Ele falou para ouvir a própria voz
Ele me pede
para guardar um segredo
De repente
conta a todos
sem nenhum pudor
E eu fico estática
ouvindo
com precisão anestésica
a inutilidade
do meu silencio tumular
Penso então
que alguns humanos
não levam a sério
nem a si
quem dirá os outros…
Como disse Fernando Pessoa
“E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo
…
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.”
E clara-mente desperto
do meu instante tão cringe
diante do inesperado
tão esperado
de gestos
simplesmente humanos
nada mais que isso…
Apenas falou para ouvir a própria voz.
Elizabeth de Souza
160826
(Título inspirado numa frase de Marlene Prado)
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