ah meus versos bobalhões e imaturos.
meus maiores aliados nessa batalha estúpida;
vocês, que me permeiam, me permitem
e às vezes me deixam de mãos trêmulas
– o mínimo que posso fazer
é segurá-los com carinho contra o peito,
escrevendo cada nova linha,
como se fosse a última.
ah meus minúsculos pontinhos,
minhas anedotas em lua de mel;
vocês vestem alucinógenos megalomaníacos,
são mimados por histerias teimosas,
se massacram entre si, quando não ouvidos.
vocês me tornam uma aberração (culpando a genética)
mas sempre me apoiam quando eu despenco
noutro dia de papo furado, tal qual muletas douradas;
e assim, sou Eu, ora animal selvagem, sem rumo
ora algo belo e único, graças às suas graças.
ah meus amantes perfeitos, minhas andorinhas,
meus pais legítimos nessa cova imunda e absurda.
espero continuar lhes escrevendo nas ruas
para manter minha cabeça erguida.
espero continuar lhes escrevendo no meu leito de morte
enquanto aguardo o vislumbre
de anjos ou demônios ou pantomimas baratas;
nem mesmo afirmarei ter sido inata, perto do fim,
pois acredito que fui escolhida por vocês, num estopim!
e digo mais: quando encontrarem minha carcaça,
sendo devorada por lobos
também encontrarão vocês, em esconderijos espalhados
por cada canto da casa, feito narcóticos ilegais.
e eu estarei adornada numa faixa, coberta de vocês!
então, meus restos mortais não serão apenas restos
– serão letras e rimas e versos, respirando e rindo
com agridoces cambalhotas, afinco ingênuo
e o aroma inegável do meu direito poético.
Quênia Lalita
30 de Dezembro de 2025
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A Poesia e a Arte nos dá alívio e nos sustenta…a última linha escrita nesse ano que se esvai, recomeça amanhã de manhã…um vai e vem, como aqueles brinquedos infantis. Vamos viver, vamos brincar e deixa rolar.
Lindo poema!
Abraço!