Alta Gracia – A Cidade nas Montanhas

No dia 19/09/26, um sábado ensolarado, saí rumo a Alta Gracia, a cidade serrana perto de Córdoba. O ônibus saiu do Terminal Bicentenário de Córdoba. Um lindo terminal novinho, também chamado Terminal 2 porque tem o terminal 1 que é o mais antigo. Nesse terminal saem os ônibus para outros municípios. Eles vão parando nos pontos de ônibus para pegar as pessoas, que usam um cartão para pagar. No meu caso, tive que ir até o terminal para comprar o boleto da passagem de ida e volta (a volta é livre, pode ser em qualquer horário) e pagar em dinheiro ou efectivo como se diz lá.

A paisagem da estrada é linda e me trouxe à memória as minhas aventuras de ônibus em minha cidade quando em direção à Serra da Mantiqueira – Com a diferença que a nossa Serra é muito mais bela e imponente.
Desci no Terminal de Alta Gracia e lá mesmo, recorri as orientações de um guia que fica num guichê no próprio terminal. Ela me passou um mapa de tudo que tem na cidade e como chegar e me orientou onde estavam os pontos onde eu queria ir: Museu do Che, Manuel Falla e o D’bois.
Pela primeira vez, usei o Google Maps porque fiz tudo a pé, mesmo sendo um pouco distante, achei que não iria aguentar por conta do meu joelho, mas foi bem tranquilo e sem dores.
Primeiro fui ao Museu de Manuel Falla que era o mais perto e que já visitei no passado, mas queria voltar lá. A caminhada foi tranquila e com o maps, foi fácil chegar. O bairro muito tranquilo e quase ninguém nas ruas, praticamente desertas. Manuel Falla foi um músico espanhol que veio a Alta Gracia e resolveu morar porque tinha problemas nos pulmões e o ar das montanhas lhe fazia muito bem. Morou nesta casa, agora Museu, os seus últimos quatro anos de vida. Foi ele que escreveu a famosa música “Amor Brujo”. Fiquei um bom tempo dentro desse museu e ao sair, a moça que me recepcionou mostrou a direção para o Museu del Che. Apenas uns 15 minutos de caminhada e me vendeu os ingressos para os 3 museus, que ficavam mais baratos do que comprar um em cada museu. E lá fui eu, pelas ruas desertas de Alta Gracia me orientando pelo Google Maps.
No Museu do Che, que também já conhecia, senti que estava bem diferente e mais uma vez, emocionada por estar lá.
Fiquei por mais de 2 horas dentro da casa do Guerrilheiro mais famoso da América Latina. Foi ali que Ernesto Che Guevara viveu a sua infância. Nasceu em Rosário, mas sua família se mudou para Alta Gracia por causa do clima das Montanhas que fazia bem a Ernestito, que sofria com a asma.
Andei por toda a casa, onde cada cômodo conta a história do Che, desde a infância até a sua morte na Bolívia. Depois fui ao quintal da casa, nos fundos onde fica a Biblioteca, a cozinha e outros cômodos e até mesmo onde se plantavam as ervas medicinais. Nos fundos, tem uma sala de vídeo onde passam documentários sobre o Che.
O Revolucionário Argentino Cubano teve uma vida curta e intensa, mas viveu dentro dos seus ideais de trabalhar e beneficiar os povos da América Latina e do mundo, que precisava da sua luta. A sua história é clara, mas também controversa entre os desavisados, mas nunca poderíamos negar a sua valentia e generosidade numa empatia sem igual. Como já disse antes e repito, falem o que falem, eu gosto do Che.
Ao sair da casa, havia um guarda na portaria que me recomendou um lugar para comer, um tal de Pepenero, dizendo ser uma comida boa e barata e para lá eu fui. Um lugar engraçado e muito cheio, deu o que ver para encontrar uma mesa. E o mais estranho é que os cachorros da rua entravam no lugar e ninguém se importava – fiquei incomodada porque tenho pavor de cachorro. Os cachorros eram grandes e muito mansos e não incomodavam e as garçonetes levavam as comidas para as mesas, desviando-se deles. Fiquei tranquila e comi bem uma carne assada com batatas assadas e pedi uma soda, que na verdade era uma água com gás.
Enquanto comia começou um chuvisco, mas passou rápido e pude continuar a minha caminhada. Passei na praça das bandeiras, fiquei um tempo por lá e depois iria para o Museu D’bois. No final das contas, passei muito tempo na praça das bandeiras e olhando um belo riacho que corta a cidade e deu preguiça de seguir para o terceiro museu e como estava ficando tarde, resolvi ir para o terminal e comprar alguma lembrancinha. No terminal estava tudo fechado e deserto e nem um café para tomar, muito menos lojas de lembrancinhas, porque esqueci que todos dormem nesse horário. Só volta a abrir depois das 17h.
Sentei num dos bancos para esperar o próximo ônibus para Córdoba, sem café e sem lembrancinhas. O ônibus demorou um pouco e havia algumas pessoas também esperando, ufa, ainda bem. O ônibus leva mais ou menos uma hora e vinte até Alta Gracia, mas a volta demorou mais porque foi para vários lugares pegando as pessoas, para depois entrar na rodovia em direção à Córdoba.
Ao chegar no terminal Bicentenário, em Córdoba fui tomar o meu café com medialunas. O Terminal é lindo e tem uma variedade de restaurantes, lanchonetes e lojas variadas. Dali, peguei um Uber até o hotel, chegando à noitinha. Descanso para a próxima aventura.
Elizabeth de Souza
200926
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