Posso morrer?
Acidentes acontecem a todo momento com toda e qualquer pessoa…essa nossa condição humana de estarmos sujeitos às circunstâncias, ao tempo e à Natureza que nos cerca é a pior desventura que podemos ter. Mas temos opções? Talvez se pudéssemos alcançar um estágio de superes, quem sabe, não é mesmo Nietzsche?
Mas cá estamos num planeta quase hostil se olharmos para uma Natureza Selvagem, que nos cerca e ainda temos nossos instintos de sobrevivência, acredito eu, o meu é bem apurado. Estou me dando conta que uma nova geração tem sinais de ter perdido tão importante ferramenta. Vejo criaturas tirando selfies em lugares perigosos e morrendo por um ilusório flash.
O cérebro humano nos avisa do perigo, a adrenalina é a substância que nos ajuda a correr dele. É para fugir dos perigos que ela entra em ação.
Se posso morrer, por que passear à beira do abismo? Por que saltar da mais alta cachoeira? Por que andar num balão com gás e fogo? Ou ainda ficar perto de uma animal feroz, sabendo que o instinto dele é caçar e comer, não importando se a presa é amiga ou não? Por que atravessar a rua sem olhar dos dois lados? Correr risco é um vício – mesmo com o iminente perigo da morte?
Sabemos que ao nascer já estamos morrendo, isso é simbólico e profundamente filosófico…mas devemos literalmente buscá-la a todo momento? Estou começando a acreditar que alguns humanos nascem com esta vontade inerente de morrer na adrenalina, antecipando a ordem natural das coisas a justificar um suicídio aceitável. Freud explica ou vamos ficar vagando sempre nessa nuvem de fumaça que embaça nossa visão?
Quando era adolescente também fazia algumas coisas sem noção, mas nunca arrisquei minha pele e por isso nunca me embrenhei em vícios, drogas e álcool, para não ficar doente e perder a consciência, morrendo na dor.
Sempre em estado de alerta, aprendi isso morando na roça com minha família, com um pai que ensinava a olhar os perigos, privilégio meu. Na minha juventude, fazia trilhas, subia montanhas, andava de bicicleta a longas distâncias, mas dentro de um risco calculado, jamais iria arriscar a minha própria vida em vão.
Será que isso é paranóia, Raul?
Elizabeth de Souza
240625
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