Uma paixão antiga

Foto do cotidiano de Erico Veríssimo com sua IBM trabalhando em mais uma obra. Foto: Leonid Streliaev

Uma paixão antiga

Certa vez, um adolescente de 14 anos, pouco afeito à leitura, estava a procurar alguma coisa em um velho baú. Ali, no meio de pregos e parafusos, alguns já enferrujados, fotografias antigas e outras bugigangas mais, encontrou um livro todo empoeirado. Uma curiosidade inusitada o levou a soprar o pó que ocultava o título. Era o “Gato Preto em campo de Neve”, de Érico Veríssimo.

Sabe-se lá o que ou quem (seria a musa Clio?) inspirou aquele menino a ler aquele livro. A verdade é que ele se empolgava a cada página deixada para trás.

Bem, naquela leitura começou minha paixão pelas obras de Érico Veríssimo, e meu gosto por outros autores. Nascia ali um hábito que carrego comigo até hoje.

“Gato Preto em Campo de Neve” é uma narrativa da viagem que Veríssimo empreendeu aos Estados Unidos em 1941, a convite do Departamento de Estado norte-americano.

A Grande Guerra já eclodira na Europa, com tendência a estender-se a outros continentes, fato que aconteceria pouco tempo depois. Os Estados Unidos permaneciam neutros, fora da guerra, mas seu presidente, Franklin Delano Roosevelt, previa e a entrada no conflito como questão de tempo.

Para o presidente norte-americano aquele era um momento oportuno para fortalecer as relações com a América Latina. O convite a Veríssimo fazia parte daquela política de boa vizinhança.

Em dois meses o escritor gaúcho percorreu as principais cidades dos Estados Unidos. Proferiu conferências sobre o Brasil e a literatura brasileira em diversas universidades. Conversou com figuras de renome da cultura americana, tais como cineastas, escritores. E, a partir dessa rica experiência escreveu “Gato Preto em Campo de Neve”, com uma narrativa brilhante na descrição dos lugares visitados e dos tipos humanos com quem teve a oportunidade de interagir.

Embora não tivesse uma formação acadêmica, Érico Veríssimo foi convidado, em 1943, a ministrar aulas sobre literatura brasileira na Universidade Califórnia.

Retornando ao Brasil deu continuidade à sua trajetória de escritor consagrado. Já conhecera o sucesso em 1938 com “Olhai os Lírios do Campo”, e posteriormente preciosidades como “Incidente em Antares”, “Clarissa”, “Um certo Capitão Rodrigo”, “O Senhor Embaixador” e outras tantas. Seus livros foram traduzidos para vários idiomas.

2025 assinala os 120 anos do nascimento de Érico Veríssimo e 50 anos de seu falecimento.

Por Gilberto Silos

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Sobre Gilberto Silos 269 Artigos
Gilberto Silos, natural de São José do Rio Pardo - SP, é autodidata, poeta e escritor. Participou de algumas antologias e foi colunista de alguns jornais de São José dos Campos, cidade onde reside. Comentarista da Rádio TV Imprensa. Ativista ambiental e em defesa dos direitos da criança e do idoso. Apaixonado por música, literatura, cinema e esoterismo. Tem filhas e netos. Já plantou muitas árvores, mas está devendo o livro.

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