Um Punk na Paulista
Certa vez ao sairmos de um barzinho ali da região da onde estavam presentes Cipra, eu que vos fala, Mansglio, Makbaker, e um professor de violão que davas aulas em uma empresa ali por perto e era figura presente nas bebedeiras de sexta à noite. Esse professor tinha sua própria concepção musical, enfim andávamos todos felizes, com as ideias afinidades pela cevada, se bem me recordo um dos assuntos que rompeu as paredes do bar e ganhou a rua era as escolhas de determinadas músicas do Cantor Britânico, David Bowie.
Todos rindo caminhando pela calçada da Paulista rumo ao metrô quando na mesma calçada e na mesma situação etílica vem um grupo de estudantes do colégio Objetivo. Não iria acontecer nada, se um dos jovens que vinham de encontro não tivesse chutado alguns sacos de lixo que estavam em um canto aguardando a coleta.
Aquilo para o Cipra soou como uma provocação, então ele mandou essa: __” Você sabe que amanhã vai ter uma senhora com a idade de minha avó para recolher lixo!?” O jovem estudante, que digamos provavelmente fora criado com leite ninho, pois ele naturalmente tinha um privilégio biológico, respondeu em tom de sarcasmo: __”Eu não tô nem aí pra sua vó!”.
Bom acho que não preciso descrever o que aconteceu, por isso vou relatar só os momentos finais – A briga generalizada não durou muito e não sei ao certo se alguém chamou ou a viatura que ali encostou estava passando no exato momento. Não era uma viatura militar e sim um viatura de trânsito, apenas com dois policiais armados.
A nossa trupe aos vê-los se dispersou rapidamente no meio da multidão, ficando apenas presente esse que vos fala e o Cipra que se embolou com o grandão. Os policiais dando voz para a briga cessar e os dois permaneciam atracados.
Um dos guardas de trânsito mostrou-se muito hábil no manuseio do revólver tirando o rapidamente do coldre, girou em segundos e desferiu um golpe na espinha do Cipra, que até eu senti a dor.
Naturalmente que só eu e ele fomos postos de cara e mãos para a parede e os estudantes passaram a dar sua versão com toda a carga necessária da convicção de seus cadernos que já não estavam mais no chão.
Para piorar a nossa situação chegou uma notícia que me havia passado desapercebido, o Cipra havia passado algumas estiletes no pobre rapaz, nada muito grave, mas o suficiente para a preocupação de que a polícia querer guardá-lo pelo uso de arma branca. Por isso enquanto escutávamos os jovens estudantes se explicando, já combinávamos o que diríamos aos policiais sobre o estilete.
Cipra me pediu para que eu falasse apenas a verdade, ou seja, que o estilete era sua ferramenta de trabalho, o que de fato era, pois ele usava para cortar umas cordinhas, onde se prendiam fardos dos jornais que iriam para os correios. Naturalmente que os policiais sarcásticos, como as vezes gostam de ser, fariam qualquer piadinha sobre o apetrecho não estar no local de seu uso. Mas assim foi o combinado – o policial me chamou separadamente de todos para contar minha versão, que foi a mesma que vocês acabaram de ler. Resumindo, o Cipra tomou um sermão daqueles e o jovem causador da confusão, com seus ferimentos, achou melhor encerar por ali, sem querer levar à frente algum tipo de queixa formal.
Os policiais nos dispensaram e caminhando até o metrô percebi como a coronha foi bem aplicada, o Cipra foi mancando até lá.

Para saber mais sobre a história de Cipriano Boêmia, acesse o link:
https://entrementes.com.br/category/colunistas/claudio-pereira/
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