o construtivismo brasileiro e o imaginário popular amazônico.
As pinturas de Travessias trazem figuras solitárias em embarcações, como metáforas da travessia humana entre o trabalho e a magia, a história e o mito. Já a série Vertebral apresenta esculturas formadas por hélices fundidas em alumínio, dispostas em movimentos sinuosos que remetem à força e à vitalidade da sucuri — símbolo ancestral da floresta e do corpo vivo da natureza.
Uma Amazônia plural e contemporânea
“Entre Ruínas” propõe uma leitura da Amazônia como metáfora do Brasil contemporâneo — múltiplo, fragmentado, por vezes devastado, mas ainda pleno de potência criativa e ancestralidade.
A mostra convida o público a refletir sobre as relações entre paisagem e identidade, matéria e memória, levando a arte de Marcone Moreira a ser compreendida como um testemunho sensível de nosso tempo.
Sobre o artista: Marcone Moreira
Iniciou suas experimentações artísticas no final dos anos 1990 e desde então participa de exposições no Brasil e no exterior. Sua produção abrange diversas linguagens — pintura, escultura, vídeo, fotografia e instalação — com foco na memória e no deslocamento simbólico de materiais do cotidiano, que ele reapresenta em novos contextos poéticos.
Entre suas principais exposições individuais estão “Território líquido” (Instituto Tomie Ohtake, 2015), “Marcone Moreira” (Paço Imperial, 2016), “Linhas de Força” (Palácio das Artes, 2017), “Exaustos” (Casa das Onze Janelas, 2018), “Conjunção” (Gomide, 2020) e “Fraturas”, com texto crítico de Eucanaã Ferraz (Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro, 2024). Participou de mostras coletivas como o Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP, 2003), Os Trópicos (Martin-Gropius-Bau, Berlim, 2008), From the Margin to the Edge (Somerset House, Londres, 2012), VAIVÉM (CCBB, 2019) e da 6ª Bienal de Montevidéu (2025).
Foi contemplado com prêmios e bolsas, entre eles o Prêmio Marcantonio Vilaça (2010 e 2011), a Bolsa de Pesquisa Funarte (2013), a Bolsa Fundação Joaquim Nabuco (2014) e o Prêmio PREAMAR de Arte e Cultura (2020).
Sobre o curador:
Eucanaã Ferraz
(Rio de Janeiro, 1961)
Poeta, professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e Consultor de Literatura do Instituto Moreira Salles desde 2010. Publicou diversos livros de poesia premiados no Brasil e em Portugal, e organizou obras de autores como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Vinicius de Moraes, Sophia de Mello Breyner Andresen e Carlos Drummond de Andrade.
Como curador, assinou exposições de Fayga Ostrower, Raul Mourão, Vicente de Mello, José Bechara e Chichico Alkmin, entre outros. Em parceria com Veronica Stigger, realizou Constelação Clarice (IMS, 2018–2022), eleita pela revista Frieze uma das dez melhores mostras do mundo em 2022. Sua atuação como ensaísta e pesquisador articula literatura, artes visuais e música em uma perspectiva integrada da criação artística.

Vertebral-2025 – Hélices de alumínio e cabo de aço – Dimensões variáveis – Foto cortesia: Rafael Salim da exposição
Serviço
Exposição: Entre Ruínas: o mundo em trânsito de Marcone Moreira
Curadoria: Eucanaã Ferraz
Período de visitação: até 15 de fevereiro de 2026
Horário: terça a domingo, das 8h às 19h
Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro, São Paulo/SP
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Mais informações: www.caixacultural.gov.br @caixaculturalsp
Cristiane Del Gaudio
Assessora de imprensa
crisdelgaudio@studiographico.com.br
(11) 99578-4813
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