Euclides, a ponte e o livro

Euclides, a ponte e o livro

“O sertão não é um lugar, é uma condição.” “A natureza é implacável, mas o homem do sertão é mais ainda.” “O sertanejo é, acima de tudo, um forte.” OS SERTÕES (Euclides da Cunha)

Nasci e passei os primeiros anos de minha vida na pequena São José do Rio Pardo, cidade do interior do Estado de São Paulo. Banhada pelo Rio Pardo, ela tem como um de seus pontos turísticos o monumento dedicado ao escritor Euclides da Cunha.
Ali, numa pequena cabana coberta de zinco ,próxima à margem do rio, Euclides escreveu “Os Sertões”, uma das mais importantes obras da sociologia e literatura brasileiras.
Essa cabana, preservada e protegida por uma espécie de redoma de vidro, é considerada patrimônio nacional desde 1937.
Euclides da Cunha residiu naquela cidade de 1898 a 1901, trabalhando como engenheiro na reconstrução da ponte sobre o rio, hoje tombada como patrimônio histórico.

Fluminense de Cantagalo, estudou na Escola Politécnica e depois no Colégio Militar, donde acabou expulso. Seu talento de escritor já era reconhecido quando passou a escrever para o jornal “A Província de São Paulo”, hoje “O Estado de S. Paulo”.
Com o advento da República foi reincorporado ao Exército e começou a estudar na Escola Superior de Guerra. Em 1896, já casado com Ana Ribeiro, deixou a carreira militar, vindo a residir em São Paulo onde trabalhou na Superintendência de Obras.

Nessa época, nos sertões da Bahia, um místico chamado Antonio Conselheiro liderava uma comunidade de sertanejos que se rebelou contra os poderes da recém-nascida República. Eles viviam na mais completa pobreza econômica e social, explorados pelo latifúndio. Ali, no Arraial de Canudos, sofreram vários ataques de expedições militares enviadas pelo governo republicano. Acabaram massacrados pelas tropas governistas na tomada final do arraial.
Euclides chegou a Canudos já no final da campanha e cobriu os acontecimentos como correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo”. Seu contato com a triste realidade nordestina fez com que decidisse escrever um livro denunciando aquela barbárie que acabara de presenciar. Para ele, Canudos não era uma questão política, mas um gravíssimo problema social.

Ao regressar a São Paulo, foi designado para reconstruir a ponte em São José do Rio Pardo. Ali, nascia “Os Sertões”, uma obra-prima da literatura brasileira.
Foi autor de outros livros; eleito membro da Academia Brasileira de Letras, e nomeado professor de Lógica do Colégio Pedro II.
Sua saúde era frágil, e tempestuosa a relação com a família. Vivia depressivo e amargurado. A tragédia não demoraria. Euclides morreria assassinado por Dilermando, que ele desconfiava fosse amante de sua mulher. Corria o ano de 1909.

Por Gilberto Silos

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Sobre Gilberto Silos 269 Artigos
Gilberto Silos, natural de São José do Rio Pardo - SP, é autodidata, poeta e escritor. Participou de algumas antologias e foi colunista de alguns jornais de São José dos Campos, cidade onde reside. Comentarista da Rádio TV Imprensa. Ativista ambiental e em defesa dos direitos da criança e do idoso. Apaixonado por música, literatura, cinema e esoterismo. Tem filhas e netos. Já plantou muitas árvores, mas está devendo o livro.

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