Cultivando sofrimentos

Foto: Jasmim do meu quintal – Elizabeth de Souza

Cultivando sofrimentos

Prefiro cultivar jasmim

Toda Ciência, Arte, Filosofia e Misticismo busca conhecimentos em colunas diferentes e o objetivo acaba se afunilando para uma única direção que é a plenitude do ser ao invés do ter.
Busca-se o ensimesmar-se para alcançar o pleno conhecimento, a sabedoria, a beleza e a consciência. E principalmente a plena satisfação em ser. O ter não basta!

Busco, desde pequena e olha que não cresci muito, um desejo profundo de inexistir para sempre, porque essa roda de existências tornou-se repetitiva e sem graça demais. Gostaria de ter uma consciência desperta para sair, de forma revolucionária, dessa roda de Samsara. Mas as minhas buscas só renderam mais reflexão do que resultados práticos – necessito urgente daquele salto quântico sobre o abismo, literalmente.

Mas, de loucura em loucura, a gente vai aprendendo a lidar com a vida, com aquela donzela do lado esquerdo que nos acompanha até o último suspiro, como dizia o velho índio de Castañeda. Enquanto isso, busco a dopamina que meu cérebro produz naturalmente e acredito, que sem isso, não dá para viver. Muitos correm atrás da dopamina de forma superficial e instantânea, negando a original que fica alimentando nosso corpo por tempo ilimitado. Ela é tão fácil, só basta acessar.

Muitas religiões pregam os sacrifícios, ao invés dos SACROS OFÍCIOS; pregam o sofrimento com muita cortisona, ao invés da dopamina; o cilício ao invés do Silício e Selênio – os cintos pontiagudos de metal sobre o ventre, ao invés dos sentimentos puros e inocentes; a dor ao invés do prazer. E por esse motivo, não tenho religião, só o religare, a busca incessante em me conectar com o meu verdadeiro e real ser interno. A minha religião é o prazer.

De que vale viver neste Vale de Lágrimas, aceitando só o choro e a dor?
O prazer permeia tudo, desde o desfrutar do amor verdadeiro até cheirar um jasmim, comer um doce de-leite, apreciar a Natureza, caminhar sem rumo, ver as montanhas, acariciar tudo que tem no mundo, beber os líquidos mais deliciosos, tudo é prazer, quando a dopamina domina.

Os que cultivam o sofrimento não vê beleza no mundo, recusam-se a experimentar o prazer, mesmo dentro desse limite que nos impõem as existências repetidas.

Tudo isso, e daí?

(Há controvérsias ao lembrar que no final dos anos 90, Reddie e eu criamos o Manifesto Idaísta)

Elizabeth de Souza
011026

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Sobre Elizabeth Souza 472 Artigos
Elizabeth de Souza é coordenadora e editora do Portal Entrementes....

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