Histórias

HISTÓRIAS

Cá estou há algum tempo na frente do computador. Fico a tamborilar impacientemente as teclas, mas a crônica não sai. Nenhum tema interessante ou relevante surge na minha mente. É tudo mais do mesmo.
Até então, o assunto do momento era a Copa do Mundo. Já não há mais interesse. Só restou a frustração para nós, brasileiros.
Alguém me disse certa vez: “se falta assunto para escrever, pense em gente”. Gente é a melhor matéria prima para crônicas. Cada um tem a sua história, seu jeito peculiar de ser. Algo que mereça ser contado ou ao menos comentado.

Como estamos celebrando o feriado de 9 de julho, lembrei-me de meu pai. A data comemora a Revolução Constitucionalista de 1932, na qual ele defendeu São Paulo lutando contra a ditadura de Getúlio Vargas.
Essa participação no movimento constitucionalista despertou-lhe o gosto pela política. Anos depois ele ingressava na Ação Integralista Brasileira.
A AIB era um partido nacionalista de extrema direita, fundado pelo filósofo Plínio Salgado. Opunha-se radicalmente ao Comunismo.
Os integralistas eram chamados de “camisas verdes”. Em suas manifestações trajavam camisa Verde contendo na braçadeira a letra grega SIGMA, representando os valores da União Nacional. Para completar,i saudavam-se com a palavra “anauê”.
Com a derrocada da Intentona Comunista de 1935 a ABI resolveu apoiar o governo de de Getúlio Vargas. A lua de mel durou pouco, porque em l937 Vargas extinguiu todos os partidos políticos
Inconformados, os integralistas organizaram em 1938 um levante para depor Getúlio. Foram derrotados. Quem não foi exilado, amargou a prisão.

Naquela época meu pai residia na cidade de Casa Branca-SP. e estava noivo de minha mãe, que repudiava aquela ideologia extremista.
Na iminência da repressão começar na cidade, meu pai se amedrontou. Com a camisa verde embrulhada numa folha de jornal, ele procurou minha mãe, implorando-lhe que a escondesse. Ela tomou-lhe o embrulho das mãos e voltou sorrindo minutos depois: “Pronto. Sua camisa verde está escondida para sempre!” Minha mãe a queimara no fogão a lenha, já aceso para fazer o almoço.
Ele se desesperou e até chorou com aquele gesto da mulher que amava. Pelas mãos dela terminava sua aventura extremista.
Era minha mãe sendo a mulher que sempre foi: firme e decidida.

Por Gilberto Silos..

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Sobre Gilberto Silos 279 Artigos
Gilberto Silos, natural de São José do Rio Pardo - SP, é autodidata, poeta e escritor. Participou de algumas antologias e foi colunista de alguns jornais de São José dos Campos, cidade onde reside. Comentarista da Rádio TV Imprensa. Ativista ambiental e em defesa dos direitos da criança e do idoso. Apaixonado por música, literatura, cinema e esoterismo. Tem filhas e netos. Já plantou muitas árvores, mas está devendo o livro.

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