Banda paranaense Terminal Guadalupe reforça alarme sobre futuro em novo álbum.
Às vésperas da última semana de campanha para eleição presidencial, banda curitibana lança seu sexto disco, “Ensaio Sobre a Urgência”, gravado na casa de cada músico.

Terminal Guadalupe por Maicon Garcia.
São quase 25 anos de resistência no indie brasileiro da banda curitibana Terminal Guadalupe. E agora, o grupo se prepara para lançar seu sexto e mais politizado trabalho. “Ensaio Sobre a Urgência” (8-Bics, 2026) chega às plataformas digitais com distribuição pela Tratore. Produzidas pelos integrantes Allan Yokohama e Dary Jr., as 10 faixas foram concebidas no formato de ‘instant songs’, canções feitas no calor dos últimos acontecimentos.
Influenciado pelo clima quente do ano eleitoral, o novo disco é fruto da observação atenta sobre o avanço de pautas ultraconservadoras. O trabalho mantém a postura política da banda, mas passa longe de discursos panfletários. O Terminal Guadalupe prefere ironia, afeto e reflexão social. O álbum soa como um convite direto ao ouvinte para pensar os rumos de um país (e de um mundo) dividido sem erguer muros ou afastar quem apenas busca boa música.
Dentre os destaques, faixas como “O bebe de Mussolini”, na qual a banda amplia a definição “bebê reborn do fascismo”, usada pelo influenciador e politico pernambucano Jones Manoel para identificar um jovem parlamentar mineiro famoso por espalhar notícias falsas. “Love Me Like Gold”, canção inspirada em um político interessante: ex-drag queen que passou a defender pautas homofóbicas e transfóbicas no Partido Republicano e que chegou a ser censurada nas plataformas digitais ao ser lançada como single por mencionar o termo naz*smo, ainda que para criticá-lo. “Mundo Sin Dueño”, um rock latino que faz um aceno de solidariedade aos povos vizinhos que entraram em sérias enrascadas com a eleição de políticos de extrema-direita. E “Da Venezuela ao Irã” que tem sua letra baseada em afirmações atribuídas ao abusador sexual Jeffrey Epstein sobre Donald Trump e que para a banda virou um mantra melancólico sobre a cortina de fumaça travestida de invasões e conflitos.
Se unem às outras faixas num coro contra o ultraconservadorismo crescente e também como um alerta sobre a necessidade de estar atento aos acontecimentos de forma clara. Tudo isso, misturando elementos de rock brasileiro, latino e mundial, com pitadas de psicodelia, música pop e folk. “Uma combinação rara de maturidade, indignação, identidade e capacidade de observação que poucas bandas conseguem alcançar depois de mais de 20 anos de trajetória. Talvez porque o Terminal Guadalupe tenha entendido algo que boa parte da música brasileira esqueceu: urgência não é gritar mais alto. Urgência é perceber o que está acontecendo ao redor antes que todo mundo perceba. E transformar isso em canção”, escreveu o jornalista e escritor Luiz César Pimentel na apresentação do álbum.
O método de criação seguiu uma lógica artesanal e caseira. Cada integrante recebeu as músicas concebidas por Dary Jr. e Allan Yokohama e gravou suas partes em seus próprios estúdios. A formação que gravou o novo álbum reúne Dary Jr. (voz), Allan Yokohama (guitarras, violões, teclados e vocais), e dois músicos convidados especialmente para este projeto: Gabe Salmazo (baixo, escaleta e vocais), do Not An Ideal Boy e das Bravonas; e Luciano Vassão (bateria), da lendária Jully et Joe. Matheus Bittencourt mixou e masterizou o álbum no estúdio Casa do Fundo, em Curitiba. A identidade visual coube a Maurício Peixoto.
Ouça “Ensaio Sobre a Urgência” no seu streaming preferido clicando aqui
Também é possível baixar o álbum em mp3/wav no site do Scream Yell.

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