A princesa e o vira lata

A princesa e o vira lata

“Este é um conto de fadas humano. Apesar das referências lúdicas, nem todo mundo está preparado para conviver com quem é diferente. Mas, como diria Cortella, ‘somos diferentes, não desiguais’. Nossos conflitos internos e inquietudes estão presentes, e cada um tem uma forma de lidar com a ‘dor e a delícia de ser o que é’ (citando a música de Caetano Veloso). Afinal, na vida real, nem sempre temos finais felizes.”

A princesa e o vira lata

Um dia um vira lata
Vagabundo, sem beleza
Num momento dessa vida
Encontrou uma princesa
linda e tão requintada
terminou apaixonada
mesmo com toda pobreza

A princesa já encantada
ele já apaixonado
esqueceram desse mundo
ficando lado a lado
descobrindo sem querer
a razão pra se viver
um sentimento alado

Ela toda bem vaidosa
se portava como tal
sempre muito bem-vestida vestida
também intelectual
não botava pé no chão
não comia frango com a mão
não varria nem o quintal

O vira lata, diferente
com nada se importava
se vestia com qualquer trapo
e lia só o que gostava
mesmo sendo casca grossa
tinha uma certa bossa
e o dia todo labutava

Mas convivência faz prova
tempo, nota e correção
em mundos tão diferentes
tudo vira discussão
da água na geladeira
do rádio na cabeceira
só que ninguém tem razão

No coração do vira lata
houve um grande tormento
seu jeito muito simplório
não trazia contentamento
mesmo com sua devoção
fiel como todo cão
perdeu seu encantamento

Sem ter um final feliz
nem nos becos da cidade
nem nos cantos do castelo
se acha felicidade.
E essa história enfim
não acaba, não tem fim
vive pra eternidade

William Prado

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