Burrice é chamar os outros de “burros”

fonte: https://x.com/LulaOficial

Em uma semana, a gente volta a visitar as urnas pra escolher quem será nosso presidente pelos próximos quatro anos e graças ao Exército do Lula e às incríveis Marchas pela Democracia, ainda temos chances de salvar a Soberania Brasileira. Entretanto, mesmo que não estejamos testemunhando tanto apoio público e direto à extrema-direita desde então, devemos prosseguir com cautela, isto é: com amor, mesmo por bolsonaristas.

Ao cruzar com tal afirmação, cê pode virar pra mim e dizer, “ninguém vira voto de gente que sofreu lavagem cerebral” e eu concordo mas… Será que não?!

Com meu instagram repleto de postagens políticas pela primeira vez desde que criei minha conta em 2024 e sentindo falta dos costumeiros memes, gatinhos e frases poéticas que o algoritmo costuma me entregar, esse dilúvio meio desconfortável é obviamente um preço que pago sorridente, até o Segundo Turno chegar – rapidamente notando que a grande maioria dos posts tá como deve ser, ao reforçar o que o Lula já fez pelo povo; como a esquerda se comporta dentro do plenário; onde gostaríamos de chegar como nação e como seres humanos. Mas de vez em quando, me deparo com posts como o seguinte:

E meus camaradinhas, peloamordedeus, não adianta NADA usar de hostilidade em nenhum contexto, mas principalmente no momento em que nos encontramos. Foi isso mesmo que você leu! Não deveríamos ser hostis nem com eleitores de Flávio Bolsonaro. 
Sei que manter a compostura e a civilidade parece difícil quando o mundo está em processo de implosão diante dos nossos olhos mas é necessário considerar a compostura e a civilidade que conquistaremos a longo prazo ao tratarmos terceiros sem o uso de conceitos elitistas e com ar de superioridade. Porque adivinha! Ninguém gosta de ser chamado de “burro” e na verdade, ninguém é.
O caso é que, quando fui dar um bizu nos comentários, esbarrei em dois indo contra a correnteza de sensatez, manifestando apoio ao bolsonarismo pois ainda não compreendem – pra tais incidentes da natureza, existem diversos fatores – o que há de errado em votar nele e em resposta a esses comentários, vinha uma enxurrada de chacota, utilizando insultos de praxe, descendo num nível fenomenal de provocação, não se dando conta de que agindo daquela forma, ativamente empurravam indivíduos PERDIDOS aos braços da extrema direita porque Xingar. Não. Vira. Voto.
Então eu, me mantendo humilde na minha insignificância – tenho um 1 seguidor por escolha própria, não compactuando com façadas de números narcisistas -, decidi responder, doce e calmamente, pessoas que não sabem por que repetem o que repetem e nem me darão ouvidos mas… Será que não?!
Muito se diz sobre a falta de argumentos na “oratória” – o uso das aspas se faz mais que necessário aqui – bolsonarista. Na falta de suporte factual. Na falta de coerência. Na utilização que beira a criminosa de tantos discursos de cunho cristão e/ou de tons vexatórios. Nas infinitas contradições, negações e manipulações infelizes e de má fé da realidade.
Sim, tudo o que tem a ver com a família Bolsonaro é perversamente irônico, oco e perigoso. “Bolsonarismo” se tornou sinônimo do que há de mais errado na nossa história recente e a presente luta muitas vezes tem de ser travada na base do coquetel molotov (intelectual e literal) – fica difícil dialogar com gente que continua acreditando e enxergando qualquer tipo de mensagem minimamente pláusivel por parte da extrema-direita, certo? Os que ficaram no barquinho do Bozo, usando sua voz, mesmo que aparentemente baixinha agora, pra apoiar a propagação de Ódio, nos provoca asco, revolta, exaustão.
Mas se alguém olha pr’o Mal e interpreta o Bem, é realmente culpa do sujeito ou tem a ver com uma sociedade calculista que dirigiu cidadãos facilmente impressionáveis à conclusões precipitadas, preconceitos disfarçados de moralidade e parábolas distorcidas? Toda e qualquer ofensa que atiramos em nossos semelhantes, devem ser atiradas na incompetência e desonestidade por parte de culturas que visam a riqueza através de mão de obra barata de uma população que não foi devidamente instruída para questionar as ações do estado e que, trabalhando mais do que vivem, não tem tempo de parar pra avaliar o que é feito em nome deles ou contra eles.
Quando nos utilizamos de discursos ad hominem, não é pelo progresso unificado da pátria, é pelo nosso ego e pela nossa sensação de superioridade intelectual, nos tornando, sabe o que?! BURROS.
No fim das contas, pra se viver num mundo melhor, xingar não adianta nada, mas ignorar quem diz as besteiras também não.
Por isso, mesmo sem saber se vai fazer alguma diferença, hoje decidi rebater.
Lá estava eu, respondendo comentários bolsonaristas às 6 da manhã de um sábado, porque é o que me resta.
Lá estava eu, plantando sementes que podem ou não germinar, mas o que custa tentar?
E não sou hipócrita! Claro que dá vontade de mandar pro inferno, é cansativo!
Mas não consigo ser maldosa, machista e impaciente. Não agora. Não quando o meu país tá na beira d’um penhasco e qualquer ventinho pode fazer ele se estatelar no chão, quebrar em milhões de pedacinhos, me tirar o pouco de esperança que ainda tenho, sendo parte da classe trabalhadora.
Não, cê provavelmente não vai virar voto de gente que sofreu menticídio e tá num estado de negação no qual até sieg heil lhes parece aceitável. Muitos desses camaradas estão agindo com firme convicção e tal convicção pode, sim, nascer de lugares de puro maucaratismo e egoísmo, então pra que tentar?
Porque a convicção também vem de cérebros que nunca tiveram o devido acesso à educação para entender o que é classe, quem dirá ter consciência de classe; vem de donas de casa que se casaram e tiveram filhos jovens demais, devido à uma doutrinação que as cega e as isola todos os dias; vem de jovens adultos que cresceram confortavelmente e não se abalam pelo o que acontece com ninguém além deles mesmos porque “se não me afeta, tanto faz”, porém não possuem malícia nessa linha de raciocínio absurda, possuem apenas ignorância e falta de curiosidade para aprenderem como a política social de um país de fato funciona; vem de alguns que repetem feito papagaio e te bicam feito papagaio, se ouvirem o contrário.
Também vale lembrar que muitos bolsonaristas estão se escondendo enquanto nossos movimentos se desenrolam e, encapados em silêncio (talvez até em vergonha), podem esbarrar com pensamentos que os minimizam, motivando-os a continuar achando que estão certos em sua escolha descabida.
Então, por via das dúvidas, bora tentar falar com serenidade e paciência mesmo com aqueles que aparentam ser irremediáveis e com aqueles que não estamos vendo ou ouvindo mas continuam tendo opiniões – ou pior, ideologias – que ainda podem ser balançadas por palavras macias ao invés de duras?
Bora tentar confrontar com carinho onde e quando tivermos essa capacidade, como tem ocorrido nas nossas marchas e durante nossas manifestações virtuais constantes desde o trágico Primeiro Turno, encabeçadas pelo Comandante André Janones.
Bora ganhar essa eleição pra não perder o que nos resta de humanidade e dignidade, tentando sempre lembrar que agir na ignorância ou ignorar quem nos ignora (e a si mesmo) não é a saída, não é a resposta, não é como se constrói uma sociedade melhor.
Tentando lembrar que já avançamos do dia 04 de Outubro até aqui.
Tentando lembrar que a esquerda e a direita já tá fazendo o L, não armas com os dedos!
No dia 25 de Outubro de 2026, a gente vai apertar 13 até pr’aqueles que não se importam nem refletem sobre os assuntos e eventos que os assolam diretamente, dia após dia. A gente vai ser os olhos e os ouvidos daqueles que ainda não podem ou não querem enxergar mas que terão de conviver com as consequências de seus próprios atos. Eles não sabem que o preço será caro se a extrema-direita avançar novamente, então lutemos pelos nossos direitos e pelos que não sabem o mal coletivo que causam ao acreditarem em pataquada espalhada por lobos em pele de carneiro.
A democracia pela qual rugimos feito leões hoje, não solta a mão de ninguém amanhã, nem as dos bolsonaristas por opção ou coerção. Pra que a mesma possa seguir existindo para todos os lados, precisamos conservá-la de pé primeiro. No dia 25 de Outubro, nosso exército ganha a última batalha d’uma guerra pelo futuro de direitos trabalhistas, feministas, culturais, raciais, LGBT+, PCDs mas, acima de tudo, HUMANOS.
Que o Bem prevaleça, que a Soberania Popular sobreviva, que a Liberdade continue nos confortando.

Eu sou Brasileira e tô do lado certo da história.

Tô com LULA 13.

fonte: https://x.com/LulaOficial
Trecho da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

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1 Comentário

  1. Quênia, belíssimo texto!
    Concordo com tudo que disse, afinal, neste momento precisamos de muita empatia e coerência para vencer essa guerra. No dia 25, precisamos salvar a nossa democracia e estamos lutando para isso, de todas as formas. A escrita é uma arma poderosa, vamos usar.
    Abraço!

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